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Estado de Minas INVESTIR EXIGE CAUTELA

Com turbulências nos mercados financeiros, o melhor é ser conservador nas aplicações

Com juros em alta, fundos de renda fixa são opção. Títulos e poupança oferecem proteção


postado em 28/12/2014 07:00 / atualizado em 28/12/2014 07:42

Influenciada pelas más notícias na economia brasileira e pelos riscos externos, bolsa de valores é opçãomais arriscada no início do ano(foto: NELSON ALMEIDA/AFP %u2013 2/10/13)
Influenciada pelas más notícias na economia brasileira e pelos riscos externos, bolsa de valores é opçãomais arriscada no início do ano (foto: NELSON ALMEIDA/AFP %u2013 2/10/13)
Brasília – Quem não se empanturrou de dívidas, fez o dever e conseguiu economizar parte do orçamento deve ter bastante cuidado na hora de investir o dinheiro a partir de agora. É sabido que 2014 foi marcado pela tensão nos mercados financeiros mundiais e pela maré de más notícias na economia brasileira, quadro que, combinado à eleição presidencial mais disputada em 30 anos, fez da bolsa de valores terreno árido para bons negócios e provocou perdas até nos tradicionais títulos públicos. A ordem, portanto, é manter o conservadorismo para evitar prejuízos.


Se, por um lado, a economia sentirá o baque da alta das taxas de juros promovida pelo Banco Central para tentar domar a assanhada inflação, as pessoas que optarem por aplicações em fundos de renda fixa, fundos DI, certificados de depósito bancários (CDBs) e até mesmo a caderneta de poupança poderão proteger o patrimônio. Mas é sempre bom diversificar os investimentos, pois, se uma das alternativas não for bem, a outra compensará. A cesta de opções inclui até uma pequena parcela em ações, pois não se pode esquecer que, no caso de o governo conseguir botar a economia em ordem, mais à frente, a bolsa de valores poderá dar um bom retorno.


Transitar por 2015 exigirá muito sangue-frio, não apenas pelas questões domésticas, que podem provocar transtornos devido ao esperado aumento do desemprego, mas também pelo cenário internacional adverso. Nas últimas semanas, o mundo se viu às voltas com o risco de um novo colapso da Rússia, que, caso venha a afundar, poderá levar junto algumas economias emergentes, revivendo a crise de 1998, quando o Brasil foi tragado pela recessão. “Ou seja, teremos um ano desafiador”, ressalta Aline Sun, executiva da Guide Investimentos. “Veremos, pela frente, momentos de turbulência como em 2014. Que ninguém espere um ano novo tranquilo”, avisa.

Como na guerra Sendo assim, toda cautela é pouca para quem vai investir parte do patrimônio. “A primeira coisa importante a se fazer é não perder dinheiro e se preservar”, diz o diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello, reforçando que, em situações extremas, o melhor a fazer é não se expor demais a riscos. “Assim como na guerra, antes de tentar abater o inimigo, é importante se manter vivo”, frisa.


Curvello cita como exemplo o comportamento da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 11,75% ao ano. A aposta do mercado é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) promoverá mais uma alta de 0,5 ponto percentual na reunião marcada para janeiro e outra de 0,25 ponto em março. Com isso, o indicador chegará a 12,50% ao ano, o maior nível desde julho de 2011. A tendência é que, a partir daí, o BC manterá a Selic inalterada até meados de 2016, quando poderá cair caso a inflação realmente convirja para o centro da meta, de 4,5%.


Parece pouco, mas a diferença de 0,75 ponto entre a Selic de hoje e a taxa futura será determinante para o sucesso de muitas aplicações financeiras do país. “A taxa básica de juros acaba balizando uma série de investimentos. Os fundos de renda fixa, por exemplo, estão abarrotados de títulos públicos, cuja rentabilidade acompanha a Selic. O mesmo ocorre nos fundos DI e nos fundos de previdência complementar”, explica o diretor da Easynvest, Amerson Magalhães. “Nesse contexto, fica mais arriscado se aventurar pela bolsa de valores ou por aplicações atreladas ao dólar”, acrescenta.


Os conservadores em excesso, que não têm mais do que R$ 10 mil para aplicar, devem optar pela caderneta de poupança. Os rendimentos são de 6,17% ao ano, ganho que não tem conseguido acompanhar a inflação, que tem se mantido acima do teto da meta, de 6,5%, há quatro meses. Mas é melhor ter a remuneração da caderneta do que nada. Deixar o dinheiro parado em conta-corrente é um risco enorme, uma tentação ao consumo.

Variação
A correção poupança varia conforme o nível da Selic. Quando o indicador definido pelo Banco Central estiver em 8,5% ao ano ou abaixo disso, os depósitos na caderneta renderão 70% da Selic mais a variação da Taxa Referencial (TR). Sempre que a taxa for igual ou superior a 8,5% ao ano, como acontece agora, a poupança tem rentabilidade prefixada em 0,5% ao mês, mais a TR.

Inflação é ameaça

Como, em 2015, a inflação continuará muito próxima ou acima do teto da meta, de 6,5%, uma forma de os poupadores se protegerem da escalada de preços é investir em produtos financeiros que ofereçam remuneração superior ao custo de vida. “A expectativa é de preços para cima nos próximos 12 meses. Então, o ideal é buscar investimentos atrelados à inflação”, recomenda o diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello.


É possível obter exatamente isso com apenas R$ 30 em uma aplicação do Tesouro Direto, o programa de compra e venda de papéis da dívida pública voltado às pessoas físicas. Para acessá-lo é necessário abrir uma conta em uma corretora cadastrada. Há instituições que não cobram taxas para administrar os recursos aplicados. Outras, no entanto, exigem encargos elevadíssimos, o que pode inviabilizar a atratividade do investimento.


No Tesouro Direto são basicamente três tipos de papéis negociados: os prefixados, os atrelados à inflação e os que acompanham a variação da Selic: as Letras do Tesouro Nacional (LTN), com rentabilidade prefixada e que permitem saber exatamente quanto o papel pagará na data de vencimento; as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), que acompanham a variação da taxa Selic; e as Notas do Tesouro Nacional (NTN), que têm três subdivisões: as NTN-Fs, as NTN-Bs e as NTN-Bs Principal, cada uma com função específica.

Facilidades Com nomes para lá de complicados, o Tesouro Direto custou a ser compreendido por quem não fosse entendido em finanças. Por isso mesmo, o governo decidiu radicalizar. A partir de 1º de fevereiro de 2015, o programa terá nomes autoexplicativos. As LTNs passarão a se chamar Tesouro Prefixado, carregando no fim do nome a data de vencimento do papel (exemplo Tesouro prefixado 2030, para papéis com esse prazo). Já as LTFs virarão Tesouro Selic, e terão, no fim do nome, o prazo de validade do papel.


Mesmo as complexas NTNs terão nomes mais fáceis de ser entendidos. As Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-Fs) passarão a ser chamadas de Tesouro Prefixado com Juros Semestrais. Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) passarão a se chamar Tesouro IPCA com Juros Semestrais. Já as NTN-B Principal serão classificadas apenas como Tesouro IPCA, e terão a inscrição do vencimento do papel.


Os títulos trazem diferenças relevantes, sobretudo nos rendimentos. Enquanto nos últimos cinco anos a caderneta de poupança rendeu 39,2% no período, papéis que oferecem rentabilidade prefixada, como as LTNs, tiveram alta de 68,1%. Já as NTNs pagaram 80,5%. O pior desempenho do Tesouro Direto ficou com os títulos que acompanham a taxa Selic, como as LTFs, com juros de 58,8% no período.


Não por acaso, o aumento da taxa básica da economia (Selic) pelo Banco Central tem interferência direta nas aplicações financeiras pós-fixadas. Por isso, tende a determinar também os resultados das demais modalidades de poupança, como a indústria de fundos de investimentos, principal aplicação no país, responsável pela gestão de R$ 2,3 trilhões em recursos de empresas e de pessoas físicas.
Em geral, os fundos têm como referência a rentabilidade do Certificado de Depósitos Interfinanceiros (CDI), título que tende a acompanhar a variação da taxa Selic. Portanto, sempre que os juros sobem há chance de que também os fundos obtenham rendimentos maiores.

 


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