
O governo brasileiro confirmou nesta quinta-feira uma aproximação com a Rússia para expandir as exportações diante das sanções que os países ocidentais determinaram em razão da crise ucraniana. Ao contrário dos países da Europa e EUA, o Brasil vem mantendo uma boa relação e diálogo com a Rússia e não faz parte da lista de países afetados pelo embargo anunciado nesta quinta-feira.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Seneri Paludo, afirmou que o embargo da Rússia aos produtos dos EUA, União Europeia, Canadá, Austrália e Noruega pode abrir portas para uma "revolução" nas exportações brasileiras de carne e grãos (milho e soja). "Sem dúvida, do ponto de vista de commodities agrícolas é positivo. A Rússia tem um potencial de grande consumidor de commodities agrícolas, não só de carne" disse.
Segundo ele, o governo brasileiro habilitou 90 plantas frigoríficas para exportar ao mercado russo e a tendência é de que o volume de carne suína e bovina vendida para a Rússia cresça. "O embargo da Rússia aos Estados Unidos abre uma janela para exportação. O país é um grande consumidor de carne e grãos" afirmou.
O governo russo convocou para esta sexta-feira, uma reunião com representantes diplomáticos de países sul-americanos, entre eles o Brasil, para tratar do aumento de exportações para o país depois da decisão da Rússia de bloquear as importações de Estados Unidos e União Europeia. O interesse maior é aumentar a importação de frutas e vegetais, hoje fornecidos basicamente pelos países europeus.
De acordo com o ministro conselheiro da embaixada brasileira em Moscou, Miguel Griesbach, o governo russo pretende apresentar as necessidades de importação e verificar a disponibilidade dos sul-americanos em suprir o mercado.
Ontem, uma missão do Ministério da Agricultura já acertou o aumento de exportação de laticínios. O encontro determinou a liberação de certificados sanitários para as empresas brasileiras, que devem começar a abastecer o mercado russo em breve.
O embargo do governo russo em resposta às sanções que os países ocidentais determinaram contra Moscou foi anunciado hoje. O gesto foi uma resposta às sanções da Europa e dos EUA envolvendo a anexação da Crimeia. No entanto, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev explicou que a proibição pode ser revogada se os sócios demonstrarem "uma atitude construtiva". "Todas estas medidas são simplesmente uma resposta. Não queríamos este desenvolvimento da situação. Não há nada positivo nestas sanções", disse. "Espero sinceramente que o pragmatismo econômico prevaleça sobre as estúpidas considerações políticas de nossos sócios, e que não pensem em isolar ou assustar a Rússia", completou o primeiro-ministro.
O presidente Vladimir Putin formalizou a imposição de restrições à importação de produtos agrícolas de qualquer país que tenha aderido ao bloqueio contra Moscou por causa da crise na Ucrânia. A medida aprofunda a crise entre Ocidente e russos, mas abre as portas para um aumento das exportações brasileiras.
Na avaliação de Paludo, o movimento político do Kremlin pode ter um efeito parecido com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2011, quando houve um "abalo sísmico" no mercado de commodities agrícolas. "O embargo é uma grande oportunidade do mercado e do governo para trabalhar para exportar milho e soja (à Rússia). Do mesmo jeito que aconteceu um processo de revolução há 12 anos atrás, talvez a gente esteja vendo um processo que pode causar uma revolução na exportação brasileira", afirmou. (Com Agência Estado e AFP)
