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Estado de Minas

Rússia proíbe importação de alimentos da Europa e EUA

Proibição ocorre em resposta às sanções que os países ocidentais determinaram contra Moscou


postado em 07/08/2014 10:35 / atualizado em 07/08/2014 11:31

A Rússia proibiu nesta quinta-feira a importação de alimentos procedentes dos países da Europa e dos Estados Unidos, em resposta às sanções que os países ocidentais determinaram contra Moscou em razão da crise ucraniana, anunciou o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev. Moscou também ameaçou fechar o espaço aéreo do país aos aviões que viajam entre a Europa e a Ásia pela Sibéria, a rota mais curta, em resposta às sanções. A proibição afeta principalmente a carne bovina, suína e de frango, pescado, os laticínios, as verduras e frutas procedentes dos Estados Unidos, União Europeia, Austrália, Canadá e Noruega.

Medvedev explicou que a proibição pode ser revogada se os sócios demonstrarem "uma atitude construtiva". "Todas estas medidas são simplesmente uma resposta. Não queríamos este desenvolvimento da situação. Não há nada positivo nestas sanções", disse. "Espero sinceramente que o pragmatismo econômico prevaleça sobre as estúpidas considerações políticas de nossos sócios, e que não pensem em isolar ou assustar a Rússia", completou o primeiro-ministro.

O embargo não será aplicado aos alimentos para bebês e os cidadãos russos poderão continuar com as compras no exterior, mas qualquer tentativa de aproveitar a situação para revender produtos proibidos será punida, destacou. A lista completa de produtos submetidos ao embargo foi publicada no site do governo russo.

"Mesmo nestas condições estamos convencidos de que conseguiremos mudar a situação a nosso favor", disse Medvedev, que prometeu "impedir o aumento dos preços" e "liberar as posições de mercados para nossos próprios produtores". Medvedev acrescentou que o país não deve desperdiçar a "oportunidade única de abrir e desenvolver a indústria destinada à substituição das importações".


Exportações liberadas para o Brasil

Ao contrário dos países da Europa e EUA, o Brasil vem mantendo uma boa relação e diálogo com a Rússia e não faz parte da lista de países afetados pelo embargo. Na segunda-feira, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou que a Rússia liberou cinco frigoríficos brasileiros para exportar carne bovina e suína para o país. Para carne bovina, foram autorizadas as empresas Mataboi, em Minas Gerais, Frigoestrela, em São Paulo Marfrig, em Goiás e Agra, em Mato Grosso. Para carne suína, foi liberada a empresa Cotriji, no Rio Grande do Sul.

Segundo o Ministério da Agricultura, a autorização para venda de carne bovina saiu quinta-feira (31) e, para carne a suína, sexta-feira (1°). A Rússia tem exigências sanitárias rigorosas para ingresso de produtos alimentícios em seu mercado, e o Brasil mantém diálogo e se esforça por se adequar às normas do país europeu.

O mercado russo é um dos principais para a carne brasileira. Segundo dados do Ministério da Agricultura, no ano passado, de US$ 2,72 bilhões em produtos agrícolas brasileiros vendidos para a Rússia, 44,1%, ou US$ 1,2 bilhão, foram de carne bovina. As vendas de carne suína totalizaram US$ 412 milhões, ou 15,1%.

Ameaça aos voos entre Europa e Ásia

Sobre a ameaça de fechar o espaço aéreo, Medvedev disse que esta seria uma "medida grave", considerada uma resposta à suspensão das atividades da companhia aérea de baixo custo russa Dobrolet, em consequência das sanções ocidentais.

O fechamento do espaço aéreo russo para os voos entre Europa e Ásia provocaria às companhias que utilizam a rota importantes gastos de combustível. Mas também provocaria perdas para principal companhia aérea russa, a Aeroflot, que recebe a cada ano entre 250 e 300 milhões de dólares de indenizações pelos voos de trânsito. "Evidentemente esta é uma medida grave. Temos que refletir", disse o primeiro-ministro russo.

O fechamento do espaço aéreo afetaria consideravelmente as empresas europeias, em particular Lufthansa, British Airways, Air France e Finnair, que operam muitos voos de longo percurso para a Ásia. O Bank of America Merrill Lynch calculou esta semana em 30.000 dólares por voo o custo de utilizar outros itinerários.(Com Agência Brasil)


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