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Estado de Minas

Indústrias reduzem operações para obter ganhos com a liquidação da energia excedente

A onda atinge também as geradoras que têm sobra de energia, como a Cemig


postado em 14/02/2014 06:00 / atualizado em 14/02/2014 07:12

Interligadas às linhas de transmissão, empresas estão deixando de produzir para vender a luz excedente(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 27/10/11)
Interligadas às linhas de transmissão, empresas estão deixando de produzir para vender a luz excedente (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 27/10/11)

O baixo volume dos reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras e a disparada do preço do megawatt/hora (MWh) no mercado livre transformou a energia em moeda para as indústrias intensivas em eletricidade no Brasil. Com isso, grandes consumidores do insumo estão reduzindo suas atividades operacionais para obter ganhos com a liquidação da energia excedente junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A onda atinge também as geradoras que têm sobra de energia, como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Companhia Energética de São Paulo (Cesp), e prossegue até a produção de ferroligas.

Nesse segmento, boa parte das indústrias paralisou temporariamente as operações e está direcionando a energia que seria usada na produção para o mercado de curto prazo, onde ela é liquidada a R$ 822,83 o MWh, o valor mais alto da história. Na fábrica da Liasa em Pirapora, no Norte de Minas, a produção de silício metálico está temporariamente paralisada desde 31 de janeiro. A energia que sobrou vem sendo liquidada na CCEE, mas a empresa não informa o volume por questões estratégicas. Segundo a empresa, não houve demissões e os 600 empregados estão envolvidos em atividades de manutenção e treinamento.

Outra que paralisou a operação foi a unidade mais antiga do grupo Rima, lcoalizada em Várzea da Palma, no Norte de Minas. A planta produz ferroligas especiais e costuma passar por manutenções nos períodos em que a energia está mais cara no mercado livre. “Na fábrica de Várzea da Palma temos nossos fornos de menor capacidade e às vezes é necessário trocar o refratário, o que naturalmente implica em parada”, explica Ricardo Voicentin, diretor-presidente da Rima. De acordo com ele, a ideia é gerir melhor a conta de energia no mercado livre, mas quando isso é feito não há demissões. “Estamos liquidando somente a energia dos fornos em manutenção”, explica. A redução da produção, segundo ele, foi inferior a 5% do faturamento do mês. A previsão é que a fábrica normalize sua produção em março.

Segundo representantes de comercializadores e consumidores do insumo, o alto preço da energia de curto prazo tende a ser um incentivo para que a indústria que é grande consumidora reduza suas atividades e aproveite o momento para obter ganhos com a venda de eletricidade excedente. Diante da expectativa de que sejam beneficiadas em suas negociações com energia em momento de preço recorde de curto prazo, ações das geradoras que têm sobra para venda estão em alta.. Enquanto os preços de curto prazo continuarem salgados por causa da forte geração termelétrica, o mesmo caminho tende a ser seguido por empresas de outros segmentos.

O Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que serve de base para os preços de energia de curto prazo, está a 822,83 reais MWh, teto regulatório determinado para o ano, para as regiões Sudeste e Centro/Oeste, por duas semanas consecutivas. O mesmo volume de energia adquirido no longo prazo tende a sair muito mais em conta. O valor mais alto do PLD até agora tinha sido registrado em janeiro de 2008, quando o MWh foi comercializado a R$ 569,59. Para se ter uma ideia, o preço médio do leilão A-5, realizado pela Empresa de Planejamento Energético (EPE) no fim do ano passado, ficou em R$ 139,20 por MWh. “Com um PLD a R$ 822,83, há diminuição do consumo de consumidores eletrointensivos para aproveitar a alta. Isso tende a ocorrer”, disse o coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro.


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