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Estado de Minas

Falta de chuva e de reservatórios acendem alerta de elevação constante no custo da energia

Estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que nos últimos anos vem ocorrendo uma redução gradual da capacidade de regularização do sistema elétrico no país


postado em 26/01/2014 08:07 / atualizado em 26/01/2014 08:07

Usina de Mauá: mudança na matriz diminui a armazenagem de água no sistema para geração(foto: HIDRELÉTRICA MAUÁ/DIVULGAÇÃO %u2013 10/12/12)
Usina de Mauá: mudança na matriz diminui a armazenagem de água no sistema para geração (foto: HIDRELÉTRICA MAUÁ/DIVULGAÇÃO %u2013 10/12/12)
A expansão das usinas hidrelétricas a fio d’água está levando a uma redução da capacidade de regularização do sistema elétrico brasileiro num cenário de chuvas aquém do esperado e insuficientes para o setor, o que significa antecipar a intensificação da inserção de termelétricas na base de geração. Isso elevará o preço da energia no país e vai afetar a segurança e a qualidade ambiental da matriz energética brasileira. É o que mostra estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que faz um levantamento sobre os custos e benefícios da expansão do parque hidráulico brasileiro com base na construção de hidrelétricas a fio d’agua no Norte do país. Com isso, segundo a entidade, em 2021 a capacidade de regularização dos reservatórios alcançará níveis considerados preocupantes.


Segundo o estado, nos últimos anos vem ocorrendo uma redução gradual da capacidade de regularização do sistema elétrico no país. Em 2001, a capacidade de regularização do Sistema Interligado Nacional (SIN) era de 6,27 meses, o que quer dizer que os reservatórios, se completamente cheios, tinham energia armazenada sob a forma de água capaz de atender a demanda do SIN sem a necessidade de geração complementar a partir de outras fontes, por esse período. Já em 2012, a capacidade de regularização do sistema havia encolhido para 4,91 meses. A queda foi de quase 25% em comparação ao verificado 11 anos antes.


“A capacidade de regularização dos reservatórios está caindo em função da inclusão de mais usinas a fio d’água em nossa matriz. Como o potencial hidrelétrico brasileiro está no Norte, onde o regime de chuvas é concentrado, estamos cada vez mais dependentes da hidrologia”, explica Tatiana Lauria, especialista em competitividade industrial e investimentos da Firjan. Isso quer dizer que o número de meses em que o Brasil poderia gerar energia somente com as hidrelétricas está diminuindo. O levantamento da Firjan indica que entre os projetos hidrelétricos a serem viabilizados entre 2017 e 2021 no Brasil, 89,6% – ou 17.627 megawatts (MW) – estão na região Norte. No Sul, são 1.126MW (5,7%); no Sudeste e Centro-Oeste, 807MW; (4,1%) e no Nordeste, 113MW (0,6%).


Se a demanda de energia seguir em trajetória ascendente e a ampliação do parque hidráulico for sustentada quase exclusivamente por usinas a fio d’água, a expectativa da Firjan é de que a perda da capacidade de regularização do sistema no futuro atingirá 3,35 meses em 2021, o que representa uma queda de 32% em relação a 2012, e de 50% frente a 2001.
Entre 2001 e 2012, o nível médio dos reservatórios ficou em 63,8%. O menor nível observado foi em setembro de 2001 (23,2%) e o maior foi 88,8% (abril de 2011). Em nenhum momento, aponta a Firjan, ele chegou a 100%. “Considerando a demanda de energia média em cada ano e a média do nível dos reservatórios de 63,8%, a capacidade de regularização média caiu de 3,99 meses em 2001 para 3,13 meses em 2012. A previsão é que chegue em 2,14 meses em 2021, se a média for matida.


“Em 2021, mesmo que os reservatórios venham a estar no maior nível observado nos últimos 12 anos (ou seja, com 88,8% em vez da média de 63,8%), a capacidade de regularização efetiva seria de apenas 2,98 meses, menor do que a média observada em 2012 (3,13 meses)”, diz Tatiana Lauria. Ainda não há números para 2013.

Mais pressão sobre o meio ambiente
A demanda global por energia deve aumentar 50% até 2030, alimentada por um aumento do consumo de cerca de 3% ao ano em média durante esta e a próxima década. Diante disso, a expectativa é que as emissões de gás carbônico (CO2) do setor energético sejam elevadas em 25% no mesmo período caso novas usinas de energia continuem a ser construídas no mesmo padrão usado no passado.


Por outro lado, se as centrais elétricas a carvão pudessem ser substituídas, em grande escala, por usinas termelétricas a gás até 2030, o setor mundial de energia poderia reduzir as emissões de CO2 em volume equivalente às emissões totais anuais dos 28 países da União Europeia juntos (3.500 megatons). Essas são as principais conclusões de um levantamento mundial elaborado pela Siemens e pela Universidade Técnica de Munique em 2013 sobre emissão de CO2 no setor elétrico no mundo. O estudo mostra, ainda, que não basta a expansão acelerada de fontes renováveis para melhorar automaticamente o gatilho climático.


De acordo com Felipe Ferres, diretor de planejamento do setor de energia da Siemens, a pesquisa enquadrou os países em cinco tipos de classificação: aqueles que buscam a redução do custo da energia, caso dos EUA; os maiores exportadores de petróleo, como Emirados Árabes, que conseguiram elevar em 25% sua venda externa de óleo, aumentando a eficiência na geração de energia; os novos pioneiros verdes, caso da Europa, onde o grande desafio é fazer a transição energética com sustentabilidade; e aqueles com crescimento vertiginoso do consumo de energia, caso dos Bric’s.

 

 

 

 


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