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Estado de Minas

Pesquisa revela que brasileiro está disposto a pagar mais por produtos de grife

Levantamento mostra que sete em cada 10 pessoas estão de acordo com o fato de que preço é um bom indicador de qualidade


postado em 20/10/2013 06:00 / atualizado em 20/10/2013 07:27

A manicure Jacqueline Barbosa quer uma TV e afirma que prefere pagar mais por uma marca, mas espera as promoções (foto: Angelo Pattinat/Esp.EM/D.A.Press)
A manicure Jacqueline Barbosa quer uma TV e afirma que prefere pagar mais por uma marca, mas espera as promoções (foto: Angelo Pattinat/Esp.EM/D.A.Press)


O acesso facilitado ao crédito nos últimos anos e o aumento considerável da classe média transformaram os hábitos dos consumidores brasileiros, que estão mais esnobes e também mais endividados. Agora, apesar de lançarem mão de recursos até então pouco comuns no Brasil, como pechinchar preços e exigir descontos, e de apelarem para qualquer tipo de promoção, os novos consumidores não se furtam a pagar mais por produtos de marca que representam status, como carros, perfumes, cosméticos e roupas de grife.

Essa nova percepção do consumidor brasileiro é constatada na pesquisa Hábitos de Gastos do Consumidor, realizada pelas empresas de pesquisade opinião Mintel e Ipsos Observer Brazil, com 1,5 mil entrevistados nas 10 maiores cidades do país. O levantamento apurou, entre outras coisas, que quase oito (75%) em cada 10 brasileiros concordam que comprar marcas conhecidas os faz sentir bem sobre si mesmos e que mais de sete em cada 10 (72%) estão de acordo com o fato de que preço é um bom indicador de qualidade, no sentido de que produtos e serviços mais caros tendem a ser melhores do que os baratos.

Na avaliação da analista de pesquisas da Mintel, Sheila Salina, a classe média em ascensão quer mostrar prestígio. “Na hora de ir ao supermercado, ainda prevalece a ideia de economizar, aproveitar as promoções e comprar barato, e isso é ainda mais evidente entre os homens, que não têm apego a marcas de alimentos ou produtos de limpeza e higiene, como as mulheres. Mas quando o assunto é se expor entre amigos ou colegas de trabalho, aí é diferente. Nem as mulheres nem os homens, e muito menos os jovens, se importam de pagar mais por uma roupa de grife, um carro novo ou um celular de última geração”, conta a especialista.

Como marcas renomadas no Brasil costumam ter posicionamento premium e, por consequência, preços mais altos, são associadas à qualidade e à sensação de exclusividade, fatores de alta relevância para os brasileiros na decisão de compra, segundo a pesquisa da Mintel. “Especialmente para aqueles da classe média, que, nos últimos anos, conseguiram ter acesso a produtos e serviços antes voltados apenas para o público de alta renda”, diz Sheila Salina.

Especialista em unhas de gel e com uma carteira de clientes que ela atende em domicílio, a manicure Jaqueline Barbosa, 32 anos, não tem pressa para comprar. Ela aguarda o produto que deseja entrar em promoção para pagar menos. No último ano, a manicure comprou TV, notebook, som, DVD, videogame e um liquidificador. “Todos de marca boa, Philips, Toshiba, Walita”, enumera. Segundo ela, não vale a pena economizar com itens baratos, mas esperar as ofertas. “Já tive experiência com produtos de marcas baratas. Duram muito pouco”, explica. Na tarde da última sexta-feira, Jaqueline negociava uma TV na Rua Curitiba, no Centro da capital. A TV havia sido anunciada por R$ 1.399. “Quero pagar o preço da oferta, mas dividido no cartão”, afirmou.

Uma boa referência do quanto status de marca é importante para os brasileiros é a comparação  da pesquisa da Mintel com o estudo do Reino Unido The Savvy Shoper. Apenas 31% dos entrevistados daquele país concordaram com a ideia de que marcas conhecidas os fazem se sentir bem. No Brasil o índice é mais do que o dobro, porém os percentuais variam conforme a classe social. Enquanto 65% das pessoas da classe A e B concordam que preço é indicador de qualidade, 75% das pessoas de classe média pensam dessa forma. “Os jovens são os mais propensos a comprar um produto independentemente do preço, só por causa da marca. Não raro, deixam de comprar outras mercadorias para poder pagar pelo que querem”, destaca Sheila.

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