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Estado de Minas

Mercado forçará sistema político a ajuste, diz Credit Suisse


postado em 30/08/2013 19:13 / atualizado em 30/08/2013 20:09

O mercado forçará o sistema político a fazer os ajustes necessários no Brasil, na opinião do diretor da Credit Suisse Hedging-Griffo Asset Management, Luis Stuhlberger. "Para o governo, a Avenida Faria Lima e os estrangeiros pensam de uma maneira negativa e contaminam os empresários, mas as classes menos favorecidas continuam consumindo e crescendo. A gente vai viver nessa dinâmica por um longo espaço de tempo até se resolver", afirmou, durante palestra no 6.º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, organizado pela BM&FBovespa, em Campos do Jordão, no Vale do Paraíba (SP).

De acordo com Stuhlberger, o governo sabe o ajuste que tem de ser feito e, por isso, a questão central é, com o conhecimento do ajuste que tem de fazer, por que não faz? Os ajustes que precisam ser feitos no Brasil dependem, segundo ele, de três fatores: a primeira questão é competência, ter um time bom; a segunda é o fato de o País ter um presidencialismo de coalizão, que torna a resolução das questões atuais mais difícil. "A terceira e mais importante questão é o fato de ajuste ser sempre uma coisa não popular. Não é popular fazer ajuste para se ter algo melhor no futuro. Aí, o governo não faz por medo de perder eleição e a gente fica nesse ciclo vicioso", avaliou.


Sobre o câmbio, Stuhlberger disse que a moeda dos Estados Unidos cotada a R$ 2,40 está em patamar adequado e que o surpreendente no comportamento recente dó dólar o fato de ter permanecido em R$ 1,80 por tanto tempo. "Os livros de comportamento econômico chamam isso de viés de ancoragem, quando os players acreditam numa realidade a tal ponto que é preciso que haja catalisadores para movê-los e, quando aparecem, o efeito seguinte é um movimento drástico e especulativo", afirmou.

O diretor da Credit Suisse Hedging-Griffo Asset Management disse que, se o dólar fosse trazido de 2000 para os dias de hoje, considerando-se, simplesmente, a inflação brasileira descontada da dos EUA, o câmbio estaria em R$ 3,20. "Mas não acho que essa seja a realidade. O que interessa é olhar a conta-corrente, as necessidades de financiamento e o crescimento, que nesse caso favorecerão o Brasil. Portanto, considero R$ 2,40 adequado", afirmou.


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