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Estado de Minas TRANSTORNOS COM CORTE DE CLÍNICA

Unimed deixa clínica que atende crianças especiais

Unimed-BH descredencia empresa de fisioterapia e deixa em situação complicada mães de 120 crianças com paralisias e síndromes. Operadora alega discordâncias contratuais


postado em 04/05/2013 06:00 / atualizado em 04/05/2013 07:42

Marina Ferraz Venturini, mãe de Felipe, não quer abrir mão da Fisior e pede respostas para a operadora(foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
Marina Ferraz Venturini, mãe de Felipe, não quer abrir mão da Fisior e pede respostas para a operadora (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
 

 Um impasse entre a Unimed-BH e a clínica de fisioterapia Fisior, que resultou no descredenciamento da empresa, pegou de surpresa funcionários e pacientes. Das 1 mil pessoas atendidas diariamente nas unidades da Fisior, metade é formada por conveniados da Unimed. A situação mais grave é dos 120 pacientes pediátricos, que fazem tratamento especializado na clínica, entre eles crianças com paralisia cerebral, síndrome de Down e atraso do desenvolvimento neuropsicomotor. De acordo com a Diretoria da Fisior, o descredenciamento foi motivado por uma ação judicial movida no início do ano contra a operadora, que estaria devendo cerca de R$ 300 mil referentes ao pagamento de sessões e procedimentos realizados nos últimos cinco anos. Já a Unimed-BH afirma que a decisão foi tomada por discordâncias contratuais.

 Segundo Isidro Alvarez, proprietário da clínica e diretor-executivo do Sindicato das Empresas Prestadoras de Serviço em Fisioterapia e Terapia Ocupacional de Minas Gerais (Semprefito-MG), a desvalorização dos serviços de fisioterapia pelos planos de saúde é exemplificada pelos baixos valores repassados por consultas e procedimentos – no caso da Unimed, de cerca de R$ 8 a R$ 14. “O principal problema são as glosas, ou seja, os pagamentos com atraso desses serviços, que são autorizados e, posteriormente, passam por uma auditoria. Isso deveria demorar no máximo 60 dias. Porém, recebemos estornos até um ano depois, o que é ilegal. A situação ficou tão insustentável que entramos na Justiça”, afirma.

 Em março, a Unimed tentou negociar com a Fisior, mas, de acordo com Alvarez, propôs valores inferiores aos que são praticados no mercado. “Não aceitei e não retirei o processo. Em 24 de abril, recebi a notificação do descredenciamento, que passa a valer 30 dias depois, mas eles já não autorizam procedimentos na clínica. Enviamos uma contranotificação, e ainda não tivemos retorno.”

 Segundo Alvarez, além da questão financeira, há a preocupação com os pacientes infantis conveniados, já que são necessários meses para que os profissionais envolvidos no tratamento ganhem a confiança da criança. A adaptação a uma nova clínica, portanto, atrapalharia muito o acompanhamento. “Além disso, não há estrutura parecida com a oferecida pela Fisior em outros lugares. O Hospital São Camilo, por exemplo, tem esse serviço especializado, mas já tem crianças saindo pelo ladrão.”

 Em nota, a Unimed-BH não comentou a ação judicial movida pela Fisior e afirmou que, “depois de exaustivas negociações, não houve concordância contratual entre as partes”, por isso a clínica não vai mais integrar a rede credenciada. Ainda segundo a nota, “a Unimed-BH está em contato com os seus clientes atendidos na clínica e assegura a todos a continuidade do seu tratamento, com a indicação de outras unidades da rede com o mesmo nível de qualidade e capacidade de atendimento. A rede credenciada da Unimed-BH conta hoje com cerca de 75 clínicas de fisioterapia, em Belo Horizonte e na região metropolitana.”

 Protestos

 As mães dos pacientes infantis conveniados estão realizando dois abaixo-assinados para serem entregues ao setor jurídico da Unimed e ao Ministério Público, ao qual pretendem solicitar uma audiência. A dona de casa Marina Ferraz Venturi – mãe de Felipe, de 1 ano e 11 meses, que tem síndrome de Down – tem tentado obter respostas da operadora. “Como consumidora acredito ter o direito de saber os motivos do descredenciamento. Além disso, tenho questionado a qualidade dos outros locais que eles estão oferecendo para o atendimento.”

 Marina está pensando em alternativas, porque não quer abrir mão da clínica. “Não posso pedir a portabilidade do plano porque é empresarial e contratar um novo agora seria submetê-lo à carência para cirurgias e procedimentos mais complexos. Outra saída seria pagar particular, mas seria um gasto de quase R$ 1 mil, além dos custos com fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional.”

 Outro paciente afetado é João Gabriel, de 6 anos, que tem paralisia como sequela de complicações no parto. Ele faz tratamento fisioterápico desde os seis meses, quando foi adotado pela enfermeira Mariana França. Até chegar à Fisior, há mais de quatro anos, eles passaram por várias outras clínicas. “Eu até me mudei do Bairro Grajaú para o Barro Preto, para poder ficar mais perto da clínica. Não sei como vai ser daqui para a frente, ainda mais que não tenho como ficar me deslocando com o João Gabriel. Fiquei sem opções porque já passei por outras clínicas da região e não gostei do atendimento.”

 

 


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