São Paulo, 04 - O diretor da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), Yoshiaki Nakano, afirmou nesta quinta-feira que a indústria do Brasil "tem um trio mortal: câmbio apreciado, juros e impostos altos". De acordo com Nakano, a situação do setor manufatureiro do País é delicada, especialmente o "coração", que é o segmento de bens de capital. "A situação da indústria é preocupante e o futuro do País está vinculado ao seu desenvolvimento", afirmou, ao participar de evento promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), na capital paulista.
Nakano avaliou que, para que o País saia da encruzilhada do baixo crescimento e alta inflação, é preciso que os investimentos como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) subam dos atuais 18% para uma marca ao redor de 25%. "Isso será alcançado quando tivermos impostos menores e gastos correntes bem inferiores aos atuais, o que dará condições para a ampliação substancial do investimento público, que acabará puxando o privado. Além disso, o câmbio precisará ser menos apreciado para estimular a produção industrial interna e ampliar as exportações."
