O tombo de 2,5% que a produção da indústria brasileira levou em fevereiro, frente a janeiro, representou a maior queda desde o freio de 12,2% imposto ao ritmo das fábricas em dezembro de 2008, portanto logo depois do estouro da crise financeira mundial. De acordo com levantamento divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de intensa, a redução se espalhou por 15 das 27 atividades acompanhadas pela pesquisa, resultado que superou as expectativas dos analistas econômicos. Na comparação com fevereiro do ano passado, o recuo foi de 3,2%, e nos últimos 12 meses houve retração de 1,9%.
Outros quatro ramos da indústria contribuíram, particularmente, para o resultado negativo: farmacêutico, com retração de 10,8%; refino de petróleo e álcool,- 5,8%; bebidas, -5,2%; e alimentos, -1,3%. A única luz no fim do túnel observada sobre os números do IBGE foi o comportamento favorável da produção de bens de capital, que cresceu 1,6% em relação a janeiro, 9,1% na comparação com o mesmo mês de 2012 e 13,3% no bimestre. Por trás dos percentuais está o desempenho das indústrias de máquinas e equipamentos, aparelhos elétricos e eletrônicos e máquinas rodoviários, segmentos que funcionam como termômetro da intenção de investimentos no setor produtivo da economia.
Para o gerente de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Guilherme Veloso Leão, o crescimento da produção de bens de capital é positivo porque indica a recuperação dos investimentos nos próximos meses. “O resultado mostrado pelo IBGE não surpreendeu diante de uma situação de volatilidade que a indústria vem enfrentando e que prejudica o planejamento das empresas”, afirma. O IBGE divulga nesta sexta-feira os dados regionais da produção física da indústria. Minas deverá sofrer mais, tendo em vista o peso na economia local dos segmentos automotivo, de refino de petróleo, alimentos, metalurgia e extração mineral, todos com queda na produção no Brasil.
Retomada em março
Segundo Guilherme Leão, o levantamento mensal de indicadores do setor feito pela Fiemg, com divulgação prevista para 10 de abril, também indica redução da produção em fevereiro. Os números de março já devem ser melhores, nas previsões de Felipe Queiroz, analista da agência classificadora de risco Austin Rating. “Acreditamos que este ano será um período de retomada de investimentos”, afirma Queiroz.
