
Rafael é o exemplo do jovem empreendedor brasileiro. Alia ousadia, planejamento e intuição para construir o que considera um bom negócio – “gosto do meu emprego, é cômodo, mas limitado. Quero aproveitar que o mercado está crescendo e crescer junto”, diz. Assim como ele, 12,8% das pessoas com idade entre 18 e 24 anos estão empreendendo no país. Esse percentual, em 2002, era de 10%. Teve um pico no ano passado, quando chegou a 17,4%, de acordo com a Taxa de Empreendedorismo em Estágio Inicial (TEA), pesquisa comandada pela Global Entrepreneurship (GEM). A queda, de acordo com técnicos que elaboram o levantamento, deve-se ao alto nível de empregabilidade. Muitos acabam adiando o projeto de abrir uma empresa porque estão bem empregados.
Antes de se aventurar pelo mercado, Rafael procurou se capacitar. Pratica hipismo desde os 11 anos. O amor aos cavalos levou-o a fazer o curso superior de ciências equinas, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba. De lá, partiu para a Inglaterra e Bélgica para “aprender a lidar com cavalos esportivos top de linha”, afirma. Na Bélgica, trabalhou com François Mathy, bicampeão olímpico e maior comerciante de cavalos daquele país. De volta ao Brasil, casou, teve uma filha e tratou de colocar em prática o que aprendeu ao longo dos anos.
Oportunidade Segundo Mirela Malvestiti, gerente de Capacitação de Empreendedores do Sebrae, Rafael está no caminho certo. “O melhor é que os jovens empreendedores apostem nas áreas que conhecem e onde enxergam oportunidades.” E elas estão batendo à porta. De acordo com Rafael, a crise na Europa facilita a aquisição de bons cavalos, porque o preço caiu. “É ruim para quem quer vender, porque lá é o melhor mercado, mas para quem quer formar plantel este é o momento”, avalia. Ele diz, também, que no Brasil as pessoas estão comprando cavalos caros, especiais para disputas esportivas, o que torna viável seu empreendimento.
Jovens como Rafael estarão no comando do país em um futuro não muito distante. São eles que azeitarão as molas propulsoras da economia. Uma delas, a criação de empregos, já é acionada por 468 mil empresários de 18 a 24 anos, segundo dados de 2009 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os que abriram negócios individuais (sem empregados) somam 2,9 milhões.
Se a política econômica colaborar, poderão crescer e multiplicar vagas. Para isso é preciso também criar leis de incentivo e ampliar os cursos de capacitação. As taxas de empreendedorismo jovem, que vinham crescendo ano a ano, caíram. Empresários de 18 a 24 de idade que contrataram empregados em 2001 somavam 13% da população nessa faixa etária. Em 2009, foram 12%. As individuais tiveram queda maior, passaram de 19% para 16% no mesmo período.
