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Estado de Minas

Juro pode cair mais para segurar dólar

Com mudanças no IOF, moeda dos EUA sobe 1,23% no dia, mas Copom pode baixar Selic a 9,5% no esforço para valorizar o real


postado em 03/03/2012 06:00 / atualizado em 03/03/2012 07:09

Brasília – O mercado acredita que o Banco Central está prestes a usar sua arma mais poderosa contra o derretimento do dólar, a taxa básica de juros (Selic). Ontem, se desfez o consenso de que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana que vem, derrubará a taxa em mais 0,50 ponto percentual. As apostas migraram fortemente para um recuo de até 1 ponto percentual devido a sinalizações do governo de insatisfação com a queda da divisa norte-americana ante o real. Com isso, a taxa pode cair de 10,5% hoje para 9,5%. Ontem, a cotação da moeda norte-americana reagiu às mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado sobre empréstimos e financiamentos à exportação tomados no mercado externo. O dólar à vista terminou na máxima do dia, com avanço de 1,23%, cotado a R$ 1,7330 no balcão.

Na visão do Banco Central, está claro que o país cresce baixo do potencial há três trimestres e que a inflação acumulada em 12 meses vai cair pelo menos até julho, o que abre caminho para movimentos mais ousados na Selic, que seria assim usada como arma para conter a enxurrada de dólares que chega ao país. A dúvida, porém, é se o presidente do BC, Alexandre Tombini, terá disposição suficiente para bancar um ritmo de queda maior.

Os analistas entendem ainda que o BC vai testar o afrouxamento monetário até o seu limite. Segundo, Luís Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Arab Banking Corporation (ABC Brasil), o Banco Central acredita que a taxa neutra de juros reais, a que permite o país crescer sem descontrole de preços, é menor do que o mercado acredita. Enquanto a maioria das instituições financeiras e analistas projetam 5,5% para essa taxa, “na cabeça do BC” esse percentual estaria entre 4% e 4,5% ao ano. “O que levaria a uma taxa nominal (Selic) entre 8,5% e 9% ao ano”, calculou Leal. Ele, entretanto, mantém sua projeção de um corte de 0,50 ponto percentual no próximo encontro do Copom, mas não descarta a possibilidade de uma queda maior devido a esse cenário.

Na sexta-feira, o mercado futuro foi o termômetro para a reunião do Copom. Os contratos de juros mais negociados fecharam em baixa refletindo a expectativa de uma queda de até 1 ponto percentual na Selic na semana que vem. Para os analistas, o governo sinalizou que vai combater severamente a chamada arbitragem: operação na qual se pega empréstimo no exterior a juros praticamente nulos e aplica-se os recursos no Brasil, no caso a uma taxa de 10,5% ao ano – a diferença entre as duas taxas, fora os impostos, vai para o bolso do investidor. Com a queda da Selic, como prevê o mercado de juros futuros, essa diferença pode cair a ponto de deixar de valer a pena, o que, segundo especialistas, vai reduzir expressivamente o ingresso de capital estrangeiro no Brasil e consequentemente minimizar a queda do dólar.

Risco está na inflação

“Se o governo comprar esse cenário, vai fazer cair as projeções para os juros e aumentar as de inflação. As expectativas continuarão desancoradas”, alertou Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora. “Depois de todas as medidas que o governo soltou nos últimos dias, dá a entender que ele está nervoso e pode vir com ações ainda mais fortes”, argumentou.


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