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Estado de Minas

Japão está de olho nas empresas de menor porte em Minas

A afirmação é do ex-presidente da Usiminas, que a partir desta sexta-feira assume o cargo de cônsul honorário do país no estado


postado em 02/02/2012 06:00 / atualizado em 02/02/2012 07:33

As empresas de médio porte estão no alvo preferencial de uma nova onda de investimentos japoneses esperada para Minas Gerais. Depois do crescimento das relações comerciais do estado com os clientes nipônicos  no ano passado e do aumento dos recursos diretos aplicados pelo país asiático no Brasil ao longo de 2011, a hora agora pode ser de negócios não menos importantes, mas de dimensões um pouco menores. Diferentemente do ingresso de investidores nas décadas de 1970 e 1980 em terras mineiras, hoje o espaço para parcerias nos empreendimentos de médio porte pode ser o mais atrativo e concentrar futuros aportes. Segundo maior parceiro no comércio de Minas com o exterior, o Japão respondeu por 7,9% das exportações totais do estado no ano passado e ficou na sexta posição do ranking das importações estaduais.

Com saldo favorável a Minas, o balanço de comércio com clientes japoneses no ano passado incluiu vendas ao país avaliadas em US$ 3,280 bilhões e compras mineiras no valor de US$ 474,2 milhões. As exportações estaduais subiram 30,8% frente a 2010, ancoradas no minério de ferro, café, ferroligas, celulose, álcool etílico, carne de frango, ferrofundido, ferro-gusa e soja. Conforme levantamento do Banco Central, em 2011, o Japão foi o quarto país que mais investiu no Brasil, com uma injeção de US$ 7,536 bilhões, representando 10,8% do total do Investimento Estrangeiro Direto (IED), de US$ 69,530 bilhões. Frente aos recursos japoneses de US$ 2,502 bilhões aplicados em 2010, a cifra mais que triplicou.

Vallourec Sumitomo: exemplo recente de investimentos de menor porte com participação japonesa no estado(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Vallourec Sumitomo: exemplo recente de investimentos de menor porte com participação japonesa no estado (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
A vez, agora, pode ser das médias empresas, para o novo cônsul honorário do Japão em Minas Gerais, Wilson Brumer, ex-presidente da Usiminas, que assume o cargo nesta sexta-feira, em substituição a outro ex-presidente do grupo siderúrgico, Rinaldo Campos Soares, morto em 2011. “Tem crescido muito nos últimos anos o interesse do Japão em investir no Brasil e o perfil da economia mudou. Há um grande potencial para ser explorado nas relações entre os investidores japoneses e as médias empresas, sobretudo em Minas”, afirma Brumer.

Além do capital nipônico aplicado em grandes companhias, como Usiminas, Cenibra, Mineração Usiminas, e na siderúrgica Vallourec Sumitomo do Brasil (VSB), há dois exemplos recentes de investimentos de menor porte com participação japonesa no estado: a nova fábrica da Panasonic, prevista para ser inaugurada este ano em Extrema, no Sul de Minas, e a expansão da Toshiba, em Contagem, na Grande Belo Horizonte, que deverá ser concluída em janeiro de 2013. Brumer vai propor às principais entidades representativas das empresas sediadas no estado um trabalho conjunto para aproximar os investidores japoneses das médias empresas. “Elas conhecem pouco o Japão e as médias empresas japonesas também precisam conhecer mais o Brasil”, diz o executivo.

Estudo feito pelo Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) mostra que os investimentos do Japão têm se concentrado nas indústrias automotiva, de fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, mineração e no agronegócio. Independentemente do ramo de negócio, o mercado japonês é um dos maiores consumidores de produtos básicos e de luxo. Os japoneses, de acordo com a Fiemg, apreciam as mercadorias pela qualidade e a confiança; não só em função do preço. Brumer destaca, ainda, a tradição que as empresas japonesas têm no desenvolvimento de tecnologia e na produtividade, segmentos potenciais para a formação de parcerias com médias empresas mineiras.

 

Relações em áreas diversas

 

A longa história (de mais de 50 anos) das relações entre investidores japoneses e empresas de Minas alcança as atividades culturais e sociais no estado. A Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) —órgão de governo que apoia o crescimento dos países em desenvolvimento— anunciou, no fim do ano passado, a doação de US$ 3 milhões para a compra de máquinas e melhoria do processo de produção de frutas no Projeto Jaíba, no Norte de Minas, e estimulou o assentamento de agricultores no Noroeste mineiro. Na área da saúde, a instituição japonesa capacitou a equipe do Hospital Sophia Feldman, de Belo Horizonte, por meio de um protocolo internacional de atenção ao parto.

Para discutir novos investimentos, empresários e investidores do Japão e de Minas Gerais se reúnem nesta sexta-feira durante todo o dia no Centro de Convenções Expominas. O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, participa dos debates. A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck, e o presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior, apresentam as oportunidade de investimentos no Brasil e em Minas. O evento faz parte do Primeiro Festival Minas-Japão.


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