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Estado de Minas

Sem correio e bancos, todos às lotéricas

Filas crescem nos correspondentes bancários. Tribunal Superior do Trabalho define escala mínima nos Correios


postado em 07/10/2011 06:00 / atualizado em 07/10/2011 06:27

As lotéricas faturam com o impasse nas negociações dos trabalhadores dos Correios e dos bancos com os patrões.(foto: Rodrigo Clemente/Esp. EM/D.A)
As lotéricas faturam com o impasse nas negociações dos trabalhadores dos Correios e dos bancos com os patrões. (foto: Rodrigo Clemente/Esp. EM/D.A)


As lotéricas é que faturam com o impasse nas negociações dos trabalhadores dos Correios e dos bancos com os patrões. Além da preocupação em quitar as contas essenciais do dia a dia que não chegam no prazo previsto, o consumidor ainda enfrenta dificuldades para efetuar o pagamento, já que as agências bancárias entraram no 11º dia de paralisação dos funcionários. O resultado são filas crescentes nas casas lotéricas – principais correspondentes das instituições financeiras –, que além de terem registrado aumento de 30% a 40% do fluxo de clientes na última semana recebem grande volume de apostadores, atraídos pela bolada de R$ 32 milhões da Mega Sena. O sorteio será amanhã.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Oreste Dalazen, determinou no começo da noite dessa quinta-feira que 40% dos funcionários de cada unidade dos Correios voltem ao trabalho hoje. Se a decisão não for cumprida, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) terá de pagar R$ 50 mil por dia a título de multa. Haverá audiência pública de conciliação no tribunal na manhã de hoje.

Os serviços interrompidos nas agências dos Correios e nos bancos não livra os consumidores de pagar as contas no vencimento, caso contrário eles ficam sujeitos à multa e juros. Para evitar a penalidade, o recepcionista Renato Coelho Ribeiro precisou retirar uma segunda via pela internet das contas de água, luz e telefone. “Eu esperei, mas como elas não chegaram, acabei me precavendo para não correr o risco de pagar multa”, afirma.

Atitudes precavidas como a de Renato explicam o aumento do fluxo de clientes nas casas lotéricas em diversos bairros da capital mineira. Na Mangabeiras Loterias, o gerente Sérgio Ricardo da Silva calcula que o movimento tenha crescido cerca de 40% desde o início da paralisação. “Aumentou também a procura por saques, já que os caixas eletrônicos estão ficando desabastecidos”, explica.

Para correntistas da Caixa Econômica Federal (CEF), as retiradas podem ser de até R$ 1 mil ao dia e ainda é possível fazer depósitos e conferir o saldo da conta corrente. Clientes do Banco do Brasil têm acesso a saques de até R$ 500 e saldo, embora não possam realizar depósitos. Nos bancos, 43,6% das agências no Brasil estão de portas fechadas, o equivalente a 8,758 mil das cerca de 20 mil unidades. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) esta já é a maior greve em 20 anos, superando a de 2010, quando 8.278 agências paralisaram as atividades em todo o país.

O mesmo acontece com a greve dos Correios – que completa 23 dias hoje – a maior na história da estatal. Não houve avanços nas negociações, depois de os trabalhadores terem rejeitado por unanimidade o acordo entre a empresa e a federação da categoria no início da semana. Segundo a estatal, 23 mil trabalhadores aderiram à paralisação, o equivalente a 20% do quadro total. De acordo com os sindicatos da categoria, a adesão alcança 70% no Brasil.

 


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