
Conforme levantamento feito pelo Estado de Minas junto a três das maiores agências de recrutamento de mão de obra em Minas Gerais – Grupo Selpe Recursos Humanos, Sistema Nacional de Emprego (Sine-MG) e Michael Page International –, para tentar preencher uma dezena das vagas mais demandadas e que correm atrás de candidatos, os salários oferecidos podem alcançar R$ 12 mil por mês nas áreas operacionais e superar os R$ 16 mil mensais nos níveis de gerência. A despeito do nervosismo que contaminou o mercado financeiro ante a crise envolvendo o déficit fiscal do governo norte-americano e que resultou em previsões mais baixas de crescimento da economia mundial e do Brasil neste ano, a oferta de empregos se manteve acelerada entre janeiro e junho, na prática, voltando ao cenário anterior à turbulência mundial de 2008, avalia o diretor comercial do grupo Selpe, Hegel Botinha.
“Há casos em que nem vale o esforço de prestar o serviço de recrutamento do profissional se a empresa não estiver disposta a flexibilizar no perfil da vaga e na remuneração. Vivemos um primeiro semestre mais aquecido do que o de 2010 e os próximos meses vinham dando bons sinais. Com a crise lá fora, os principais setores deverão continuar ativos, mas não na mesma intensidade”, afirma.
A Michael Page, especializada na colocação de profissionais em níveis de média e alta gerência, com salários entre R$ 7 mil e R$ 30 mil, constatou aumento de 75% do volume de contratações no Brasil de janeiro a junho frente a idêntico período do ano passado, informa o diretor executivo da empresa, Marcelo De Lucca. “O índice de crescimento é reflexo do bom momento vivido pela economia, que faz com que as empresas invistam em contratações”, diz. Em Minas Gerais, os profissionais mais procurados no primeiro semestre, conforme levantamento da Michael Page, são os gerentes de produção, com rendimento de R$ 10 mil, e os de engenharia e obras, cuja remuneração alcança R$ 16 mil.
A trajetória profissional de Bruno Cruz, coordenador de produção da Coca-Cola Femsa em Belo Horizonte, mostra esse bom momento para quem tem qualificação na indústria. Antes mesmo de concluir a graduação em engenharia de alimentos, Bruno se empregou no setor e continua investindo na formação. Já trabalhou no Supermercado Verdemar, em unidades da Sadia e da Ambev. “Fui buscado pelas empresas”, afirma. Para ele, é preciso se qualificar para atender as necessidades do empregador.
Recompensa
Diante da dificuldade de contratar gente especializada para seu programa de expansão da fábrica de Contagem, na Grande Belo Horizonte, a Forno de Minas Alimentos decidiu premiar com R$ 100 cada empregado que indicar um candidato à vaga de operador das linhas de produção. Isso desde que, claro, ele seja selecionado e aceite o novo emprego. A empresa tem sete vagas para operadores de produção em aberto.
A demanda das empresas que procuram o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Minas (Senai-MG) se traduz em contratações praticamente imediatas dos alunos formados pelas escolas da instituição nas áreas de mecânica de automóveis e operação de máquinas, por exemplo, segundo Edmar Alcântara, gerente de Educação Profissional do Senai. “As empresas acabam elevando os salários para conseguir contratar. Há casos em que a falta de mão de obra se deve à resistência dos jovens mais escolarizados em desempenhar funções repetitivas e mais braçais na indústria”, afirma.
Atento à grande oferta de vagas no setor, Wesley Silvestre dos Santos, de 18 anos, pertence à ala dos estudantes que decidiram agarrar a oportunidade na sala de aula da área de usinagem da Escola Euvaldo Loodi, do Senai-MG, em Contagem, na Grande BH, mas está certo de que não vai parar de estudar, conta. “O mais importante é que, além de aprender a teoria, saio daqui com a prática no comando das máquinas”, diz Wesley Santos.
