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Estado de Minas

Governo prepara pacote para habitação


postado em 22/10/2008 06:38 / atualizado em 08/01/2010 04:09

Prédios em construção em zona nobre de Belo Horizonte não afastam ameaças de desaquecimento que rondam o setor(foto: Jackson Romanelli/EM/D. A Press 2/7/08)
Prédios em construção em zona nobre de Belo Horizonte não afastam ameaças de desaquecimento que rondam o setor (foto: Jackson Romanelli/EM/D. A Press 2/7/08)

A alegria durou pouco. O mercado imobiliário brasileiro, que vivia em 2008 o ano dourado de expansão, foi obrigado a pedir socorro ao governo para salvar as construtoras da crise. E vai ser atendido. O governo deve anunciar nesta quarta-feira um pacote bilionário, com verbas de R$ 2,5 a R$ 4 bilhões, para financiar as empresas do setor. A previsão é que o pacote seja detalhado pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, durante o 80º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), em São Luís, no Maranhão. Na terça-feira, em depoimento na Câmara dos Deputados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo poderá criar uma linha de financiamento a partir do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o que exigiria mudanças na legislação. “Poderemos precisar da ajuda dos senhores”, frisou.

Os empresários do setor pediram ao governo recursos para que sejam aplicados na conclusão de empreendimentos imobiliários, compra de ativos das construtoras, linha de crédito para descontar os recebíveis e processos de fusão e incorporação dos empreendimentos imobiliários. O pacote de medidas vai envolver o BNDES e a Caixa Econômica Federal. A Caixa vai lançar linha de crédito especial para o capital de giro e o BNDES participará do capital de empresas com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo. O papel do BNDES vai ser o de fortalecer as empresas para a transição entre a crise e a normalidade de mercado, evitando quebradeira no setor. O objetivo emergencial é assegurar a conclusão de projetos previstos para 2009.

O governo precisa apenas bater o martelo em relação ao valor do pacote. As medidas aguardam a aprovação dos ministérios do Planejamento e da Fazenda e o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa é que o sinal verde seja liberado nesta quarta-feira, para que as medidas sejam anunciadas à noite no encontro em São Luís. “A crise financeira pode interromper o nosso ciclo de crescimento de forma muito bruta. As medidas são para ajudar a reduzir o impacto da turbulência”, afirma Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

A estimativa da entidade é que o setor cresça em torno de 8,5% este ano em relação a 2007. São os números de 2009 que vão ficar comprometidos, segundo Simão. “Para o próximo ano, estávamos prevendo o mesmo crescimento, em torno de 8,5%. Queremos evitar queda grande nesse desempenho”, observa. As construtoras que estavam com planos de lançar quatro ou cinco empreendimentos em 2009, diz, agora, planejam dois ou três. “As medidas são preventivas. Estamos negociando com a ministra Dilma Rousseff há mais de 30 dias”, afirma o presidente da Cbic.

O crédito para as construtoras em meio à turbulência econômica é necessário, segundo Teodomiro Diniz Camargos, vice-presidente da Câmara da Construção da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). “Os recursos da bolsa acabaram e, no crédito imobiliário para o consumidor, muitos bancos começaram a aumentar a taxa de juros. Com a verba, o governo reduz espaço para outros bancos subirem suas taxas”, observa.

O momento é de expectativas, segundo Ricardo Catão Ribeiro, vice-presidente de políticas, relações trabalhistas e de recursos humanos do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG). “Ainda é cedo para falar dos efeitos da crise para o setor. A estimativa de lançamentos em série foi quebrada, mas vamos aguardar. De qualquer forma, a ajuda do governo é bem-vinda”, observa.


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