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Estado de Minas

Música black anima o fim de semana em Belo Horizonte

BNegão e Refinaria se apresentam na casa de shows A Autêntica, enquanto o rapper Matéria Prima lança disco no espaço A Central


postado em 20/09/2019 04:00 / atualizado em 18/09/2019 16:03

 
(foto: Leco de Souza/divulgação)
(foto: Leco de Souza/divulgação)
Black is beautiful

Ritmos negros estarão na pista em BH, com shows de Refinaria, BNegão e Matéria Prima

BH terá um fim de semana com o melhor da black music. No sábado, a banda mineira Refinaria e o rapper BNegão se apresentarão na casa de shows A Autêntica, com repertório que vai do funk e do soul aos ritmos negros da música popular brasileira. Marku Ribas, uma das vozes mais potentes desse cenário, ganhará homenagem. No espaço A Central, o rapper, cantor e compositor Matéria Prima lançará o disco Rascunhos de um momento conturbado, que dialoga com os impasses do Brasil contemporâneo.

O grupo instrumental mineiro Refinaria Black vai receber um convidado especial: BNegão, mestre do rap-funk-soul brasuca. Letrista e vocalista da banda Planet Hemp, ele vai interpretar três canções autorais e três músicas de Marku Ribas (1947-2013), uma de suas maiores influências. O show será no sábado (21), na Autêntica.

Recentemente, BNegão e Refinaria Black dividiram o palco em Barbacena, durante o Loucomotiva. “Foi um festival de jazz e blues bem responsa. A gente tocou duas do Marku e duas minhas. Marku me influenciou em várias coisas”, conta o carioca, citando a atitude e “a voz maravilhosa e privilegiada” do artista mineiro, considerado uma das expressões mais potentes da música negra brasileira. 

“Tenho o Marku como um dos meus professores de canto”, diz BNegão. “Tento usar o meu todo, tudo o que tenho, para chegar minimamente perto dele. Isso me faz muito bem, pois acaba sendo uma aula mesmo. Aliás, sempre foi uma aula estar junto dele. Cantar as músicas do Marku é como se fosse um teste, daqueles mais difíceis, mas é sempre muito prazeroso. Pra mim, Marku é inteiramente vida”, garante.

BNegão conta que está trabalhando muito. “Estou sempre fazendo um monte de coisas. Acabei de participar de Planeta fome, disco novo da Elza Soares. Na segunda-feira, devo gravar com Odair José, outro mestre, e venho fazendo umas músicas solo. Além disso, estamos preparando a nossa turnê final com o Seletor de Frequência, pois vamos encerrar as atividades em 2020. Devemos passar por Belo Horizonte, entre outras cidades mineiras. Este ano, o Seletores lançará um disco instrumental e o Planet também deve lançar um single em março”, diz.

RELEITURAS

Anfitriã de BNegão, Refinaria Black faz releituras de Stevie Wonder, Rick James, Sandra de Sá, Ohio Players e The O’Jays, entre outros craques. O DJ Flávio Machado promete um show pra cima: “Neste nosso novo repertório, misturamos black music e hip-hop com sucessos nacionais e internacionais.”

Refinaria é um grupo de peso, diz o DJ. “Os integrantes têm trabalhos paralelos e já tocaram com outros músicos. A banda está muito entrosada, com instrumentistas de referência. Nosso projeto é divulgar a black music”, observa. “A música de hoje mudou bastante, muitos da nova geração não ouviram o que fez a nossa cabeça”, comenta, referindo-se a Sandra de Sá e Steve Wonder, entre outros.

Formado por Barral Lima (baixo), Pedro Crivellari (bateria), Egler Bruno (guitarra), Danilo Mendonça (trombone), Marcos Lima (trompete), Breno Mendonça (sax), Preto C (beatmaker) e Flávio Machado (picapes), Refinaria está fazendo turnê por várias cidades mineiras.

Depois do show de Refinaria e BNegão, o cantor e compositor Nobat vai discotecar, apresentando sua pesquisa que abrange soul, funk e música brasileira.

REFINARIA BLACK E BNEGÃO
Sábado (21), às 22h. A Autêntica. Rua Alagoas, 1.172, Savassi, (31) 3654-9251. Ingressos: R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia). À venda na bilheteria e no site Sympla

Rap sem fronteiras

Refinaria Black mescla soul, funk, rap e música brasileira(foto: Samuel Souza/divulgação)
Refinaria Black mescla soul, funk, rap e música brasileira (foto: Samuel Souza/divulgação)
O mineiro Matéria Prima está entre os pioneiros do rap nacional. Na década de 2000, ele fez parte do aclamado coletivo Quinto Andar ao lado de Marechal, De Leve e Kamau. De lá pra cá, Thiago Augusto lançou cinco discos, integrou a banda Zimun e chamou a atenção com sua lírica particular e criativa.

No sábado (21), ele abre em BH a turnê nacional do disco Rascunhos de um momento conturbado, parceria com o DJ Lotek. No dia 26, faz show no Centro de Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). A tour conta com o apoio do edital 2019 da Natura Musical.

“Basicamente, o show reúne meu outro álbum, 2 atos, as canções do novo disco e outras mais antigas”, conta Matéria. Em suas letras, o rapper descreve o cotidiano a partir de uma subjetividade que ora apresenta a beleza de sua trajetória, ora aponta suas mazelas.

Trata-se do apanhado de uma série de sentimentos, observa ele. “Quando estou pensando alguma coisa, acabo registrando aquilo. Mas, de repente, já estou pensando em outra coisa. Tudo muda todo o tempo, e a gente está aí buscando a evolução, melhorar, pensar diferentemente do que pensava antes.”

Matéria Prima se destacou no rap, mas sua música não tem fronteiras. De acordo com ele, é difícil defini-la. “Minha música passa por um monte de contestações. Passo pelo social, pelo amor, diversão, indignação, olhar cotidiano. Enfim, por um monte de coisas”, afirma.

(foto: Pablo Bernardo/divulgação )
(foto: Pablo Bernardo/divulgação )

''Acredito que a criação é uma saída para toda essa crise que gera em nós ansiedade e rompantes de indignação''

Matéria Prima, cantor e compositor

LIBERDADE

Aliás, o nome artístico Matéria Prima já define bem essa opção. “Ele me dá a liberdade de fazer o que quiser, pois matéria-prima é a base. Posso assumir várias formas. Enquanto cantor, posso assumir uma forma melódica, de escritor, de rapper. Posso ser várias coisas, pois tenho uma base para todas elas”, afirma.

O novo disco de Matéria dialoga com o Brasil contemporâneo. “Diante de todo esse absurdo que a gente tem vivido aqui, acabei desenvolvendo o senso de urgência de criar, pois acredito que a criação é uma saída para toda essa crise que gera em nós ansiedade e rompantes de indignação. A música tem se tornado um remédio. Então, adotei isso como uma forma de manter minha sanidade”, conclui o compositor. 

BIOGRAFIA E POCKET SHOW
Referência do rap brasileiro, Speed Freaks (1973-2010) fez história ao lado de Black Alien e da banda Planet Hemp, da qual participa BNegão. Sábado (21), às 21h, a biografia dele, escrita por Pedro de Luna e Rafael Porto, será lançada no espaço Dejavu SVS – Chopperia e Tabacaria (Rua Sergipe, 1.395, Savassi). Amigo de Speed, o MC mineiro Dusares, organizador do evento, vai fazer pocket show. Pedro de Luna conversará com o público sobre Eu sou assim Eu sou Speed (Ilustre Editora), em bate-papo mediado pelo rapper Roger Deff. O livro custa R$ 40. Informações: (31) 99809-5044.

REFINARIA BLACK E BNEGÃO
Sábado (21), às 22h. A Autêntica. Rua Alagoas, 1.172, Savassi, (31) 3654-9251. Ingressos: R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia). À venda na bilheteria e no site Sympla



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