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Estado de Minas

Rua com mais bares em BH? Conheça a Mármore, no Santa Tereza

Botecos apostam na política da boa vizinhança e oferecem animada 'via-sacra' ao público


postado em 13/12/2019 04:00 / atualizado em 11/12/2019 15:11

Leandro Morais comanda o Santa Maloca, opção para quem quiser estender a noite(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Leandro Morais comanda o Santa Maloca, opção para quem quiser estender a noite (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Não é segredo: na “capital dos botecos”, Santa Tereza é um dos principais redutos da celebrada boemia mineira. Porém, uma das ruas do bairro se destaca pela concentração de bares. Ao longo de 900 metros, a Mármore é o endereço de pelo menos 16 deles. Além da variedade de opções para o público, que pode passar o dia e depois varar a madrugada de porta em porta, por ali o antigo e o novo se encontram.

À esquerda de quem desce rumo à Praça Duque de Caxias está o Butiquim do Walter. Se for um fim de tarde de sábado, a roda de samba, que começa às 17h, certamente estará animada, estendendo-se para a calçada. Administrada por Daniel Leite Cerqueira, a casa guarda uma história curiosa. Inaugurado em 1962 como Bar do Walter pelo proprietário, que assim se chamava, ele já funcionou em outros pontos da rua antes de se fixar no atual endereço. Há dois anos, Daniel, que mora ao lado, resolveu assumir o empreendimento. E nem cogitou alterar o nome original.

“Coincidentemente, meu pai se chama Walter e meu irmão Walter Júnior. Então ficou assim, mudando apenas para Butiquim. Nossa ideia é manter o público tradicional e, ao mesmo tempo, trazer algo novo”, diz. O carro-chefe são as marcas de cerveja nacionais populares e clássicos da botecagem mineira, como a porção de torresmo de barriga (R$ 24) e a almôndega recheada com queijo (R$ 10 a unidade). Tudo devidamente harmonizado com o samba.

CHORO 

A calçada animada do Butiquim do Walter, fundado em 1962(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
A calçada animada do Butiquim do Walter, fundado em 1962 (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Mesmo com espaço interno diminuto, o bar recebe três eventos musicais por semana. Terça-feira é o dia do chorinho, com o grupo Choro da Mercearia. Às quintas e sábados, tem samba, com grupos convidados. Sempre animados, os eventos não passam das 22h30, garante Daniel.

“Prezo muito a vizinhança, até porque também sou morador da rua. Temos muitos bares, mas é uma região residencial, com muitas pessoas mais velhas”, afirma ele, que leva a política da boa vizinhança ao pé da letra também com outros estabelecimentos.

Alguns metros abaixo, na esquina da Mármore com a Praça Duque de Caxias, fica um dos caçulas da rua, que já se tornou point badalado. O Santa Maloca se estabeleceu há menos de um ano no casarão erguido em 1927, onde antes funcionava um antigo mercado. O amplo espaço permitiu ao músico Leandro Morais realizar o sonho de montar um bar dedicado à música ao vivo.

“Santa Tereza é um bairro musical, como é a Lapa carioca. As pessoas passam, veem a roda de samba e entram. A ideia era fazer algo parecido”, explica.

O samba ganha destaque às sextas, aos domingos e até na segunda-feira, dia do Bloco dos Pescadores. Porém, a programação eclética guarda espaço para o forró, às terças, além de MPB, reggae e jazz, nas quintas e sábados.

A casa não cobra entrada, apenas couvert artístico opcional. “Nossa ideologia é democratizar a música”, diz Leandro, que administra o bar com os sócios Gustavo Camargo e Thiago Guedes. Para a freguesia acompanhar o ritmo, o foco são os chopes artesanais de marcas mineiras (a partir de R$ 5; 300ml) e petiscos em porções individuais – batata rústica, pastel de angu ou costelinha com molho de goiabada; R$ 25, em média. Tudo pode ser adquirido no balcão.

Santa Maloca virou o destino de quem está em outros bares da Mármore e deseja estender a noite. “No começo, foi difícil, mas investimos na acústica. Nossa programação musical não rouba a cena de ninguém. Pelo contrário, muitas casas fecham às 22h e o pessoal vem para cá. Temos uma relação muito boa com os outros bares”, diz Leandro. “Nossos bares se complementam. Meus eventos não passam das 22h30, então muita gente se reúne e desce para o Santa Maloca, pois os shows deles vão até mais tarde. Não há concorrência, é união”, concorda Daniel Leite, do Butiquim do Walter.
Nivaldo Bicalho prepara e serve a almôndega da Mercearia do Nivaldo(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Nivaldo Bicalho prepara e serve a almôndega da Mercearia do Nivaldo (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

BUTIQUIM DO WALTER
Rua Mármore, 181. De terça a domingo, das 16h à meia-noite. Informações: www.instagram.com/butiquimdowalter


SANTA MALOCA
Rua Mármore, 418. Segunda e terça, das 18h à meia-noite; quinta a sábado, das 18h à meia-noite; domingo, das 13h à meia-noite. Informações: www.instagram.com/santamaloca

Desce a saideira!

A conexão boêmia se estende por vários quarteirões da Mármore. “Quando o Santa Maloca fecha, por volta de meia-noite, muita gente desce pra cá para tomar a saideira e comer uma almôndega”, conta Nivaldo Benedito Bicalho, dono da Mercearia do Nivaldo, que compartilha a calçada com o bar Santa Boemia e com a igreja de Santa Tereza.
Comerciante no bairro há 35 anos, Nivaldo montou sua pequena venda no local em 1999. Com o tempo – e quase por acaso –, o negócio se diversificou. Hoje, é um dos destinos gastronômicos mais procurados de Santa Tereza. “As pessoas vinham fazer compras na mercearia e acabavam bebendo uma cerveja. Comecei a fazer tira-gostos no improviso, sempre variando. Deu certo. Hoje, muita gente vem só por isso”, conta ele. A casa também comercializa produtos de limpeza, velas e outros artigos de mercearia, mas chega a vender cerca de 100 almôndegas nos dias mais agitados.

PREFERIDA

A almôndega custa R$ 10 e vem no prato como molho, queijo, batata e pão. É a preferida dos clientes, que se acomodam em banquetas na estreita calçada ou nos balcões. Outros petiscos preparados e servidos pessoalmente por Nivaldo são o bolinho de carne empanado (R$ 10), a porção de torresmo de barriga (R$ 10; 100g) e a iguaria do dia, que pode ser pé de porco ou rabada. O dono diz que “precisa de umas férias”, mas comemora o movimento. “Santa Tereza tem essa tradição de bares e nossa localização na Mármore é muito boa, perto da praça. Lá sempre tem algum evento e as pessoas acabam circulando por aqui.”
Até a esquina com a Rua Dores do Indaiá, onde a Mármore termina, a “via-sacra” de bares inclui alguns queridinhos da boemia local, como o Desde 1999, cujo nome indica o tempo de funcionamento, e o 1000Ton, que segue a linha simples e tradicional. Entre os novatos estão o Mundim Santê e o Dejavú, vizinho de porta e parceiro do Santa Maloca. Lá também está o lendário Bolão, com a filial que funciona apenas para almoço entre as ruas Estrela do Sul e Tenente Durval, e o salão do bar original, na Praça Duque de Caxias.

MERCEARIA DO NIVALDO
Rua Mármore, 120. Diariamente, das 12h à meia-noite. Informações: www.instagram.com/mercearia.nivaldo

VIA-SACRA

» Ethanol
. Rua Mármore, 30

» Eskina Colombo
. Rua Mármore, 42

» Mercearia do Nivaldo
. Rua Mármore, 120

» Butiquim do Walter
. Rua Mármore, 181

» Mundim Santê
. Rua Mármore, 224

» Dejavú
. Rua Mármore, 418

» Santa Maloca
. Rua Mármore, 418

» Mármore 450
. Rua Mármore, 450

» Santa Boemia
. Praça Duque de Caixias, 143

» Western House
. Rua Mármore, 593

» Felinos
. Rua Mármore, 626

» Caçapa's
. Rua Mármore, 644

» Bolão II
. Rua Mármore, 681

» Bar do Jairo
. Rua Mármore, 689

» Desde 1999
. Rua Mármore, 758

» 1000Ton
. Rua Mármore, 825


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