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Estado de Minas Novidades na cozinha

Padaria artesanal se diferencia com sabores que lembram pessoas e lugares

Uma receitas da Pão do Furtini homenageia o Edifício Maletta, de onde saem as fornadas


06/06/2021 04:00 - atualizado 07/06/2021 15:15

Além das fornadas semanais, os sócios oferecem cursos sobre pães(foto: Marivan Pereira/Divulgação )
Além das fornadas semanais, os sócios oferecem cursos sobre pães (foto: Marivan Pereira/Divulgação )

Por mais que todo padeiro use a mistura básica de farinha, água e fermento, um pão nunca é igual ao outro. Sempre vai existir um ingrediente a mais para dar um toque pessoal às receitas. No caso da Pão do Furtini, que funciona no Edifício Maletta, Centro de Belo Horizonte, o tempero extra está no nome e na história dos pães. Unindo referências afetivas dos donos, eles homenageiam pessoas e lugares.

Furtini é o sobrenome de um dos sócios, Rodrigo, o padeiro. Formado em publicidade, artes plásticas e design de produto, e ainda apaixonado por cozinha, ele um dia resolveu aprender a fazer pães. Ficou interessado em entender sobre fermentação natural. A imersão no tema coincidiu com a saída do emprego e logo veio a vontade de se profissionalizar.

Rodrigo é quem coloca a mão na massa: prepara os pães, recebe os pedidos, faz as entregas e administra a empresa. “Tive professores que foram rigorosos, então sou bem chato na produção. Não vendo pão quando não está bonito. Faço tudo com muito carinho.” É dele a letra dos bilhetinhos carinhosos que acompanham as encomendas.

O outro sócio da Furtini é Marivan Pereira. Trabalha como ginecologista, mas vem de uma família muito ligada à cozinha. Como gosta de estudar sobre pães, fica com a parte teórica. “A minha relação com os pães é a de criar os sabores. Fazer, não faço. Pão precisa de muita exatidão e eu gosto de inventar moda. Se me der uma receita, não vai sair igual”, explica.
 
A receita do pão Momo, inspirada no cardamomo, combina especiarias, castanha tostada, ameixa e cacau(foto: Marivan Pereira/Divulgação )
A receita do pão Momo, inspirada no cardamomo, combina especiarias, castanha tostada, ameixa e cacau (foto: Marivan Pereira/Divulgação )
 
Um dos pães mais vendidos é o Maletta, prédio para onde a padaria se mudou em agosto do ano passado. A receita surgiu da vontade de trabalhar com gergelim germinado, que se junta às farinhas branca, integral e de centeio. “O gergelim fica demolhado por 24h e depois vamos banhando com água para formar os brotinhos. Assim, o seu poder nutricional é muito maior.” Fora o sabor potente. A mistura de grãos, como eles explicam, representa a “bagunça organizada” e a diversidade do Maletta.

O pão Sôzé é uma homenagem ao pai de Marivan, que faleceu no ano passado. Os sócios queriam fazer uma receita mineira e se lembraram de José Pereira, um homem simples, da roça, que gostava muito de cozinhar. “Meu gosto pela cozinha vem dele. O meu pai tinha uma roça em Ouro Fino e tudo o que tinha de fruta no quintal ele levava para fazer doce no tacho”, conta.

Ficou decidido que o milho, algo que seu José gostava muito, seria o ingrediente principal. Depois de testar farinha de milho e fubá, eles decidiram usar a canjiquinha, porque queriam que o miolo do pão tivesse pontos amarelos. Os grãos são cozidos em água com sal e um pouco de alho. Na receita, ainda acrescentam melado de cana, que dá um toque adocicado, e erva-doce, responsável pelo perfume.
 

Brincando com os sabores

 
Recentemente, entrou para o cardápio o Momo, pão de especiarias, principalmente cardamomo, daí o nome. “É um sabor muito difícil. Se colocar muito, estraga. Se colocar pouco, você não sente nada”, comenta Marivan, que se orgulha de ter acertado a medida. Para completar, castanha do pará tostada, ameixa e cacau.
 
Os pães não são fixos. Rodrigo e Marivan gostam de brincar com os sabores e, a cada fornada, sempre às quintas, apresentam uma receita diferente. É comum, por exemplo, colocar na massa básica ingredientes doces como damasco, cranberry, banana-passa, figo e laranja cristalizada. “Os nossos clientes topam sempre experimentar as novidades e isso nos dá margem para criar”, diz o ginecologista.

Desde a mudança para o Maletta, os sócios passaram a investir mais nos cursos e criaram a Escola do Furtini, que funciona no mesmo espaço. “Além de vender pães, amamos compartilhar conhecimento. Doar o nosso tempo para ensinar é algo que nos deixa muito feliz”, comenta Rodrigo. Por enquanto, as aulas são de fermentação natural, baguete, brioche, panetone ou pizza. Modelagem está nos planos.

As turmas presenciais estão voltando aos poucos, com número reduzido de alunos. A escola recebe desde curiosos e pessoas que querem fazer pães para consumo próprio ou presentear os amigos até quem está em busca de outra profissão e também muitos estudantes de gastronomia. Um dos sonhos da dupla é oferecer curso para jovem aprendiz. Uma das opções para que não pode participar das oficinas presenciais é comprar o e-book, que ensina desde como cuidar do fermento até assar.

Serviço

Pão do Furtini
(31) 98473-8820

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