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Estado de Minas

Para manter o distanciamento, almoços e jantares são servidos em 'bolhas' transparentes

Evento gastronômico já passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e agora chega a Belo Horizonte, seu último destino


11/10/2020 04:00 - atualizado 12/10/2020 09:52

Enquanto comem e bebem, os grupos de até seis pessoas podem admirar o céu e a paisagem(foto: Hallu Media/Divulgação)
Enquanto comem e bebem, os grupos de até seis pessoas podem admirar o céu e a paisagem (foto: Hallu Media/Divulgação)

De quais momentos ao redor da mesa você vai se lembrar quando a pandemia passar? Pela segunda vez em Belo Horizonte, o Villa Stella, evento que aproxima chefs e restaurantes do público, propõe uma experiência única para deixar boas memórias dos tempos de coronavírus. A recomendação de distanciamento é levada a sério e os pratos serão servidos em “bolhas” gigantes, totalmente fechadas e isoladas. Um jeito seguro e confortável de voltar a ter contato com a gastronomia.
 
Seria impossível, neste momento, repetir a edição do ano passado, que reuniu oito mil pessoas em um fim de semana na Praça da Filarmônica. Em vez de cancelar o evento, os organizadores pesquisaram bastante para encontrar uma solução. “Não foi fácil achar este formato. Descobrimos que estava sendo usado na Europa, pegamos como referência e fizemos adaptações”, explica a gerente regional de Marketing da Stella Artois, Fernanda Federico.
 
A estrutura é formada por oito domos, nome dado às “bolhas” de madeira e lona transparente decoradas e climatizadas com ar-condicionado. No centro delas, uma mesa redonda que acomoda até seis pessoas (que já estejam convivendo no isolamento). Enquanto comem e bebem, podem admirar o céu e a paisagem do entorno. “Nós gostamos de reunir pessoas ao redor da mesa para criar momentos especiais e muitas histórias para contar. Desta vez, conseguimos combinar um formato especial, um lugar bonito e um encontro gastronômico que representa muito a cidade”.
 
O evento já passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e agora chega a Belo Horizonte, seu último destino. Nesta edição, o lugar escolhido é a Praça Bellagio, em Nova Lima, mirante com uma área de 1,2 mil metros quadrados, totalmente ao ar livre.
 
Assado de tira de porco com tropeiro de feijão-andu e vinagrete de couve (Rotisseria Central)(foto: Cacá Lanari/Divulgação)
Assado de tira de porco com tropeiro de feijão-andu e vinagrete de couve (Rotisseria Central) (foto: Cacá Lanari/Divulgação)
 
Na entrada, o público passa por uma cabine de sanitização e medição de temperatura. O uso de máscara é obrigatório até a porta do dolmo, onde há um totem de álcool em gel para higienização das mãos. Antes de entrar no espaço reservado, todos os ocupantes devem calçar protetores descartáveis de sapato. “Nas áreas comuns, a circulação é limitada. Para ir ao banheiro, você tem que avisar ao seu garçom e aguardar em uma fila de espera”, detalha Fernanda.
 
O grupo é atendido sempre pelo mesmo garçom. O cardápio não é impresso, ganhou versão digital e pode ser facilmente consultado pelo celular. As pessoas têm a opção de pedir entradas, pratos e sobremesas de cinco restaurantes e uma doceria, com preços que variam de R$ 20 a R$ 40. São eles: Caê, Rotisseria Central, O Italiano, Dona Lucinha e O Granulado. Produtos da Provençal Gourmet, como geleias, compotas, mel, azeites, vinagres, risotos e panquecas, vão estar disponíveis para levar para casa.
 

Minas diferente

 
Os chefs ficaram livres para selecionar os pratos, com a condição de ter pelo menos uma opção vegetariana. “Pensei em receitas que lembrassem muito Minas Gerais, mas de uma forma diferente, como sempre faço. Vou levar alguns pratos que já vinha testando nos bastidores, sem ninguém saber”, avisa Djalma Victor, do Rotisseria Central. Uma das novidades é o assado de tira de porco, corte pouco conhecido da costela, muito saboroso, cozido por seis horas e depois finalizado na brasa. A carne será servida com tropeiro de feijão-andu e vinagrete de couve.
 
Acarajé mineiro (Dona Lucinha)(foto: Dona Lucinha/Divulgação)
Acarajé mineiro (Dona Lucinha) (foto: Dona Lucinha/Divulgação)
 
Quem já curte o trabalho de Djalma pode pedir alguns queridinhos do cardápio do Rotisseria Central, como o guioza com diferentes sotaques (oriental, mineiro e paraense). A massa, típica da culinária chinesa, é recheada com barriga de porco e tem como acompanhamento um molho de tucupi, caldo de porco, melaço de cana e óleo de gergelim. Outra sugestão é o hambúrguer com pão brioche, queijo do reino, maionese de urucum e couve na brasa, que fica crocante. Para os que não comem carne, nhoque de mandioca com creme de baroa e um toque de raspas de limão.
 
Os domos vão receber os grupos de até seis pessoas em três horários por dia, entre almoço e jantar. O tempo máximo permitido de permanência são duas horas. Antes de ser ocupado pelos próximos convidados, o espaço passa por uma limpeza. “Sentimos a responsabilidade de sempre buscar inovações para garantir a melhor experiência, mesmo nos momentos difíceis, e acreditamos que vai ser muito positivo oferecer este encontro, tanto para os clientes como para os restaurantes. Todo mundo estava com saudade de viver algo parecido”, comenta Fernanda.

Fusão de sabores

 
Minas se aproxima de outros estados (e até países) em mais pratos do cardápio além do guioza. Como a Bahia, por exemplo, no caso do acarajé mineiro, criação do Dona Lucinha. “É uma reinterpretação do acarajé baiano com elementos da nossa cultura, considerando que não temos oferta natural dos ingredientes que o compõem”, apresenta a chef Márcia Nunes, filha da fundadora do restaurante, que tem 30 anos de história.
 
O bolinho de feijão continua sendo a base, o que muda é o recheio. O creme de abóbora substitui o vatapá e, no lugar do camarão, carne de sol desfiada com molho de rapadura. Márcia teve o insight em uma feira. “Um cliente comprou uma porção de bolinho e uma da carne com o creme de moranga e me pediu uma faca emprestada. Observei de longe e na hora pensei: olha, um acarajé mineiro”, conta. A receita caiu no agrado de todos e fez a chef ficar conhecida como a “mineirinha do acarajé”.
 
Torta gelada de chocolate belga amargo com creme de pistache (O Granulado)(foto: Cacá Lanari/Divulgação)
Torta gelada de chocolate belga amargo com creme de pistache (O Granulado) (foto: Cacá Lanari/Divulgação)
 
Como representante da cozinha mineira de raiz, o Dona Lucinha também vai servir receitas tradicionais, como pastel de angu com três recheios (queijo do serro, carne serenada e banana-da-terra flambada) e a combinação de linguiça e farofa. Márcia ainda criou uma feijoada vegetariana, inédita na sua cozinha, com batata-doce e banana-da-terra. Para acompanhar, couve, laranja e farofa.
 
Caetano Sobrinho, do Caê, propõe a fusão do nosso estado com o México em uma versão amineirada de taco. A massa mexicana ganha recheio de costelinha confitada, além de maionese de wasabi e picles de cebola roxa. Do restaurante, ele também vai levar arroz de galinha caipira com “cuscuz” de ovos, prato que, pelo menos uma vez por mês, entra no cardápio como sugestão. “Uso praticamente tudo da galinha. Desfio a carne, aproveito os miúdos e o caldo cozinha o arroz”, detalha. O acompanhamento é um ovo cozido ralado, que fica fininho como grão de cuscuz.
 
Já o restaurante O Italiano une Minas e Itália em uma entrada clássica: arancini. O toque regional está garantido pela presença dos queijos artesanais mineiros, usados para rechear o bolinho de risoto milanês. As sobremesas ficam por conta da doceria O Granulado, que vai servir tortas geladas com calda de chocolate. Serão quatro sabores, entre eles chocolate belga amargo com creme de pistache e chocolate branco crocante com frutas vermelhas. 
 

Acarajé mineiro (Dona Lucinha)


Ingredientes
1kg de feijão-fradinho; 1 colher de sopa de sal; pimenta malagueta a gosto; óleo para fritar; 500g de abóbora-moranga; 1 fio de óleo; 1 cebola bem picada; leite (o necessário); 200g de creme de leite; 100g de queijo minas meia cura ralado fino; sal a gosto; 250g de carne de sol desfiada finamente; molho de rapadura (o necessário); 1 colher de sobremesa de manteiga de garrafa; cebolinha a gosto; molho de pimenta a gosto.

Modo de fazer
Deixe o feijão de molho de um dia para o outro. Retire as cascas e lave até que fique sem nenhum “olhinho preto”. Bata o feijão no processador até que fique uma massa fina. Coloque sal e pimenta. Frite os bolinhos em colheradas no óleo quente e reserve. Descasque e cozinhe a abóbora. Escorra e reserve. Leve uma panela ao fogo e acrescente óleo. Doure a cebola e acrescente a abóbora. Com o auxílio de uma colher, amasse até ganhar textura de purê. Pingue leite até que a mistura fique levemente amolecida. Acrescente uma pitada de sal e retire a panela do fogo. Incorpore o creme de leite e o queijo. Acerte o tempero e reserve. Leve outra panela ao fogo. Acrescente manteiga de garrafa, a carne de sol e misture bem. Retire do fogo e acrescente a cebolinha picada. Corte os bolinhos ao meio, sem deixar que se separem. Pincele com molho de rapadura e coloque uma porção generosa de creme de moranga e carne de sol. Sirva com o molho de pimenta à parte. 
 

Serviço

 
Villa Stella Edição Domo
Data: 15 a 18 de outubro (quinta a domingo)
Horários: das 14h às 16h; das 17h às 19h; das 20h às 22h
Local: Praça Bellagio (Nova Lima)
Valor: R$ 210 de entrada + consumo à parte
Vendas e informações: www.stellaartois.com.br/villastella
 

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