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Estado de Minas novidades na quarentena

Milk-shake: os desafios para fazer a bebida gelada chegar na sua casa

Experiência não muda tanto, já que o público estava acostumado a consumir o produto em copos descartáveis


30/08/2020 04:00 - atualizado 29/08/2020 20:27

Os pedidos de milk-shake do Xodó aumentaram, inclusive no horário de almoço, para acompanhar os pratos(foto: Thobias Almeida/Divulgação)
Os pedidos de milk-shake do Xodó aumentaram, inclusive no horário de almoço, para acompanhar os pratos (foto: Thobias Almeida/Divulgação)

Transportar comida não é fácil. Ainda mais quando falamos de um produto extremamente sensível a mudanças de temperatura e sacolejos como o milk-shake. Diante do aumento de pedidos, uma rede de sorveterias e uma lanchonete, que já trabalhavam com delivery, aprimoram os processos e a logística para melhorar a experiência do consumidor com a bebida gelada em casa.
 
A pandemia impôs o maior desafio da história da Sorvete Salada: desenvolver, em 30 dias, uma plataforma própria de delivery. Até então, as lojas faziam entrega pelos aplicativos. Agora, o cliente faz o pedido e o sistema direciona, baseado no CEP, para a loja mais próxima (são 30). “Como faço para trazer o consumidor para o meu delivery? Com uma soma de condições favoráveis: praticamente todos os preços muito mais baixos e frete grátis todo fim de semana”, diz a diretora Raquel Bravo.
 
O milk-shake vai em copo de plástico ou isopor, dependendo da distância que será percorrida, encaixado em um suporte de papelão. Isso não muda tanto a experiência, porque o cliente já estava acostumado a embalagens descartáveis. “Já estávamos num movimento de fazer produtos mais portáteis, essa é uma tendência no mundo. No caso do milk-shake, era hábito nas regiões mais urbanas pedir no copo descartável e sair andando”, comenta.
 
Não foi preciso alterar a receita, apenas trocar o chantili por um mais estável, que suporta melhor o transporte. “Uma das vantagens é que os shakes são bem encorporados, mais densos, e isso ajuda a manter a temperatura.” Há duas linhas de shakes no delivery: o milk-shake e o megamilk, diferente por ser mais encorpado. Os sabores vão dos básicos chocolate e morango até os mais elaborados, como pistache e doce de leite. O freakshake está fora porque tem elementos que ultrapassam a borda do copo.
 
A Sorvete Salada teve que trocar o chantili por um mais estável, que suporta melhor o transporte(foto: Sorvete Salada/Divulgação)
A Sorvete Salada teve que trocar o chantili por um mais estável, que suporta melhor o transporte (foto: Sorvete Salada/Divulgação)

Segundo Raquel, o sucesso do delivery dos shakes depende também dos motociclistas. Por isso, todos recebem treinamento. “Tempo e temperatura são ingredientes que eles precisam administrar. Não podem desviar para fazer outra tarefa no meio da operação nem deixar de usar o baú térmico. A forma como dirigem também influencia no transporte do produto, que é sensível e delicado, não pode amassar ou tombar.” O ideal é que o tempo entre a saída da loja e as mãos do cliente não passe de 15 minutos.
 
O delivery, que no início da pandemia representava em torno de 30% da receita, agora concentra de 70% a 80% da demanda. A empresa, inclusive, se prepara para credenciar lojas que não terão salão para receber os consumidores, só funcionarão com entregas.
 

Atenção redobrada

 
Para que os clientes possam tomar o tradicional milk-shake do Xodó em casa, a atenção da equipe é redobrada. As receitas continuam iguais, mas os produtos para viagem ficam mais consistentes para não correr o risco de derreter no transporte. Além disso, se o pedido inclui outros itens, o milk-shake é o último a ser preparado, permitindo que ele sofra o mínimo possível durante o trajeto.

Acompanhado de canudo biodegradável, o copo de plástico é transportado devidamente fechado com lacres de segurança na tampa e entregue em um suporte de papelão para não derramar. “Recomendamos cuidado aos entregadores. Sempre avisamos quando é milk-shake e orientamos a colocá-lo separado do alimento quente”, aponta César Gonçalves Viana, gerente da lanchonete há 30 anos.
 
Seguindo a mesma lógica dos aplicativos, o Xodó trabalha no delivery próprio dentro de um raio de entrega em que consegue garantir a integridade dos produtos. Quem mora mais longe pode retirar o pedido no local. “A demanda surpreendeu. Temos recebido muitos pedidos de milk-shake, inclusive acompanhando os pratos no horário de almoço.” Os sabores mais pedidos são ovomaltine, morango e chocolate, seguidos pelos clássicos de calda artesanal, como abacaxi, maracujá e ameixa.

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