Equipe do filme 'A flor do buriti'

Equipe do filme "A flor do buriti" fez protesto contra o marco temporal quando o filme foi exibido em Cannes, na última quarta-feira

Loic Venance/AFP


O filme “A flor do buriti”, coprodução entre Brasil e Portugal dirigida por João Salaviza e Renée Nader Messora, levou o prêmio de melhor equipe, o Prix d'ensemble,  na mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes, na sexta-feira (26/5).

O troféu principal ficou com “How to have sex”, de Molly Manning Walker. “Augure” levou o prêmio Nova voz; “Goodbye Julia”, o Liberdade; “The mother of all lies”, o de direção; e “Hounds", o do Júri.

Considerada a segunda principal seção do evento francês, Um Certo Olhar premia cineastas que estão em começo de carreira. Salaviza e Nader Messora, no entanto, já levaram o troféu do júri na mostra há cinco anos, com “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”.

Idioma krahô

Assim como seu antecessor, “A flor do buriti” foi desenvolvido ao lado dos krahôs, povo indígena do Tocantins que emprestou sua história, seus integrantes e sua língua para o cinema da dupla. Em 2018, seu trabalho chamou a atenção justamente por ter o krahô como idioma.

Isso se repete no filme de agora, que opera no limiar entre ficção e realidade ao registrar a tensão entre os povos da floresta e os “cupe”, os não indígenas que com frequência invadem suas terras para desmatar e alimentar o tráfico de animais silvestres.

Enquanto os krahôs tentam seguir com seus ritos e tradições, representantes da aldeia planejam uma viagem a Brasília, onde se encontrarão com outras lideranças indígenas para pedir ao governo federal que adote políticas de preservação para seus povos.

No começo da semana, a equipe de “A flor do buriti” protestou contra o marco temporal no tapete vermelho. Além dos diretores, estavam presentes Francisco Hyjnõ e Ilda Patpro, atores do filme, que levantaram uma faixa que dizia: “O futuro das terras indígenas no Brasil está sob ameaça, não ao marco temporal”.

Palma de Ouro neste sábado

A premiação principal do Festival de Cannes, que inclui a entrega da Palma de Ouro, ocorrerá neste sábado (27/5). Dois brasileiros podem ser laureados: Karim Aïnouz, que dirige o longa britânico “Firebrand”, e a atriz Carol Duarte, protagonista do italiano “La Chimera”.

Aïnouz é o único brasileiro a ter vencido o prêmio principal da Um Certo Olhar, em 2019, com “A vida invisível”, estrelado justamente por Carol Duarte. Menções especiais e prêmios do júri já foram entregues, além de Salaviza e Nader Messora, para Andrucha Waddington e Juliano Ribeiro Salgado, por “Eu tu eles” e “O sal da terra”, respectivamente.

O júri da mostra Um Certo Olhar deste ano foi presidido pelo ator americano John C. Reilly e teve como membros a diretora francesa Alice Winocour, a atriz alemã Paula Beer, a diretora francesa-cambojana Davy Chou e a atriz belga Émilie Dequenne.