Porfirio Valladares explica que as obras expostas foram criadas usando a técnica da marchetaria
Daniel Mansur/Divulgação
É na interseção entre arquitetura e design que nasce a exposição “(I) móveis”, que será aberta nesta quinta (2/2), no Parque do Palácio. A mostra reúne 10 peças em marcenaria criadas pelo arquiteto e designer Porfírio Valladares. Grosso modo, são gaveteiros que formam edifícios.
“Era uma ideia que eu tinha há muito tempo e comecei a colocar em prática há cinco anos. Chamo-os de prédios de objetos, pois não é uma maquete propriamente dita, mas também não é apenas um móvel. Esta ambiguidade me atrai. Quem olha as gavetas fechadas vê uma maquete grande de madeira. Mas na hora em que você as abre, a obra ganha outra dimensão. É inevitável a analogia com a ideia de morar em gavetas, que seriam os apartamentos”, explica Valladares.
Originalmente, foram produzidas 20 peças, todas únicas. Metade delas foi comercializada em duas mostras anteriores, realizadas em São Paulo. Todas foram confeccionadas pelo marceneiro Zé Dias, que trabalha há quatro décadas com Valladares.
“As peças foram feitas em marcenaria fina. O Zé Dias, que é muito habilidoso, levou dois anos trabalhando nelas. Como usamos as mesmas técnicas da marcenaria artesanal, não tem MDF ou outros insumos contemporâneos. É basicamente madeira maciça e lâminas de madeira”, continua.
Quem olha as gavetas fechadas vê uma maquete grande de madeira. Mas na hora em que você as abre, a obra ganha outra dimensão. É inevitável a analogia com a ideia de morar em gavetas, que seriam os apartamentos
Porfírio Valladares, arquiteto e designer
Dimensões
A técnica da marchetaria foi utilizada nos (i) móveis. “O corpo de todos eles foi feito com madeira freijó, que tem um tom meio amarelado, dourado. Nas janelas, foram utilizadas lâmina de imbuia e aí começou o trabalho de marchetaria.”
As 10 peças que compõem a exposição têm um bom porte. As verticais chegam a 1,40 metro de altura e as horizontais alcançam até dois metros. Não são pesadas, a despeito da dimensão, porque, de acordo com Valladares, o freijó é uma das madeiras mais leves. “Mas tem (i) móvel com 43 gavetas. Então, tudo depende do projeto.”
Mesmo sendo utilitárias, todas as peças também perfazem o caminho da arte. “A arte serve para observar, fruir e nos fazer pensar, dando alegria ou tristeza. Isso serve para todas as formas de arte. No caso específico deste trabalho, ele tem utilidade. Serve para guardar coisas, mas, de repente, pode servir também para que uma criança brinque com ele”, finaliza.
A arte serve para observar, fruir e nos fazer pensar, dando alegria ou tristeza... No caso específico deste trabalho, ele tem utilidade. Serve para guardar coisas, mas, de repente, pode servir também para que uma criança brinque com ele
Porfírio Valladares, arquiteto e designer
Peças chegam a ter até 43 gavetas, com dimensões que alcançam 1,40m de altura e 2m na horizontal
Daniel Mansur/Divulgação
Mesa-redonda
Também hoje Valladares participa de mesa-redonda no Parque do Palácio. O debate “Preservação e perspectivas para o patrimônio modernista em Belo Horizonte: Oscar Niemeyer e um olhar sobre suas obras em Minas Gerais” vai reunir o arquiteto e designer, o pesquisador Luis Gustavo Molinari e o fotógrafo Jomar Bragança. O encontro será às 16h, no salão principal do Palácio, que também está expondo a mostra de fotografias “Niemeyer”, de Bragança.
“(I)MÓVEIS”
Exposição de Porfírio Valladares. Abertura nesta quinta (2/2), no Parque do Palácio (Rua Djalma Guimarães, 161, Palácio das Mangabeiras, Portaria 2). Visitação de quarta a sexta, das 10h às 18h; e aos sábados e domingos, das 9h às 18h. Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). Às quartas a entrada é franca (ingressos devem ser retirados pelo sympla.com.br). Informações: www.parquedopalacio.com
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