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Estado de Minas SÉTIMA ARTE

Cinema mineiro é tema de mostra no Cine Humberto Mauro a partir de amanhã

Programação, que começa nesta sexta (24/6) e é gratuita, terá também aula, debate com curadores e sessão comentada de ''Batismo de sangue'' com o diretor


23/06/2022 04:00 - atualizado 24/06/2022 01:51

Daniel de Oliveira, de óculos e camisa bege, em frente a banca de revista, em cena de batismo de sangue
Daniel de Oliveira interpreta Frei Betto no longa-metragem adaptado de seu livro sobre a resistência dos dominicanos à ditadura (foto: Quimera Filmes/Divulgação)

A Fundação Clóvis Salgado abre nesta sexta-feira (24/6) a mostra Cinema Mineiro em Cartaz, a ser exibida gratuitamente no Cine Humberto Mauro. O ciclo inclui 10 longas e 10 curtas-metragens. Além das exibições de filmes, a mostra promoverá aula sobre a história do cinema mineiro, debate e sessão comentada.

Auxiliado pelos pesquisadores Lourenço Veloso e Nicolly Rejara, o curador Victor de Almeida considera ter feito escolhas para um público amplo, ao incluir na programação animações e filmes infantis. 

“Tampinha” (2004), de João Batista Melo, é baseado no livro de Ângela Lago que narra a história de uma menina que alçava voo quando alguém perto dela espirrava; e “Castelos de vento” (1998), de Tânia Anaya, aborda o poder do vento tanto de unir quanto de separar o homem.

"A gente procurou fazer um recorte amplo, mostrando filmes de várias épocas, várias tendências e meios de expressão do cinema mineiro", comenta o curador.

Entre os títulos, há filmes de Humberto Mauro (1897-1983), como "Tesouro perdido" (1927); de Neville d’Almeida ("Rio Babilônia", 1982) e de Helvécio Ratton ("Batismo de sangue", 2006). Alguns dos títulos ficarão disponíveis na plataforma de streaming do Cine Humberto Mauro.



Na opinião do curador da mostra, "Rio Babilônia" completa 40 anos com uma aura premonitória, ao apontar para o quê o Brasil poderia se tornar dada a relação entre políticos e milicianos no Rio de Janeiro daquela época. 

Em "Batismo de sangue", Helvécio Ratton adaptou para o cinema o livro homônimo de Frei Betto que narra a resistência de frades dominicanos à ditadura militar recém-instaurada no Brasil dos anos 60.  O elenco conta com Daniel de Oliveira no papel de Frei Betto e ainda Caio Blat e Babu Santana.
 
Veja trailer de "Batismo de sangue":
 
Daniel de Oliveira, de óculos e camisa bege, em frente a banca de revista, em cena de batismo de sangue
Daniel de Oliveira interpreta Frei Betto no longa-metragem adaptado de seu livro sobre a resistência dos dominicanos à ditadura (foto: Quimera Filmes/Divulgação)
 

Na abertura, às 19h de sexta, será exibido "José Aparecido de Oliveira – O maior mineiro do mundo" (2019), documentário de Mário Lúcio Brandão Filho e Gustavo Brandão sobre a vida do jornalista, que foi o primeiro ministro da Cultura do Brasil, no governo José Sarney, quando da redemocratização. 

O papel conciliatório e democrático desempenhado por José Aparecido na política e na cultura foi o que determinou a escolha do filme para a premiére da mostra, segundo a organização.

Entre os filmes contemporâneos está "Baronesa" (2018), de Juliana Antunes. Gravado no bairro de mesmo nome, em Santa Luzia, o filme explora a linha tênue entre documentário e ficção. O retrato de uma vida vivida sob a guerra do tráfico foi o vencedor da Mostra Aurora do Festival de Tiradentes de 2017 e do Festival de Havana, no mesmo ano. "Ele é uma tendência do cinema de periferia, do cinema operário", comenta o curador.

Sem nunca ter sido exibido comercialmente nos cinemas brasileiros, "O general" (2003), de Fábio Carvalho, é um exemplo do cinema experimental belo-horizontino, ao retratar as lembranças da década de 1960 evocadas por citações de poemas e filmes.

Em março deste ano, o Instituto Humberto Mauro, em parceria com o Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC-MG), realizou o lançamento da Hemeroteca Digital de Cinema, também sob coordenação de Victor de Almeida. A escolha dos filmes da mostra, segundo ele, reforça a importância da iniciativa como repositório do cinema feito em Minas Gerais.

PROGRAMAÇÃO


»  SEXTA (24/6) 
• 19h – “José Aparecido de Oliveira – O maior mineiro do mundo”, de Mario Lúcio Brandão Filho e Gustavo Brandão (2019, documentário, 89min)

»  SÁBADO (25/6)
• 16h – “Castelos de vento”, de Tânia Anaya (1998, animação, 8min); “Tampinha”, de João Batista Melo (2004, 14min)
• 18h – Debate sobre o processo de curadoria e programação da mostra Cinema Mineiro em Cartaz com o curador Victor Almeida, o coordenador do curso de cinema da PUC/MG Pedro Vaz Perez e a equipe da mostra, formada por Lourenço Veloso, Nicolly Rejayra e Bruno Hilário
• 20h – “Batismo de Sangue”, de Helvécio Ratton (2006, 110min). Sessão comentada com a presença do diretor

»  TERÇA, 28/6
• 20h – “Baronesa”, de Juliana Antunes (2018, 71min) 

»  29/6 QUARTA
• 14h – Curso: O cinema feito em Minas Gerais: Um panorama histórico, ministrado por Paulo Augusto Gomes
• 18h – “O general”, de Fábio Carvalho (2003, 70min) 
• 20h – “Rio Babilônia”, de Neville D’Almeida (1982, 121min)

CINEMA MINEIRO EM CARTAZ
Mostra de filmes, desta sexta (24/6) a quinta (30/6), e de 1º/7 a 7/7, no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Entrada gratuita.

* Estagiário sob supervisão da editora Silvana Arantes


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