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Estado de Minas ESTADOS UNIDOS

Atriz nova-iorquina Alison Leiby faz comédia para falar sério sobre aborto

Artista se inspira em sua própria experiência para discutir tabus que cercam a interrupção da gravidez, direito garantido nos EUA, agora ameaçado


13/06/2022 04:00 - atualizado 12/06/2022 21:49

A atriz Alison Leiby com o braço levantado, no palco, fala de frente para a plateia
Alison Leiby em cena na peça "Oh God, a show about abortion" (foto: Yuki Iwamura/ AFP )

"Sou atriz e quero fazer as pessoas rirem, mas também quero ajudar as pessoas a começarem a falar sobre algo difícil"

Alison Leiby, atriz

 


O aborto polarizou a sociedade americana, mas em Nova York a atriz Alison Leiby transformou a interrupção de sua própria gravidez indesejada em uma comédia que pretende derrubar tabus e defender esse direito garantido há meio século nos Estados Unidos, agora ameaçado.

No palco do Cherry Lane Theater, em Greenwich Village, os espectadores riem com as aventuras modernas de uma mulher na casa dos 30 durante a  peça “Oh God, a show about abortion” (“Oh Deus, um espetáculo sobre o aborto”, em tradução livre).

PLANTA E BEBÊ

Com alta dose de ironia, Alison Leiby se descreve como a típica anti-heroína nova-iorquina, incapaz de administrar suas próprias economias ou de cuidar de uma planta, muito menos de um bebê.

Na plateia, majoritariamente feminina, as gargalhadas acompanham a narração de seu teste de gravidez – “positivo igual a um teste de COVID depois de um casamento na Flórida”. Ou sua perplexidade quando a clínica lhe perguntou se queria saber se os batimentos cardíacos do feto poderiam ser ouvidos, ou “se são gêmeos”.

Acima de tudo, Alison Leiby tenta minimizar o drama. Fez um aborto e nunca pensou em culpa.

“Tanto na cultura popular quanto nos filmes e documentários, nunca ouvi falar do aborto como fiz, algo muito comum, nada traumático, pelo menos onde é autorizado”, ela afirma.

“Sou atriz e quero fazer as pessoas rirem, mas também quero ajudar as pessoas a começarem a falar sobre algo difícil”, explica, embora diga que sabe ter “a sorte de ser branca, heterossexual e cisgênero, vivendo em um estado onde o aborto é legalizado.”

O vazamento, em 2 de maio, do esboço de uma decisão crucial da Suprema Corte americana, que estaria disposta a anular o direito ao aborto em âmbito federal e teve o efeito de terremoto no país dividido sobre esse assunto, “deu um significado maior para este espetáculo”, afirma Leiby. “É mais político”, explica.

DEBATE NO TEATRO

A estreia contou com convidadas como a estrela de “Sex and the city”, Cynthia Nixon, e a diretora da Vogue, Anna Wintour. Uma das apresentações contou com debate com a presidente do Centro para os Direitos Reprodutivos, Nancy Northup.

“O espetáculo é excelente porque fala da estigmatização do aborto”, afirma a atriz. “Humaniza o aborto e ao mesmo tempo (destaca) este sentimento de urgência do qual temos que falar muito mais”, defende, após lembrar que, nos Estados Unidos, uma em cada quatro mulheres fará um aborto ao longo de sua vida.

“Oh God, a show about abortion” ficará em cartaz até o dia 30 de junho em Nova York. 


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