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Estado de Minas MÚSICA

Ao som da obra de Cazuza, Minascentro reabre hoje como casa de shows

Concerto da Nova Orquestra em parceria com alunos do programa Vale Música apresentará o repertório do poeta do rock, nesta sexta (8/4), com ingressos a R$ 10


08/04/2022 04:00 - atualizado 07/04/2022 22:08

Músicos vestidos de preto, em círculo, de pé, e instrumentistas de corda sentados, todos formando um círculo em torno do maestro, tocam no palco, com telão ao fundo reproduzindo sua imagem
Depois de BH, Nova Orquestra vai apresentar o concerto ''Exagerado'' em Vitória e Belém (foto: Júlia Bandeira / divulgação)

No último dia 4, Cazuza teria feito 64 anos, se vivo fosse. No dia seguinte, teve início, pelo Rio de Janeiro, a turnê “Exagerado”, que celebra a obra do cantor e compositor, a partir de uma parceria entre a carioca Nova Orquestra e o programa Vale Música, do Instituto Cultural Vale.

Não foi algo planejado, mas sim uma feliz coincidência, conforme aponta o maestro Eder Paolozzi, regente titular da Nova Orquestra e diretor artístico do concerto “Exagerado”, que chega a Belo Horizonte nesta sexta-feira (8/4), com única apresentação, a preços populares, no Minascentro, às 20h.

“Desde sua criação, em 2019, a Nova Orquestra sempre buscou exaltar a música brasileira, nossas raízes, nossas origens”, diz Paolozzi. Ele explica que as cidades escolhidas para receber a turnê de “Exagerado”– além de Rio e Belo Horizonte, foram incluídas no roteiro Vitória (ES) e Belém (PA) – são algumas onde os projetos do Instituto Cultural Vale estão presentes.

O efetivo responsável pela execução do concerto “Exagerado” é formado por 30 participantes do programa Vale Música, sendo 10 vindos de Belém (PA), 10 de Serra (ES) e 10 de Corumbá (MS), e mais cinco integrantes da Nova Orquestra. O naipe instrumental reúne 16 violinos, seis violas, quatro violoncelos, uma flauta, uma clarineta, duas trompas, dois trompetes, um trombone, uma bateria e um baixo elétrico.

O conjunto, montado especialmente para essa turnê, vai executar um repertório que, segundo Paolozzi, abarca os principais sucessos de Cazuza, como “Ideologia”, “O nosso amor a gente inventa”, “Pro dia nascer feliz”, “Codinome Beija-Flor”, “O tempo não para” e “Exagerado”, entre outros. 

“Apresentamos um panorama da obra de Cazuza. Pegamos músicas bem conhecidas e também aquelas que achamos mais adequadas ao formato orquestral, que ofereciam possibilidades harmônicas mais amplas”, diz.

''Ele é um dos grandes nomes da MPB. Cazuza tem a paixão da juventude, então acho que é importante para os jovens experimentarem a potência criativa dele, essa paixão dele pela música e pela vida. É um artista que deixou um legado enorme, com trânsito por diferentes ambientes da música popular brasileira''

Eder Paolozzi, regente titular da Nova Orquestra e diretor artístico do concerto ''Exagerado''


DIÁLOGO

O maestro cita, como exemplo, “Faz parte do meu show”, que em seu registro original, com o autor, já tinha essa vestimenta. Paolozzi justifica a escolha de Cazuza para receber essa homenagem em razão do diálogo que sua obra estabelece não só com o público, mas também com os jovens alunos do programa Vale Música.

“Ele é um dos grandes nomes da MPB. Cazuza tem a paixão da juventude, então acho que é importante para os jovens experimentarem a potência criativa dele, essa paixão dele pela música e pela vida. É um artista que deixou um legado enorme, com trânsito por diferentes ambientes da música popular brasileira”, diz. “E queremos muito ver a plateia cantando junto”, acrescenta.

Ele acredita que as fronteiras entre música erudita e popular no território nacional vêm se diluindo ao longo dos últimos tempos, muito em função de a música brasileira ser “rica, criativa e, portanto, oferecer muitas possibilidades”. O maestro considera que, para os músicos em formação, isso é extremamente positivo, porque representa um leque mais amplo de experiências.

LIBERDADE

“Existe mais liberdade na abordagem da música popular, então os músicos acabam desenvolvendo outras formas de tocar, mais livres, mais ligadas às nossas raízes, e a ideia é que a Nova Orquestra seja a cara do Brasil. Acho legal, por exemplo, isso de os músicos tocarem em pé; tenho a impressão de que eles se divertem mais. Outra questão é que os integrantes podem trazer para dentro da orquestra aquilo que eles escutam no dia a dia, sem delimitações”, aponta.

Paolozzi chama a atenção para o fato de que ele não é o regente do concerto “Exagerado”, mas sim Renan Cardoso, maestro principal da Orquestra Jovem Vale Música de Belém, professor de violino do Instituto Estadual Carlos Gomes e integrante da Camerata FAM e do Quarteto de Belém. 

“Como é um projeto em parceria com a Vale Música, temos um regente que já trabalha com essa meninada lá no Pará e que, agora, se junta com membros um pouco mais experientes da Nova Orquestra. Eu cumpro essa função de diretor artístico, fico assessorando o Renan”, diz.

Ele ressalta que esta é a segunda vez que a Nova Orquestra estabelece uma parceria com o programa Vale Música. “É algo que acho que vai se estender por algum tempo. O Vale Música é um projeto de formação de músicos, e a Nova Orquestra traz essa experiência da esfera profissional, então os alunos têm essa possibilidade, em seu processo de formação, de um contato mais real com as dinâmicas desse mercado de trabalho. E os propósitos do Vale Música se alinham com a Nova Orquestra, que tem uma atuação mais focada na contemporaneidade”, salienta.

“EXAGERADO”

Concerto em homenagem a Cazuza, com a Nova Orquestra e os alunos do programa Vale Música. Nesta sexta-feira (8/4), às 20h, no Minascentro (Av. Augusto de Lima, 785, Centro). Ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)


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