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Estado de Minas LITERATURA

Novo romance de Lourenço Cazarré traz triângulo amoroso em Canudos

Livro infantojuvenil "Amor e guerra em Canudos" segue cronologia da guerra e mantém referências históricas a respeito do conflito


18/01/2022 04:00 - atualizado 18/01/2022 08:30

 Escritor Lourenço Cazarré, sentado à mesa, tem um livro à sua frente e olha para a câmera
Fascinado pelo clássico "Os sertões", Lourenço Cazarré se inspirou em Euclides da Cunha para escrever seu novo livro (foto: Bárbara Cabral/CB/D.A Press)

Lourenço Cazarré sempre foi fascinado pela história de Canudos e, sobretudo, pela maneira como Euclides da Cunha construiu a narrativa histórica em “Os sertões”. Nos anos 1970, decidiu que escreveria uma ficção baseada no episódio, mas foi atropelado pelo romance “A guerra do fim do mundo”, versão de Mario Vargas Llosa, publicada em 1981, para a história de Antônio Conselheiro e seu império.

Cazarré desistiu, até se deparar com outro romance, “Veredicto em Canudos”, de Sándor Márai. “Quando li, fiquei impressionado”, conta. Retomou a ideia e escreveu “Amor e guerra em Canudos”, que chega às prateleiras pela editora Yellowfante.

No romance infantojuvenil de Cazarré, a adolescente Guilhermina e a mãe montam uma escola para meninas em Canudos. Antônio Conselheiro não gosta muito, mas as duas seguem com o plano. É nesse contexto que a moça encontra dois rapazes, um tenente e um poeta, que se encantam com ela.

“Como escrevo para jovens, percebi que precisava fazer um livro interessante para meninas e meninos. Quando inventei a menina, já imaginei o triângulo amoroso entre ela e dois rapazes. E, obviamente, imaginei que os dois iam se envolver na Guerra de Canudos, no combate”, conta o autor.

Cazarré trabalhou no texto durante os últimos dois anos. Pesquisou, leu muitos livros e manteve algumas referências históricas. “A cronologia das histórias segue a cronologia da guerra, rigorosamente”, avisa.

“Amor e guerra em Canudos” tem 55 mil palavras, cerca de 25 mil a mais do que o máximo que Cazarré se permite para romances destinados aos jovens. “Não tinha jeito, era a história que eu tinha que contar”, diz.

Adotado pelo Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), o romance deve passar a fazer parte da lista de leitura de milhares de jovens brasileiros.

“Esse livro dá uma série de TV, uma mininovela. É literatura para jovens em cima da história real que gerou o maior livro da literatura brasileira, 'Os sertões'. Euclides é um animal, um monstro. Minha velha paixão por 'Os sertões' me levou a escrevê-lo. Foi um desafio, uma loucura, uma trabalheira de dois anos”, garante Cazarré.

capa do livro Amor e guerra em Canudos mostra pessoas armadas e cenas de conflito

“AMOR E GUERRA EM CANUDOS”

Romance de Lourenço Cazarré
Yellowfante
224 páginas
R$ 46,25

Olhar voltado para a juventude


Gaúcho de Pelotas (RS),  Lourenço Cazarré tem 68 anos de idade e sólida carreira literária, incluindo um Prêmio Jabuti (1998), recebido pelo livro “Nadando contra a morte”. Com cerca de 40 obras publicadas, entre novelas juvenis, contos e romances, o escritor foi agraciado com mais 20 premiações, além de possuir o selo “altamente recomendável para jovens”, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Entre suas obras premiadas estão o romance “O calidoscópio e a ampulheta” (1982) e o volume de  contos “Enfeitiçados todos nós”. Teatrólogo, Lourenço, que é pai do ator Juliano Cazarré, venceu o Concurso Nacional de Dramaturgia da Funarte (regiões Norte e Centro-Oeste), em 2005, com a peça “Umas poucas cenas vistas do caos”.


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