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Estado de Minas CINEMA

Diretor argentino consegue 1.963 sócios para rodar filme

Hernán Casciari lançou campanha de financiamento coletivo para filmar 'La uruguaya'. Investidores tomam parte das decisões sobre o longa


26/10/2021 04:00 - atualizado 26/10/2021 07:54

Os atores Fiorella Bottaioli e Sebastián Arzeno, vestidos informalmente, lado a lado, encaram a câmera em cena de 'La uruguaya'
Os atores Fiorella Bottaioli e Sebastián Arzeno interpretam os protagonistas de 'La uruguaya', cujo elenco também foi decidido de forma colaborativa (foto: Divulgação)

“Sabia que seria divertido, mas não achava que seria tão divertido”, disse o escritor argentino Hernán Casciari sobre o novo sistema de produção que idealizou para "La uruguaya", o filme financiado por quase 2 mil "sócios", que também participam em seu processo criativo.

Os chamados "sócios-produtores", que ao todo são 1.963, investiram entre US$ 100 e US$ 20 mil no longa-metragem, uma adaptação do livro "La uruguaya" (2016), de Pedro Mairal.

FIGURANTES 

O projeto pode render dividendos aos "acionistas", mas, sobretudo, lhes dá a oportunidade de participar nas decisões que envolvem aspectos do filme, como roteiro, seleção de elenco e comercialização do produto final, e também de atuar como figurantes. 

O resultado disso é um projeto cinematográfico argentino-uruguaio que leva o financiamento coletivo a um patamar inédito. Quando Casciari leu o romance, meses antes que o mesmo se tornasse um sucesso de vendas, traduzido para vários idiomas, não hesitou em comprar os direitos para levá-lo à telona, mediante um sistema colaborativo que já tinha em mente por alguns anos. 

Para conseguir financiamento, colocou à venda 6 mil títulos de US$ 100 sob a condição de que ninguém poderia comprar mais de 200. Em troca, todo o lucro conseguido com o longa será distribuído proporcionalmente entre os "sócios-produtores", que também participam das decisões sobre o filme. 

“Em dois meses, conseguimos arrecadar os US$ 600 mil necessários para começar a filmar, sem solicitar subsídios, patrocínios ou pautas publicitárias”, afirma Joaquín Marqués, um dos coprodutores do longa. 

Para tomar as decisões que envolvem o projeto, os sócios-produtores votam por meio de um aplicativo. Um exemplo disso foi a escolha de quem encarnaria o casal protagonista, os atores Sebastián Arzeno e Fiorella Bottaioli. 

A diretora do filme, Ana García Blaya, autora de "Las buenas intenciones" (2019), disse que o projeto lhe pareceu um "experimento interessante". "Não acreditei que seria assim, pensei que teria mais entraves" devido à quantidade de pessoas envolvidas, admitiu.

Como a transparência é parte vital do processo, a cada semana é publicado um episódio do podcast "La uruguaya", que apresenta todas as novidades sobre a produção do filme, cujo lançamento está previsto para março de 2022.

Além de "La uruguaya", Casciari já encaminhou junto com seu sócio Christian Basilis um segundo projeto audiovisual sob a mesma modalidade: uma minissérie de seis capítulos, cujo processo de financiamento mediante a venda de títulos começou há um mês e meio. "Creio que vamos superar o milhão de dólares", previu. 


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