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Estado de Minas ARTES CÊNICAS

Armatrux se exibe de graça hoje para comemorar seus 30 anos

Grupo abre seu espaço em Nova Lima neste sábado (23/10) para receber a plateia e também parceiros de sua história de três décadas


23/10/2021 04:00 - atualizado 23/10/2021 01:34

Paula Manata, Tina Dias, Raquel Pedras, Cristiano Araújo, Eduardo Machado e Rogério Araújo, de pé, juntos uns dos outros, sorrindo para a câmera
O Armatrux, hoje formado por Paula Manata, Tina Dias, Cristiano Araújo, Raquel Pedras, Eduardo Machado e Rogério Araújo, convidou parceiros do grupo para as comemorações de aniversário (foto: Guto Muniz/Divulgação)

Grupo teatral caracterizado pelos espetáculos de rua, o Armatrux completa 30 anos de existência neste ano de 2021. Para iniciar as comemorações, a trupe realiza neste sábado (23/10), a partir das 17h, um evento presencial e gratuito no C.A.S.A. - Centro de Arte Suspensa & Armatrux, em Nova Lima, com apresentações dos espetáculos "Armatrux A Banda" e "Seu Geraldo", da companhia Pigmaleão.

"Estamos superanimados para esse reencontro. Em setembro, depois de quase dois anos sem atuar para o público, a gente retomou os ensaios presenciais e realizou algumas apresentações em Ipatinga e no C.A.S.A. mesmo. Mas desta vez o sentido é outro. Vamos abrir as comemorações do nosso aniversário com uma festa muito bonita", comenta a atriz Paula Manata, que atua na companhia ao lado de Tina Dias, Raquel Pedras, Cristiano Araújo, Eduardo Machado e Rogério Araújo.

A programação da festa é recheada de ações especialmente pensadas para a data. Quem conduz a comemoração é o multiartista Rodrigo Negrão, que assume o posto de mestre de cerimônias para receber o público. Às 17h30, o bonequeiro e cenógrafo Eduardo Félix apresenta o espetáculo "Seu Geraldo", protagonizado pelo violeiro e cantor do título, que adora contar casos.

"Hoje, o Armatrux vive de parcerias, então a nossa ideia foi chamar aqueles que fazem parte da nossa trajetória e deixaram sua marca no Armatrux ao longo desses 30 anos de história. O Rodrigo [Negrão] é um parceiro de longa data. Já o Eduardo Félix, da Pigmaleão, é um artista pelo qual nós temos uma imensa admiração e com quem vamos trabalhar em um projeto futuro", explica Paula.
 
 

A programação continua com o espetáculo "Armatrux A Banda", às 19h. Nele, uma banda de bonecos formada por quatro músicos de universos distintos apresenta canções originais em clima divertido. A montagem é um dos trabalhos mais conhecidos do Armatrux e conta com direção musical e trilha sonora original assinadas por John Ulhoa, do Pato Fu, e Bob Faria.

DOCUMENTÁRIO

O evento ainda contará com o bar da Toninha Utópica Marcenaria, com venda de bebidas e comidas, além da discotecagem do DJ Vinny Brown. Às 21h, o grupo estreia o documentário "Armatrux A Banda (novo show)", dirigido por Macau Digital, que conta com a participação de Maurício Tizumba e Júlia Tizumba. A produção mostra o processo por trás do novo espetáculo do Armatrux, ainda inédito.

"Eu, que nunca dirigi um espetáculo do Armatrux, assino a direção dessa nova versão do Armatrux A Banda", conta Paula Manata. "É até engraçado pensar que justamente no momento em que eu ia realizar isso, veio a pandemia e a gente foi impedida de estrear. Até agora esse é um trabalho totalmente inédito. Durante o último ano surgiram convites para que a gente o apresentasse de forma on-line, mas não topamos. Para reverter esse quadro de paralisia, nós focamos em trabalhar na produção desse novo show e documentamos esse processo de inúmeras maneiras, inclusive em vídeo."

Criado em 1991, o Armatrux se consolidou como um grupo sempre disposto a explorar novas linguagens sem abrir mão da experiência teatral. Desde a fundação, o grupo criou 21 espetáculos, três curtas-metragens e uma exposição interativa, além de já ter se apresentado pelo Brasil e em mais de 60 cidades do interior de Minas Gerais.

PRAÇA

"O Armatrux tem uma trajetória de democratização da arte no Brasil. Já nos apresentamos em cidades que mal tinham praça. Levamos teatro para centenas de pessoas que não possuíam condições de ver uma peça. Quantas vezes, no interior de Minas, o público se aproximava para agradecer. Cheguei a ouvir: ‘Eu nunca fui ao teatro porque não tinha dinheiro para pegar o ônibus. E aí vocês vêm aqui: isso vai mudar a minha vida e a da minha filha’. E isso nos dá a certeza de que a gente não conseguia mudar o mundo, mas podia mudar o mundo de uma pessoa", conta Paula.

Para ela, o grupo cumpre a "importante missão de emocionar o público, não importa quem ele seja". "Nós trabalhamos muito com o público infantil e esse é um trabalho muito sério e difícil. Não é simples, é extremamente desafiador. Eu olho para esse nosso histórico de trabalho com as crianças e sinto muito orgulho. Também gosto de destacar que, ao longo desses 30 anos, nós fizemos muito bom uso das leis de incentivo."

EMOÇÃO

O Armatrux começou em uma época bastante diferente para o teatro belo-horizontino. Segundo Paula Manata, Belo Horizonte "era menor" e, por conta disso, o grupo ocupava os espaços públicos "na cara e na coragem". "É muito gratificante ver como o grupo foi sendo reconhecido: a gente se apresentava na Praça Sete, no chão, sem microfone nem nada. Hoje isso é praticamente impossível", ela afirma.

Depois de mais de um ano e meio com as atividades presenciais paralisadas, o grupo retorna num momento em que a cultura em Minas Gerais e no Brasil vislumbra dias melhores com o avanço da vacinação e a volta de espetáculos com público. "É uma emoção muito grande poder voltar com a presença do público, em segurança, com muita gente já vacinada", comemora a atriz.

Por ora, o grupo está focado nas comemorações dos 30 anos. Além da programação deste sábado (23/10), o Armatrux realiza em 6 de novembro próximo o espetáculo "Thácht", uma tragicomédia musical que rendeu à companhia o Prêmio Sinparc de melhor ator em 2018. A apresentação será presencial e gratuita, também no C.A.S.A., com retirada de ingressos pelo Sympla.

Em dezembro, numa data ainda a ser definida, a trupe estreia uma websérie em três episódios que propõe a releitura do espetáculo "Nightvodka", escrito e dirigido por Eid Ribeiro.

Para o próximo ano, Paula conta que o Armatrux pretende estrear o novo show do "Armatrux A Banda" e rodar com ele. Além disso, está nos planos do grupo produzir um filme com base no espetáculo "No pirex", que estreou em 2009. 

"Esse é um grande plano, porque a gente, junto com o Eid [Ribeiro], quer mergulhar no espetáculo para fazer uma coisa nova. Não é uma gravação do espetáculo, mas um filme feito com a mesma história. O Eid inclusive já escreveu o roteiro. Além disso, a gente quer mesmo é voltar a se apresentar e circular com toda a segurança que o teatro merece."

ARMATRUX 30 ANOS 
Neste sábado (23/10), das 17h às 21h, no C.A.S.A. - Centro de Arte Suspensa & Armatrux (Rua Himalaia, 69, Vale do Sol, Nova Lima). Gratuito. Informações: @grupoarmatrux (Instagram)


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