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Estado de Minas ARTES VISUAIS

Carolina Pontes expõe cerâmicas na dotArt a partir desta quinta (21/10)

Peças da mostra 'Caleidoscópio' surgiram da imersão da artista no ateliê para aprender a usar fornos e fazer queimas. Ela própria vai recepcionar o público


20/10/2021 04:00 - atualizado 20/10/2021 08:03

Durante o confinamento social imposto pela pandemia, Carolina Ponte criou as peças de sua primeira exposição de cerâmica, depois de receber uma provocação de Wilson Lázaro, diretor artístico da dotArt Galeria, em Belo Horizonte. “Caleidoscópio”, que será aberta na quinta-feira (21/10), é resultado da imersão dela em seu ateliê por vários meses. Amanhã e sexta, a mostra presencial terá visitas guiadas pela própria Carolina.

É a primeira vez que a baiana, criada em Petrópolis (RJ), faz individual em BH. Nesse trabalho, ela explora o diálogo do crochê, de desenhos e da cerâmica de inspiração popular com a linguagem contemporânea.

“Há nove anos, comecei a pesquisar a cerâmica, mas nunca fui tão fundo quanto agora. Na pandemia, fiquei mais em casa e investi no ateliê: comprei o forno, os materiais e comecei a trabalhar”, diz Carolina, de 40 anos.
Peças redondas de Carolina Ponte exibem cores fortes, como vermelho, amarelo e laranja
Trabalhos de Carolina Ponte ganharam formatos orgânicos (foto: Carolina Ponte/divulgação)

De acordo com ela, o desafio da exposição proposta por Wilson Lázaro foi “uma alegria”, por representar “a possibilidade de transição para a vida normal”. Carolina gosta de trabalhar sob pressão e ficou praticamente “internada” no ateliê. “Não tinha ideia do que é fazer cerâmica. Pensei: 'Quero fazer totens gigantes, inteiros'. Quando me deparei com o tamanho do forno, vi que ali não cabia o que eu queria.”

A nova atividade é muito diferente do desenho e do crochê a que a artista estava acostumada. “Quando tenho esse material na mão, já sei o que vai sair, tenho o controle. Na cerâmica, não. Às vezes, sai uma rachadura, uma cor que eu não esperava. Aí você tem de lidar com essa peculiaridade do material”, explica.

“Caleidoscópio” traz uma característica da obra dela: a colagem de ornamentos. Porém, o processo da cerâmica gerou formatos mais orgânicos, “que lembram plantas ou células”, explica. Diante das limitações impostas pelo forno, ela decidiu produzir pequenas peças, encaixando-as como quebra-cabeças em obras de médio e grande portes, que podem chegar a 1,70m.
Entre julho e agosto, a escultora participou de coletiva em Nova York (EUA). “Gosto de deixar meu trabalho muito aberto (a interpretações), sabe? Gosto que ele seja acessível a todo tipo de público. Com o crochê e os desenhos, sempre observava as pessoas tendo uma relação afetiva com algo que já viram. Espero que seja igual com a cerâmica”, comenta.

Amanhã e sexta-feira, das 10h às 18h, a artista vai receber o público. Dizendo-se emocionada com o retorno, está ansiosa para saber como ocorrerá essa experiência sob o protocolo de combate à COVID-19, que exige máscara, distanciamento e público limitado.

*Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

“CALEIDOSCÓPIO”
Cerâmicas de Carolina Ponte. Quinta e sexta-feira, das 10h às 18h, com visitas guiadas pela artista. dotART Galeria, Rua Bernardo Guimarães, 911, Funcionários. Até 4 de dezembro. O espaço funciona de segunda a sexta, das 9h às 18h, e sábado, das 10h às 13h. Entrada franca


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