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Estado de Minas ARTES CÊNICAS

Com experimentações teatrais, A-Mostra.lab começa com programação gratuita

"Destapando a mão da boca da dor", da mineira Cia. Marginal de Teatro, abre a oitava edição do evento, que conta com 26 espetáculos virtuais


22/09/2021 04:00 - atualizado 22/09/2021 07:12

"Destapando a mão da boca da dor", concebido para o digital, se passa em um futuro distópico. Evento propõe reflexões sobre a linguagem teatral (foto: Divulgação )

A partir desta quarta-feira (22/09) começa a oitava edição d' A-Mostra.lab , evento que apresenta experimentações em artes cênicas e propõe discussões sobre a linguagem teatral . Por causa da pandemia da COVID-19, ela será realizada em formato virtual e gratuito até a próxima segunda-feira (27/09), com transmissão ao vivo pelo YouTube. Parte das 26 obras de teatro que compõem a programação também serão disponibilizadas no Instagram.

A transmissão do espetáculo " Destapando a mão da boca da dor ", da companhia mineira Cia. Marginal de Teatro , marca a abertura da mostra hoje, às 20h30. Produzida de forma independente e pensada para o formato virtual, a peça se passa em um futuro distópico e mostra um arqueólogo-historiador que busca fragmentos do passado, tempo no qual três amigos fazem planos, mas nunca chegam a colocá-los em prática.

"É uma montagem que já foi concebida para o digital", explica Igor Ayres, diretor da peça e coordenador d'A-Mostra-lab. "A encenação acontece com os atores separados, cada um em sua casa, mas conectados por meio do Zoom. Nós optamos por aderir a essa plataforma porque ela permite interação e diálogo entre as cenas isoladas. Foi o que nos ajudou a criar a conversa entre os personagens da história."

Segundo ele, a dramaturgia do espetáculo, assinada por Luiz Drummond, foi a forma que a companhia encontrou de abordar o mundo pandêmico com um certo distanciamento. "O personagem do arqueólogo-historiador é um homem que, no futuro, tenta reconstruir a vida desses três amigos que, por sua vez, estão no passado – o nosso presente. Aos poucos, é possível ver que não se trata somente de um exercício imaginativo sobre como será o futuro. Aquelas três pessoas enfrentam problemas reais contemporâneos, como a precarização do trabalho, o preconceito racial e a violência doméstica", afirma.

Luiz Drummond faz parte do elenco, assim como os atores Edna Rodrigues e Horácio Martins. A peça ainda conta com a participação especial de Ana Justino e Fabiano Lana, e trilha sonora original concebida pelo compositor Barulhista. Após a transmissão, será realizado debate mediado por Neise Neves.

RADIONOVELA 

"Destapando a mão da boca da dor" é a única peça da programação d'A-Mostra.lab que será encenada ao vivo. O restante das experiências teatrais entram no ar ao longo da mostra, sempre às 19h. Nesta oitava edição, o evento disponibiliza obras que se enquadram em quatro categorias: experimentos cênicos, leitura dramática, cenas curtíssimas e radionovela. Todas poderão ser acessadas pelo YouTube. Além disso, as cenas curtíssimas e as leituras dramáticas também serão disponibilizadas no perfil da mostra no Instagram (@amostralab).

"Experimentos cênicos é como estamos chamando as cenas curtas realizadas nas edições presenciais. As grandes novidades são a radionovela – somente em áudio –, a leitura dramática e as cenas curtas. Ambas obedecem a um formato inspirado nos vídeos do Reels, do Instagram, ou do TikTok", explica Igor Ayres.

Criada em 2011 como uma mostra paralela e não oficial do Festival Cenas Curtas, do Galpão Cine Horto, a A-Mostra.lab sempre dispensou olhar curatorial e compôs sua programação a partir de inscrições, por ordem de chegada. Para a oitava edição, também foram abertas inscrições e os selecionados foram escolhidos por meio de sorteio.

"Nós temos esse histórico de ser um evento aberto. Surgimos como forma de absorver os projetos que não entraram no Cenas Curtas. Gostamos de dizer que a nossa curadoria é a vontade dos artistas de estarem ali. Após a última edição presencial, a principal reclamação do público era o quanto, nesse modelo, as vagas se esgotavam muito rapidamente. Então, para ficar ainda mais democrático, a gente resolveu receber todas as inscrições durante um determinado período e, partir delas, realizar um sorteio on-line", explica.

Os trabalhos selecionados nesta edição são predominantemente de artistas e companhias de Belo Horizonte e do interior de Minas, mas também conta com representantes de outras cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

DEBATES 

Como a proposta do evento também é refletir a partir dos experimentos teatrais, em todas as noites da mostra serão realizados debates após a exibição das encenações, com mediação de Michele Sá, Rodrigo Antero, Flaviane Lopes, Lucas Costa e Thálita Motta.

"Nossa ideia é que tanto os artistas quanto o público possam ter um retorno sobre o que foi apresentado. Dessa forma, também é possível expor um pouco do processo criativo. Nas artes cênicas, grande parte do trabalho fica na sala de ensaio. É importante que os artistas tenham essa experiência de interação com o público, que está convidado a participar", diz Igor.

Para ele, ainda é cedo para dizer se o teatro on-line, popularizado durante a pandemia por uma questão de necessidade, é uma linguagem nova ou apenas um recurso criado na emergência que em breve desaparecerá. Igor Ayres defende que as encenações, mesmo quando realizadas e assistidas diante das telas, guardam algo que nenhuma outra área artística tem.

"Sem dúvida, o teatro on-line tem fortes elementos de teatralidade. Estamos naquele momento em que, enquanto vamos desbravando o formato, ele é tema de discussões acadêmicas. Quando eu assisto a uma peça no mesmo dispositivo em que assisto a séries ou filmes, consigo identificar que aquilo é teatral. Pela forma como é colocada em cena, eu vejo que não é uma série ou um filme", afirma.

A-MOSTRA.LAB
A partir desta quarta-feira (22/09) até 27/09, por meio do  canal no YouTube d'A-Mostra.Lab  e pelo Instagram ( @amostralab ), sempre a partir das 19h. Hoje, excepcionalmente, a abertura será às 20h30, com o espetáculo "Destapando a mão da boca da dor" (Cia Marginal – BH) e debate mediado por Neise Neves. Gratuito. Informações e programação completa:  amostralab.com.br



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