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Estado de Minas

Com seu disco "Star-crossed", Kacey Musgraves se afasta do country

Cantora norte-americana, que viria ao Lollapalooza Brasil em 2020, descreve seu quarto álbum como "uma tragédia moderna, de mágoa e cura"


13/09/2021 04:00 - atualizado 13/09/2021 07:23

Kacey Musgraves, que viria ao Lollapalooza Brasil em 2020, descreve seu novo disco como
Kacey Musgraves, que viria ao Lollapalooza Brasil em 2020, descreve seu novo disco como "uma tragédia moderna, de mágoa e cura". O álbum gira em torno do divórcio da artista (foto: fotos: Sophia Matinazad/Divulgação)

Não fosse a pandemia da COVID-19, Kacey Musgraves já teria pisado no Brasil pela primeira vez. A cantora norte-americana, descrita como "a estrela country para quem odeia música country", era uma das atrações confirmadas no Lollapalooza Brasil e se apresentaria no último dia do festival, em 5 de abril de 2020, em São Paulo, com o show da turnê do disco "Golden hour" (2018).
"Star-crossed: O filme", dirigido por Bardia Zeinali, reúne videoclipes com a cantora e produção está disponível na Paramount
Esse trabalho, o terceiro de uma carreira iniciada em 2013, representou uma mudança significativa na carreira dela. Bastante elogiado, o registro ganhou disco de platina nos Estados Unidos – ou seja, vendeu mais de 1 milhão de cópias –, figurou em várias listas de fim de ano e rendeu a ela quatro Grammys, incluindo o de álbum do ano.
 
E assim como não desembarcou no Brasil por causa do coronavírus, ela talvez não tivesse tempo hábil para terminar seu quarto disco de estúdio e lançá-lo em 2021, já que ainda estaria ocupada colhendo o sucesso do terceiro.
 
"Star-crossed", o novo e bastante esperado trabalho de Kacey Musgraves, chegou às plataformas digitais na última sexta-feira (10/09). As 15 faixas distribuídas em pouco mais de 47 minutos também ganharam versão audiovisual em "Star-crossed: O filme", dirigido por Bardia Zeinali, que reúne os videoclipes de cada uma das músicas e está disponível para streaming no Brasil pela Paramount+.
 
Descrito como "uma tragédia moderna em três atos, contando uma jornada extremamente pessoal de mágoa e cura", o disco gira em torno do divórcio entre a artista e o músico Ruston Kelly, com quem ela foi casada entre 2017 e 2020. "Eu fiz o meu melhor para homenagear o amor que foi compartilhado, mas também tive que me honrar como uma escritora que experimentou uma gama muito ampla de emoções difíceis", declarou ela, em comunicado enviado à imprensa.
 
Os dois singles divulgados antes do lançamento já indicavam que o álbum seria recheado de letras honestas sobre a separação. Na música-título "Star-crossed", lançada em agosto passado, Musgraves canta sobre "acordar de um sonho perfeito". "Voamos alto demais só para sermos queimados pelo sol?", ela questiona no refrão.

Em "Justified", que também chegou às plataformas digitais em agosto, ela afirma que "a cura não chega em linha reta". Por isso, ela conta que chorou, riu, amou, odiou e mudou de ideia diversas vezes após o fim do casamento.
 
O disco pode ser dividido em partes que mostram Kacey Musgraves passando a história de amor a limpo consigo mesma. Em "Good wife", ela descreve cenas corriqueiras da vida de casada, como levar café da manhã na cama e ouvir os problemas do companheiro enquanto pede ajuda a Deus para "ser uma boa esposa".

COVER Em "Camera roll", a artista canta sobre a experiência desconfortável de revisitar as fotos do passado. Após passar pelas diferentes fases do término, Musgraves parece resignada e pronta para seguir em frente em "What doesn't kill me" e "There is a light".
A música que encerra o disco é um cover de "Gracias a la vida", escrita pela cantora e compositora chilena Violeta Parra (1917-1967). Já gravada por cantoras como Elis Regina (1945-1982) e a argentina Mercedes Sosa (1935-2009), a canção em espanhol parece sintetizar o atual estado de espírito da artista norte-americana. "Agradeço à vida, que me deu tanto/ Me deu risadas e pranto/ Me ensinou a distinguir felicidade da tristeza", diz a letra.
 
Apesar de ainda ser reconhecida como uma cantora country, Kacey Musgraves se afasta do gênero nesse quarto disco. A simplicidade e sinceridade de suas letras continuam as mesmas que lhe renderem a aclamação de crítica e público em "Golden hour", no entanto, o novo trabalho dialoga com um tipo de pop minimalista e elegante que une sons sintetizados a instrumentos orgânicos como guitarras e violão.

A produção assinada pela própria cantora ao lado de Daniel Tashian e Ian Fitchuk faz "Star-crossed" soar como um disco de transição. Aliás, o trabalho funciona como o encerramento de um ciclo, já que o álbum anterior foi escrito quando ela estava se apaixonando.

OLIVIA RODRIGO Por conta da temática, é difícil não comparar "Star-crossed" com "Sour" (2021), o álbum de Olivia Rodrigo, a nova grande promessa da música pop. As duas se assemelham até mesmo no jeito franco de expor sentimentos e situações da vida pessoal. Musgraves faz isso aos 33 anos com a carreira consolidada, e é possível sim que tenha influenciado o jeito que Olivia, de 18, compõe.
 
As duas pertencem a universos diferentes, mas é bem provável que concorram juntas nas categorias principais do próximo Grammy, em 2022.

Resta saber se Kacey Musgraves ainda será enquadrada na country music. Para quem começou na música incomodando muita gente que vê o gênero com certo conservadorismo, ela desabrochou rápido e partiu para uma estética própria. Em outras palavras: virou o jogo. E não é errado dizer que ela se tornou uma estrela pop para quem odeia música pop.

  • STAR-CROSSED
  • Kacey Musgraves 
  • 15 faixas
  • Universal/Interscope Records
  • Disponível nas plataformas digitais



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