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Estado de Minas

Fabrício Carpinejar debate a obra de Manoel de Barros

Cronista gaúcho Fabrício Carpinejar é o convidado do Letra em Cena On-line desta terça para refletir sobre a biografia e livros do poeta brasileiro


13/09/2021 04:00 - atualizado 13/09/2021 07:05

No encontro virtual, comentará as principais obras de Manoel de Barros, além de refletir sobre sua biografia (foto: Rodrigo Rocha/Divulgação)
No encontro virtual, comentará as principais obras de Manoel de Barros, além de refletir sobre sua biografia (foto: Rodrigo Rocha/Divulgação)

Muito embora também tenha sido advogado e fazendeiro, Manoel de Barros (1916-2014) ficou conhecido por sua obra poética. Ao longo de 97 anos de vida, ele publicou mais de 30 livros, foi reconhecido por premiações literárias importantes, como o Prêmio Jabuti, com o qual foi agraciado duas vezes, e chegou a ser considerado o poeta brasileiro mais aclamado da contemporaneidade. Apesar de ter publicado o primeiro livro, "Poemas concebidos sem Pecado", em 1937, sua obra só começou a ser descoberta de fato na década 1980.
 
Foi mais ou menos nessa época que o jornalista e cronista Fabrício Carpinejar conheceu o trabalho de Manoel de Barros por indicação de um amigo, o ator, jornalista e escritor Fausto Wolff (1940-2008). Ao ler a antologia "Gramática expositiva do chão: Poesia quase toda", editada em 1990, Carpinejar teve uma espécie de epifania e passou a dar tanto valor ao poeta que ele se tornou o tema de sua tese de mestrado, "Teologia do traste: a poesia do excesso de Manoel de Barros", defendida em 2002, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
 
Por isso, Carpinejar é o convidado da edição do Letra em Cena On-line, que acontece nesta terça-feira (14/09), às 20h, no canal do YouTube do Minas Tênis Clube. O escritor será entrevistado e debaterá a obra do poeta com o curador do projeto, o jornalista José Eduardo Gonçalves. O evento virtual ainda terá leitura de poemas pelo ator Odilon Esteves.
 
Segundo Carpinejar, Manoel de Barros é uma grande referência para seu trabalho com a escrita. "Ele era desinibido com as palavras, escrevia a partir de 'inutensílios' e tinha um encantamento pelo insignificante, pelo pouco. Tudo que não presta serve para sua poesia. Tudo que é abandonado e abjeto passa a ter significado para o poeta Manuel", explica.
 
No encontro, Carpinejar comentará as principais obras de Manoel de Barros, como "O livro sobre o nada" (1996), e também os acontecimentos de sua biografia, o que ajuda a compreender a trajetória do poeta no meio literário brasileiro.
 
"Ele ficou conhecido inicialmente como o poeta do Pantanal, escreveu versos em que os elementos regionais são apresentados de forma a exemplificar questões existenciais e se inspirava na realidade imediata que o cercava, especialmente na natureza. Manoel é dono de uma poesia telúrica, ele falava dos passarinhos, de todos os bichos e dos hábitos da mata. A gente pode dizer que ele se parecia com um personagem vivo de Guimarães Rosa", afirma. "A poesia do Manoel buscava reproduzir a fala das crianças. Ele era um poeta inventivo, com alto nível de sofisticação. Toda a sua poesia tem uma estrutura narrativa. Elas não são marcadas pela rima. Elas são marcadas pelas histórias que contam", acrescenta.

INFLUÊNCIA Autor de mais de 40 livros publicados, Fabrício Carpinejar afirma "não ter como não ser influenciado" por Manoel de Barros. "É uma influência consciente, feita de gratidão. Principalmente pela humanização da natureza, das pedras. O poeta é tudo o que enxerga, e a poesia é feita para incorporar tudo isso", diz.
 
Impulsionado pela admiração, Carpinejar virou amigo de Manoel de Barros quando o poeta ainda era vivo. Os dois chegaram a trocar cartas que o escritor guarda com muito carinho. "A letra dele era bem miúda, como se fossem formigas, e ele aproveitava todo o espaço da folha, a ponto de escrever nas margens", conta.
 
"Ele se impressionava com o significado das palavras, ele as cultivava, era um jardineiro das palavras. Para Manoel, elas foram feitas para serem habitadas. Por isso, em sua poesia, o sentido comanda o sentido, ou seja, o único jeito de conhecer as coisas é sendo as coisas, como disse (o poeta e romancista) Jorge de Lima: 'Como conhecer as coisas senão sendo-as?'", analisa.
 
E para quem quer começar a ler Manoel de Barro – ou mesmo lê-lo de forma diferente –, Carpinejar tem uma dica: "Leia em voz alta, e você será tomado pela potência das palavras. Elas vão te hipnotizar. Preste atenção nos personagens. Manoel sempre quer contar histórias".


  • LETRA EM CENA ON-LINE: COMO LER MANOEL DE BARROS 
  • Com Fabrício Carpinejar. Nesta terça (14/09), às 20h, no canal do YouTube do Minas Tênis Clube (youtube.com/minastcoficial)



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