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Musical 'Schmigadoon!', da Apple +, veste figurino de século 21

Série adota a leveza dos musicais que encantaram o mundo entre os anos 1940 e 1960, mas aborda machismo, a opressão das mulheres e homossexualidade


05/08/2021 04:00 - atualizado 05/08/2021 10:43

Na série Schmigadoon!, Melissa (Cecily Strong) e Josh (Keegan-Michael Key) ''discutem a relação'' no acampamento (foto: Apple TV /divulgação)
Na série Schmigadoon!, Melissa (Cecily Strong) e Josh (Keegan-Michael Key) ''discutem a relação'' no acampamento (foto: Apple TV /divulgação)

Quando as coisas estão ruins, não existe lugar melhor para se refugiar do que um musical. Na série “Schmigadoon!”, atração da plataforma Apple TV+, é meio o que ocorre com Josh (Keegan-Michael Key) e Melissa (Cecily Strong). O casal em crise vai passar o fim de semana num acampamento para se reaproximar e termina no meio de um musical à la “Brigadoon”, filme com Gene Kelly e Cyd Charisse lançado em 1954. Os dois não poderão sair até encontrar o amor verdadeiro.

Ninguém vai ver sinais de “Hamilton”, “O Livro de Mórmon” ou “Querido Evan Hansen” em “Schmigadoon!”. O seriado com seis capítulos é uma grande e bem-humorada homenagem aos musicais das décadas de 1940, 1950 e 1960.

SUFLÊ

Quando Josh, que odeia musicais, e Melissa, que adora, chegam à cidade, são recepcionados por moradores que cantam e dançam para expressar seus sentimentos, mesmo que seja simplesmente o amor por suflê de milho. Há muitas referências a clássicos do gênero, de “Oklahoma!” a “Carrossel”, passando por “No sul do Pacífico”, “Eles e elas” e “Sete noivas para sete irmãos”. Não que seja obrigatório ter visto algum deles, mas os fãs serão presenteados com algumas supresas que remetem a aqueles sucessos.

“Não é exatamente uma paródia, mas uma desconstrução dos musicais”, diz ator Keegan-Michael Key, que recentemente participou de duas produções do gênero: “A festa de formatura” e “Uma invenção de Natal”.

Mesmo se espelhando em musicais da era de ouro, “Schmigadoon!” é uma obra de 2021. “Para nós, era importante que o elenco não fosse como os dos filmes daquela época, mas que estivesse de acordo com os Estados Unidos de hoje”, diz Cinco Paul, produtor-executivo, showrunner e autor das músicas originais da série, conhecido por animações como “Meu malvado favorito”.

Paul é o criador da produção, dirigida por Barry Sonnenfeld em parceria com Ken Dario. Chama a atenção a diversidade do elenco, que conta com o mexicano Jaime Camil (de “Jane the virgin”) como o médico Lopez, Ariana DeBose no papel da professora Emma, e Ann Harada como a conformada Florence Menlove, mulher do prefeito.

Alguns temas tratados de maneira velada ou ignorados nos clássicos puderam ser explorados. “Homenageamos os musicais antigos, mas, como Keegan disse, é uma chance de desconstruí-los e de comentar aspectos que eram problemáticos, melhorando algumas coisas”, afirma Cinco Paul.

Alguns personagens são familiares, como a beata Mildred (Kristin Chenoweth), casada com o reverendo Layton (Fred Armisen), a ninfeta ingênua Betsy (Dove Cameron) e o rapaz que não quer compromisso (Aaron Tveit). O médico bonitão namora a Condessa (Jane Krakowski), como em “A noviça rebelde”, mas suas atitudes são colocadas em discussão.

''É a nossa carta de amor à Broadway''

Cecily Strong, atriz


GAY

Mildred é a antagonista e fica claro que Betsy é tratada de maneira machista. O prefeito Menlove (Alan Cumming), como o sobrenome indica, esconde sua orientação sexual.

O elenco é dos melhores. Chenoweth ganhou o prêmio Tony por “You’re a good man, Charlie Brown” e ficou famosa por “Wicked”. Krakowski levou o Tony por “Nine”. Cumming também ganhou do Tony, por seu papel em “Cabaret”.

Aaron Tveit fez “Hairspray” e “Moulin Rouge!” na Broadway, Ann Harada participou de “Avenue Q”, enquanto Ariana DeBose fez parte dos elencos de “Summer: The Donna Summer musical” e “Hamilton”. “Queríamos talentos musicais genuínos e variados, porque precisávamos que todos cantassem e dançassem de verdade”, explica Cinco Paul.

O diretor Barry Sonnelfeld revela um desafio adicional: “O tom da série é naturalista e teatral. Então, as interpretações tinham de ser tanto teatrais quanto naturalistas, e tivemos muita sorte porque todo o elenco se mostrou capaz.”

Foi ainda mais especial, pois a série foi rodada e lançada durante a pandemia, quando a Broadway estava fechada – a reabertura está prevista para setembro.

''Não é exatamente uma paródia, mas uma desconstrução dos musicais''

Keegan-Michael Key, ator


TERROR

“Ao andar em Nova York, vemos todos os teatros fechados. É triste ver a Broadway assim, mas conseguimos fazer um musical nesta época tão dura. Foi maravilhoso. É a nossa carta de amor à Broadway”, comenta Cecily Strong, que compara o atual momento a um filme de terror. “'Schmigadoon! é um lugar de sonho, onde gostaríamos de viver agora”, diz Cinco Paul.

É preciso ter coração muito duro para resistir à graça e à positividade da série, mais um acerto do Apple TV , que adoça a pandemia também com a animação musical “Central Park”. (Estadão Conteúdo)


“SCHMIGADOON!”
• Primeira temporada
• Seis episódios.
• Capítulos inéditos às sextas-feiras
• Apple TV


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