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Estado de Minas ARTES CÊNICAS

Festival Circo de Todo Mundo troca a lona pela internet

Nos fins de semana de junho, projeto promove apresentações em diversas técnicas circenses, seguidas de depoimento dos artistas


03/06/2021 04:00 - atualizado 02/06/2021 20:40

Ex-aluna e hoje professora do Circo de Todo Mundo, Tayuana Meneses apresenta um número de acrobacia aérea em homenagem a quem
Ex-aluna e hoje professora do Circo de Todo Mundo, Tayuana Meneses apresenta um número de acrobacia aérea em homenagem a quem "rebola" para sair da crise (foto: Natália Nogueira/Divulgação )
Acrobacia, malabarismo, palhaçaria, dança, música, equilibrismo e capoeira. Tudo isso, mas não sob a lona, e sim na vasta rede da internet é o que propõe o festival Circo de Todo Mundo, que começa nesta sexta-feira (4/6) e se estende até o próximo dia 27. Bate-papos sobre a importância do circo com profissionais do setor completam a programação. Os conteúdos serão disponibilizados todas as sextas, sábados e domingos deste mês, via YouTube

Iniciativa do projeto social mineiro Circo de Todo Mundo, viabilizado pela Lei Aldir Blanc, o festival tem curadoria de Rodrigo Robleño, de 54 anos, que atua há mais de 30 como palhaço e já fez parte do elenco do Cirque du Soleil entre 2006 e 2010. 

Avaliando o impacto da pandemia para o circo, Robleño diz: “O fato é que os circenses estão bastante abandonados. O que sabemos é que o circo de lona e os artistas de rua estão passando por um grande perrengue. A gente tem visto muitas pessoas vendendo seu material para sobreviver”.

Entre idas e vindas, o curador está envolvido com o Circo de Todo Mundo desde 1997. Criado em 1993, o projeto promove atividades que contribuem para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, a partir das artes circenses. Robleño comenta que diversos participantes do Circo de Todo Mundo se tornaram artistas com carreira sólida, assim como diversos profissionais renomados já integraram o corpo de docentes do projeto. 

Atualmente, o Circo de Todo Mundo mantém espaços artísticos e educativos em Nova Lima e Betim e, segundo Robleño, não conta com um apoio financeiro permanente, mas procura manter a relação com os jovens e atender as famílias vulneráveis com a distribuição de cestas básicas.

“Mas a situação está bem precária. É preciso reforçar essa parceria entre governo, setor privado e o terceiro setor. Isso já não era uma coisa tão forte, mas deu uma grande caída durante a pandemia”, lamenta.
O palhaço Rodrigo Robleño é o curador do festival, cujas apresentações têm entre 5 e 7 minutos de duração(foto: Carla Mesquita/Divulgação)
O palhaço Rodrigo Robleño é o curador do festival, cujas apresentações têm entre 5 e 7 minutos de duração (foto: Carla Mesquita/Divulgação)

 
CONVERSA 
A curadoria convidou artistas de diferentes cidades mineiras que têm relação com o projeto, incluindo ex-alunos e professores do Circo de Todo Mundo, como Tayuana Meneses, Fred Lima, Luana Coelho, a palhaça Luba e o palhaço Cacareco. 

A programação oferece 16 números circenses, de 5 a 7 minutos de duração. Ao final da performance, os artistas fazem um pequeno relato sobre a importância do circo na sua vida e na sociedade.

“O público vai quase conversar com a pessoa que fez o número. Isso não costuma acontecer num presencial, de uma forma tão rápida e direta”, comenta Robleño. Ele conta que deu liberdade para cada artista desenvolver sua proposta dentro do tempo previsto. A adaptação para o modelo audiovisual é um desafio para os profissionais do setor. 

“A primeira coisa foi estudar como ficar de frente para a câmera, que é o mais complicado. Para a gente, o melhor é o público cara a cara, o calor humano. Para a câmera a gente teve que fazer meio que um jogo”, afirma a acrobata Tayuana Meneses, de 23 anos. 

Ela apresenta o número de acrobacia aérea “Em minhas mãos”, gravado na área verde do Parque Edmeia Braga (Matinha do Ingá), onde está a sede do projeto, em Betim (MG). A performance será disponibilizada no canal de YouTube do Circo de Todo Mundo neste sábado (5/6), às 10h. 

“A gente pensou em gravar algo para o público se desenvolver na sociedade, com a ideia da pessoa que rebola e luta para buscar algo melhor”, conta Tayuana. Ela ingressou no Circo de Todo Mundo como aluna, aos 13 anos. Hoje, é professora de um projeto do coletivo aprovado na Lei Aldir Blanc e vai contar detalhes de sua trajetória no circo no depoimento exibido após a apresentação. 

“Falo que vim do projeto social Escola Integrada, onde conheci o circo. Quando encerrou o projeto, fui direto para essa área e não saí mais. Eu fui monitora, instrutora e agora sou professora. Diante da pandemia, acho que é importante levar alegria ao público, porque está tudo com uma energia tão pesada hoje, e trazer esperança”, afirma.  

Uma apresentação do violeiro Chico Lobo, em 27 de junho, e do Bloco Oficina Tambolelê, ainda sem data, são as atrações musicais confirmadas no festival. O bate-papo com Daniel Silveira, do Instituto Circo Vida (Uberlândia), abre a programação de lives sobre a importância do circo social nesta sexta-feira (5/6), com mediação de Rodrigo Robleño. 

Os debates serão realizados sempre às sextas, ao vivo, no YouTube. O professor e palestrante Tio Flávio (Belo Horizonte), a fundadora da Patrulha da Alegria/Palhaços de Hospital (Sete Lagoas), Andrea Godinho, e Luciene Nogueira, da Organização Cultural Ambiental – OCA (Ouro Preto) são os próximos convidados.

Festival Circo Para Todos
Nos fins de semana de junho, a partir desta sexta-feira (4/6). Toda sexta-feira, às 19h, bate-papo sobre circo social; aos sábados e domingos, às 10h e às 16h, transmissão dos números circenses. Programação disponível nas redes sociais do Circo de Todo Mundo. Transmissão via YouTube do projeto

*Estagiário sob supervisão



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