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Estado de Minas LITERATURA

Biblioteca de Israel exibe em site manuscritos e desenhos de Franz Kafka

Público tem acesso on-line ao material guardado por Max Brod, amigo do escritor tcheco que se recusou a queimar originais, como ele havia pedido


02/06/2021 04:00 - atualizado 02/06/2021 08:39

O curador Stefan Litt exibe manuscrito de Franz Kafka, guardado na Biblioteca Nacional de Israel(foto: Menahem Kahana/AFP)
O curador Stefan Litt exibe manuscrito de Franz Kafka, guardado na Biblioteca Nacional de Israel (foto: Menahem Kahana/AFP)
Cartas, manuscritos e desenhos do escritor tcheco Franz Kafka foram digitalizados e disponibilizados on-line ao público pela Biblioteca Nacional de Israel, que os recuperou após longa batalha judicial.

Na coleção inédita, existem cerca de 120 desenhos e mais de 200 cartas endereçadas ao escritor Max Brod. Entre elas, o original do testamento literário em que Kafka pede ao amigo para queimar todos os seus escritos, informa Stefan Litt, curador do projeto.

Após a morte de Kafka, em 1924, Brod decidiu não destruir os textos do amigo. Em 1939, ele deixou a Tchecoslováquia ocupada pelos nazistas e foi para Telavive, levando na bagagem os arquivos de Kafka.

Mais tarde, Max Brod publicou inúmeras obras do escritor tcheco, contribuindo para a fama póstuma dele, uma das principais figuras literárias do século 20.

A morte de Brod, em 1968, desencadeou verdadeira novela legal “kafkaniana”, que envolveu vários países, abalou o ambiente universitário e afetou fortemente os herdeiros dos dois amigos.

Por decisão de um tribunal suíço, parte dos arquivos, que se encontrava em um cofre naquele país, foi entregue à Biblioteca Nacional de Israel, em Jerusalém, em maio de 2019.

A maioria dos documentos recuperados já havia sido publicada por Brod, como o primeiro romance inacabado de Kafka, “Preparativos para um casamento no campo”.
Acervo guarda desenhos do autor de 'O processo'(foto: Menahem Kahana/AFP)
Acervo guarda desenhos do autor de 'O processo' (foto: Menahem Kahana/AFP)

Porém, duas surpresas aguardavam os arquivistas em Jerusalém. “Encontramos desenhos inéditos, sem assinatura ou data, mas que Brod guardou”, diz o curador Stefan Litt. Ali estavam um retrato da mãe de Kafka e um autorretrato.

O material, segundo Litt, incluía também “um caderno azul no qual Kafka havia escrito em hebraico, assinado 'K', sua rubrica usual”. Em um dos textos desse caderno, que data de 1920, ele pede ao professor de hebraico que não se irrite com suas falhas nos deveres de casa, “pois já estou zangado por nós dois.”

Apesar das descobertas, Litt lamentou que nenhum texto inédito tenha sido encontrado.


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