Publicidade

Estado de Minas AUDIOVISUAL

Mineiros desafiam a crise e investem no formato de curta-metragem

Sete títulos do estado participam do festival internacional Animarte!; casal de atores cria plataforma e atriz produz filme a partir de workshop


30/05/2021 04:00 - atualizado 29/05/2021 22:51

Giuliana Danza assina ''Tzinga'', clipe musical que mescla tradições africanas e russas (foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A.PRESS)
Giuliana Danza assina ''Tzinga'', clipe musical que mescla tradições africanas e russas (foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A.PRESS)

Belo Horizonte é a primeira capital do país a contar com um curso de graduação de cinema de animação. Mas muito antes de 2009, quando ele se formalizou na Escola de Belas-Artes da UFMG, a habilitação já era oferecida no curso de Artes Visuais da mesma instituição. Tanto que a cidade carrega há tempos uma tradição na formação de animadores, assim como mantém intensa produção no formato.

Sete curtas mineiros integram a programação da versão on-line do Festival Animarte.! Em sua 16ª edição, o evento, que nasceu voltado para a produção estudantil e hoje abriga também a de profissionais, exibe até o próximo dia 13 de junho um total de 452 filmes vindos de 60 países.

A produção mineira que integra o festival dividida em três seções. A mostra Estudantes Brasileiros Maxi conta com os títulos "A lenda do Sol e da tempestade", de Hugo Tortul Ferriolli e Victor Laildher do Amaral, e "Muda", de Isabella Pannain; na seção Culturas do Mundo estão “Faísca de pó”, de Jackson Abacatu , “Gato the cat – O gato sem botas”, de Paula Abreu, “Meu melhor amigo”, de Laly Cataguases, e “Tzinga”,  de Giuliana Danza; “Serf”, de Ramon Faria, faz parte da seleção Filme Ambiental.

Formada no final de 2020 na UFMG, Isabella Pannain realizou “Muda” como filme de graduação. Durante três semestres, ela desenvolveu o projeto, ao lado de outros colegas de curso. O curta de sete minutos acompanha Ana, uma garota teimosa que carrega sua mochila para todos os lugares. Uma mudança repentina vai trazer consequências para ela.

“Muda” contou com uma equipe de 16 pessoas. “A grande maioria era formada por estudantes. Os que não eram se voluntariaram. Na universidade, temos que entregar um cronograma de acordo com cada disciplina. Começamos com a história, ficha dos personagens, se vai precisar de dublagem, questões técnicas”, descreve Isabella, que já havia feito outro curta na UFMG.

DEMANDA

De acordo com ela, como cursos de graduação em cinema de animação ainda são raros no país, Belo Horizonte acabou se tornando um polo. “A nova geração, que está começando a trabalhar agora, é mais especializada, e ainda que o mercado esteja devagar, como a cultura em geral, existe mais demanda para animação do que alguns anos atrás.”

Também cria da UFMG, mas já com bons anos como profissionais, os animadores Giuliana Danza e Jackson Abacatu participam do Animarte! com curtas que têm a linguagem de clipe. “Tzinga” é mais um trabalho de Giuliana com o Grupo Serelepe. Nascido como um projeto de extensão da mesma universidade, o trio formado por Eugênio Tadeu, Reginaldo Santos e Gabriel Murilo se dedica há 15 anos à música para crianças.

“Tzinga” é uma língua inventada. Giuliana escolheu essa canção para fazer o vídeo para ter uma entrada mais fácil em festivais internacionais, “já que não requer legendagem”, conforme ela explica. Tanto que o trabalho estreou no início deste ano no festival britânico Lift-Off. No curta, o trio executa a canção enquanto interage com animações.

“A música traz a possibilidade da mistura da cultura africana com a russa. Então pensei na visualidade das babuskas russas (as bonecas de encaixe, também conhecidas como matrioskas)”, diz ela, que filmou o trio sobre uma tela verde e depois animou as bonecas, utilizando a técnica de stop-motion.

Formada na última turma da Belas-Artes antes da criação do curso de cinema de animação, Giuliana diz que, apesar de os editais públicos para a produção audiovisual terem diminuído muito nos últimos anos, existe uma crescente produção on-line voltada para a publicidade e webséries.

Para “Faísca de pó”, curta para a música de Isabella Bretz, Jackson Abacatu trabalhou com várias técnicas. “Comecei com o processo de rotoscopia (filmou a cantora executando a música para que o registro servisse de referência) e depois incluí várias coisas. Pintura sobre papel, desenho sobre papel, tanto manual quanto digital. Ainda utilizei massinha, carvão e até pó de café. Foi um trabalho de experimentação de técnicas”, explica ele. “A animação traz infinitas possibilidades e a cada trabalho quero fazer uma técnica diferente”, diz.

16º. FESTIVAL ANIMarte!
Até 13 de junho, no animarte.kinow.tv. Acesso gratuito a estudantes e professores por meio de formulário na plataforma. Para o público em geral, passaporte válido durante todo o evento pelo preço único de R$ 25

Os atores Luciana Damasceno e Daniel Jaber criaram a plataforma Cardume, exclusiva para curtas-metragens(foto: LEANDRO COURI/EM/D.A.PRESS)
Os atores Luciana Damasceno e Daniel Jaber criaram a plataforma Cardume, exclusiva para curtas-metragens (foto: LEANDRO COURI/EM/D.A.PRESS)

A CASA DAS PEQUENAS HISTÓRIAS

A ambição é fazer uma espécie de Netflix dedicada aos curtas-metragens. Tomando o gigante do streaming como modelo, o casal de atores Daniel Jaber e Luciana Damasceno lançou no final de 2019 a Cardume, plataforma dedicada exclusivamente ao formato curta-metragem, com assinatura mensal e catálogo selecionado via curadoria.

“Como somos atores, acompanhávamos os festivais de cinema. Depois dos eventos, percebemos que a maior parte dos curtas desaparecia. A gente pensou em organizar os filmes e apresentá-los para as pessoas em um formato mais palatável, a partir da experiência de usuário que temos com a Netflix. Além disso, queríamos monetizar para fomentar o mercado e fazer a roda girar”, diz Daniel.

“Não quisemos fazer um modelo de aluguel por filme, como há em outros serviços de streaming, e sim colocar a assinatura a um preço acessível, para que tentássemos popularizar o formato curta. De uma maneira geral, a grande maioria dos curtas não tinha uma janela comercial para existirem depois do circuito de festivais”, afirma Luciana.

Atualmente, o catálogo da Cardume conta com aproximadamente 200 títulos, produzidos entre 2007 e 2021 e divididos em quase 50 categorias. “Temos uma comissão de 10 artistas audiovisuais, um grupo bastante heterogêneo de diretores, atores, roteiristas. Todos os filmes são avaliados por três pessoas, que dão notas em sete categorias. Caso atinja a nota mínima estabelecida para a seleção, ele entra para a plataforma”, explica Daniel.

Os filmes mais assistidos da Cardume até o momento são os documentários  “Boca de fogo” (2017), de Luciano Pérez Fernández, e “Ingrid” (2016), de Maick Hannder, e a animação “Lé com crê” (2018), de Cassandra Reis.

APLICATIVO

Ainda que prefiram não fornecer dados sobre o número de assinantes, Luciana e Daniel comentam que 82% são profissionais do audiovisual. “Era o público que estávamos buscando no momento inicial da plataforma. Já num segundo momento (e esperamos lançar o aplicativo até o final do ano) vamos buscar um público maior”, diz ele.

No início da empreitada, o casal pensou se seria viável manter a plataforma em Belo Horizonte. Com a pandemia, uma mudança para São Paulo passou a não ter sentido. “O audiovisual acontece muito em São Paulo, mas temos também uma vontade de querer romper o eixo e levar para a plataforma não só coisas feitas aqui, como também do Nordeste, Centro-Oeste”, comenta Luciana. 

Com parcerias com festivais e mostras, a Cardume lança no mês que vem seu primeiro edital para a produção de curtas. O projeto vencedor vai receber R$ 15 mil e serviços técnicos para a realização de um filme. “Queremos que os filmes sejam vistos, mas também temos uma vontade grande de que sejam produzidos mais curtas, tanto que pensamos na Cardume como uma comunidade para a difusão e a produção”, diz Daniel.

CARDUME
Acesso pelo cardume.tv.br. Assinatura mensal: R$ 5.


''Herança'', resultado de workshop de interpretação promovido pela atriz Rosana Dias, estreia hoje (foto: Trinus Produções/Divulgação)
''Herança'', resultado de workshop de interpretação promovido pela atriz Rosana Dias, estreia hoje (foto: Trinus Produções/Divulgação)

Crianças narram a vida na pandemia

Neste domingo (30/5), às 16h, será lançado o curta “Herança”, de Rosana Dias. Atriz mineira radicada no Rio de Janeiro criou um workshop de interpretação para cinema voltado para crianças. A iniciativa foi uma alternativa de trabalho para ela durante a pandemia. 

O projeto, que reuniu 25 meninos e meninas de diferentes regiões do país, resultou no filme de 16 minutos. “A partir das histórias que as crianças contaram sobre a pandemia, fiz o roteiro”, diz Rosana, que se surpreendeu com as conversas. 

Ela conta que ouviu dos meninos histórias positivas, pois muitos comentaram que receberam mais atenção dos pais no período da quarentena. O curta foi realizado remotamente, via Zoom, com cada criança em sua própria casa. O lançamento será no canal da atriz no YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCx2AnLdtv7zuYjGNhNHGGDw).


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade