Publicidade

Estado de Minas MÚSICA

Cantora Iaiá Drumond reúne 30 artistas de BH em seu disco-manifesto

Sérgio Pererê, Luiza Mitre, Marquim D'Morais, Fred Natalino e indígenas da etnia kariri-xocó participam do álbum independente, que reúne 12 faixas autorais


21/04/2021 06:00 - atualizado 21/04/2021 09:45

Em seu repertório, a compositora Iaiá Drumond defende a preservação do planeta e o respeito ao sagrado (foto: Rafael Freire/Divulgação)
Em seu repertório, a compositora Iaiá Drumond defende a preservação do planeta e o respeito ao sagrado (foto: Rafael Freire/Divulgação)

Transitar espontaneamente por vários universos musicais. Essa é a proposta do primeiro disco da cantora Iaiá Drumond, cujas 12 faixas autorais contam com a participação de cerca de 30 artistas. Entre eles estão Sérgio Pererê, em “Breve sentido do ser”, Marquim   D’Morais (“Jogo da vida”), indígenas da etnia kariri-xocó (“Ibra-Çari curumim”) e Luísa Mitre (“Matriz”).

A cantora explica que não está lançando propriamente um álbum, mas o manifesto de uma mulher que carrega consigo o anseio da arte. O título se refere a Gaia, em grego, trazendo dois alephs, letras dos alfabetos persa, hebreu e arábico que remetem a “um ponto onde estão todos os pontos do universo”. Atuante na cena artística de Belo Horizonte há mais de 20 anos, Iaiá faz parte do Coral Lírico de Minas Gerais.

A primeira faixa,“Yebá Belo”, fala da criação do mundo. “Yebá é a deusa da etnia dessana”, explica Iaiá. As canções se inspiram nos povos indígenas, na força da mulher e também falam dos desafios do planeta.

“Menina coragem”, por exemplo, traz a mãe aconselhando a filha. “Morena faceira” critica a objetificação feminina. “Canto para Oxum e Iemanjá” remete à cultura afro-brasileira, enquanto “Jogo da vida” reflete sobre a morte, e “Ferida” fala dos moradores de rua.


"Meu disco foi todo feito com artistas de BH. Às vezes, alguns querem fazer com pessoas de fora, porém temos pessoas altamente qualificadas e competentes em Minas"

Iaiá Drumond, cantora



Coral lírico 


Iaiá Drummond canta desde os 12 anos. Dedica sua vida à música, tanto no Coral Lírico quanto em projetos voltados para o repertório popular. O disco surgiu da necessidade de registrar a produção autoral dela. “Queria que as canções soassem como as penso. É muito difícil o artista independente gravar com frequência, não é uma coisa tão rápida assim”, observa.

A cantora e compositora convidou músicos que admira para o projeto. “A participação dessas pessoas mostra que não sou eu sozinha, mas que as coisas estão acontecendo na cidade (Belo Horizonte). Comecei a pré-produção em 2019 e a gravar em 2020, um mês antes da pandemia. Infelizmente, tive que parar e depois ir me adequando às normas de segurança para as pessoas terminarem de gravar.”

O projeto foi realizado no Estúdio Engenho pelo músico e produtor André Cabelo. “Meu disco foi todo feito com artistas de BH. Às vezes, alguns querem fazer com pessoas de fora, de outros estados, porém temos pessoas altamente qualificadas e competentes em Minas”, defende.

A base do disco é formada por piano, bateria e baixo. “No piano está o Fred Natalino, que fez os arranjos e a direção musical comigo. Na bateria e percussão está o Rafael Matos, que toca comigo há 12 anos. Sergio Rabelo gravou baixo e violoncelo”, informa. “Luísa Mitre criou o arranjo da música que fiz para a mulher, Nat Mitre fez outro para os berimbaus, e Sérgio Pererê cantou em outra. E assim por diante.”

Iaiá Drummond explica que o álbum tem uma narrativa: começa pela criação do mundo e a mulher que gera, passa pela chegada simbólica dos negros ao Brasil e caminha para o caos da metrópole.

“Duas músicas falam especificamente de coisas da cidade, do homem urbano se reconectando com o sagrado, seja ele qual for. A última fala do que seria o ideal de cidade mais justa e mais igualitária”, afirma.

O projeto da cantora e compositora é totalmente independente. “Fiz o disco a partir de uma campanha de financiamento colaborativo. Praticamente todos que participaram fazem parte da minha trajetória”, conta Iaiá. “São pessoas fortes e amigas que eu amo.”

Faixa a faixa




>> “YEBÁ BELO”
De Iaiá Drumond e Deh Muss
>> “IBIRA-ÇARI CURUMIM”
De Iaiá Drumond e Luis Fernando Assis
>> “MATRIZ”
De Iaiá Drumond
>> “MENINA CORAGEM”
De Iaiá Drumond e Sofia Cupertino
>> “MORENA FACEIRA”
De Leopoldina e Iaiá Drumond
>> “CANTO PARA OXUM E IEMANJÁ”
De Iaiá Drumond e Nath Rodrigues
>> “MENINO ANJO”
De Iaiá Drumond e Marquim D'Morais
>> “JOGO DA VIDA”
De Iaiá Drumond e Marquim D'Morais
>> “XEQUE-MATE”
De Iaiá Drumond e Marquim D'Morais
>> “FERIDA”
De Iaiá Drumond e Marquim D'Morais
>> “BREVE SENTIDO DO SER”
De Carlos D'Elia e Iaiá Drumond
>> “CIDADE SEM FIM”
De Iaiá Drumond e Glaucon Durães


(foto: Rafael Freire/Divulgação)
(foto: Rafael Freire/Divulgação)


De Iaiá Drumond


12 faixas
Independente
Disponível nas plataformas digitais


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade