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Estado de Minas CINEMA

Filme mostra por que o Paralamas é a banda mais unida do pop brasileiro

Documentário dirigido por Roberto Berliner aborda a forte conexão entre os músicos Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone com o empresário Zé Fortes


19/04/2021 04:00 - atualizado 19/04/2021 07:31

O empresário Zé Fortes, o
O empresário Zé Fortes, o "quarto" Paralama, João Barone e Bi Ribeiro relembram a história da banda (foto: TV Zero/divulgação)


“Os Paralamas são, para mim, como uma turma de rua, um time, uma família.” Registrado em vídeo, o depoimento de José Fortes, empresário da banda Paralamas do Sucesso, resume bem a relação de amizade entre ele, Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone. Tanto é que Fortes, embora não tenha qualquer aptidão musical, é considerado o quarto componente do grupo.
 
Esse fato, bastante comum no show business, chamou a atenção dos diretores Roberto Berliner e Paschoal Samora, que transformaram a história no documentário “Os quatro Paralamas”. Exibido em festivais em 2020, o filme estará em cartaz nesta segunda-feira (19/4), às 22h15, no canal Curta!, e também disponível na plataforma de streaming Netflix e no Curta! On.

BASTIDORES

Organizado de forma cronológica, o documentário produzido pela TV Zero conta a história do grupo por meio de imagens de shows e bastidores captadas ao longo dos últimos 38 anos. O ponto de partida é a apresentação no Circo Voador, no Rio de Janeiro, em 1983. Foi lá que Roberto Berliner conheceu os integrantes da banda, ainda iniciante na cena musical brasileira. Ali nasceu a relação de amizade que possibilitou ao diretor gravar momentos importantes da carreira de Herbert, Bi e Barone.
 
 Herbert Vianna foi tema de outro documentário de Roberto Berliner, lançado em 2009(foto: TV Zero/divulgação)
Herbert Vianna foi tema de outro documentário de Roberto Berliner, lançado em 2009 (foto: TV Zero/divulgação)
 
 
“Filmei-os assim como filmei outras bandas que passaram pelo Rock Voador, projeto do Circo em que tocavam grupos iniciantes da época. Entre elas estavam os Paralamas, que pareciam mais comportados, mas tinham um som pesado”, recorda Berliner.
 
A relação com o trio – ou quarteto – ficou mais estreita depois do convite para dirigir o clipe da música “Alagados”, faixa do álbum “Selvagem?” (1986). Segundo Berliner, a produção foi um “divisor de águas” para firmar a proximidade com os Paralamas.
 
“Eles não gostavam de interpretar personagens, então a gente recorreu a uma abordagem documental para o clipe. Isso contribuiu muito para o meu estilo de cinema e também para a estética da banda. Eles eram despojados, não usavam figurino, mas sabiam lidar com o fato de que estavam sendo gravados”, explica.
 
Sempre com a câmera na mão, Berliner captou algumas das principais passagens da trajetória dos Paralamas do Sucesso, como a histórica apresentação no Rock in Rio de 1985, a turnê pela Argentina nos anos 1990 e o amadurecimento musical e pessoal de cada um.
Entretanto, é nos momentos de descontração que o trio e o empresário José Fortes mostram o espírito de união que se tornou a marca da banda. “Muito do filme vem desses pequenos nadas que foram se acumulando ao longo dos anos em que pude acompanhá-los. Agora eles ganham uma imponência”, afirma.
 
 
 

"Quando Herbert estava no hospital, todo mundo se mobilizou. Ali, todos nós mudamos muito, nossa juventude mudou, representou uma ruptura. Éramos todos de um jeito e ficamos diferentes. Foi tudo muito impactante"

Roberto Berliner, cineasta

 
 
Para contrapor imagens de arquivo com registros atuais, Roberto Berliner reuniu Herbert, Bi e Barone no início de 2020. Em clima descontraído, o trio relembra acontecimentos da própria história, além de tocar canções que marcaram a carreira da banda.
 
“Nossa ideia foi deixá-los numa situação confortável para conversar sobre as memórias do passado. Acaba que também funcionou como uma maneira de aproximá-los de quem assiste”, avalia Berliner.
A passagem mais tocante do filme é quando os quatro comentam o acidente aéreo que matou Lucy Needham, mulher de Herbert Vianna, e o deixou paraplégico. Em fevereiro de 2001, o ultraleve que o músico pilotava caiu no mar após a tentativa de executar um looping. Lucy morreu na hora, e Herbert ficou internado durante 44 dias, parte deles em coma.
 
Visivelmente emocionado, Zé Fortes relembra que os médicos chegaram a afirmar que o músico tinha poucas chances de sobreviver.
 
Roberto Berliner relembra o acidente com pesar. “Foi um momento-chave para a história deles. Quando Herbert estava no hospital, todo mundo se mobilizou. Ali, todos nós mudamos muito, nossa juventude mudou, representou uma ruptura. Éramos todos de um jeito e ficamos diferentes. Foi tudo muito impactante”, recorda.

terapia “Na primeira vez em que entrei no quarto depois que ele saiu do coma, me chamou muito a atenção a maneira como Herbert misturava português, inglês e espanhol, mas rimando as palavras. Peguei a câmera e registrei aquele momento”, revela.
 
Essas imagens fizeram parte do documentário “Herbert de perto”, lançado em 2009. “Depois de assistir, ele me disse que o filme valeu mais do que mil sessões de análise. Foi muito lindo isso”, conta Berliner.
 
Em determinado momento do novo documentário, João Barone define os companheiros: “No fundo, a gente é um bando de moleques. Ou um bando de velhos se achando moleques.”
Os quatro também falam sobre a sólida relação que mantêm desde 1982. “Nunca pensei em ver a banda acabar. Nem no acidente do Herbert. Os nossos maiores amigos entre nós quatro somos nós quatro. Isso é raro, vivemos juntos mais do que uma família”, diz o empresário Zé Fortes.

CONEXÃO

“São quatro amigos que se juntaram para formar uma banda de sucesso”, analisa Roberto Berliner. “Além do talento, eles têm uma amizade que, para mim, é muito inspiradora. Eles se protegem juntos, se fortalecem juntos. Além da potência musical, tem essa coisa linda que eles criaram, uma relação de família mesmo.”
 
O diretor tem uma conexão especial com a banda. “Falar deles é falar um pouco de mim. Sou amigo, fã e admirador dessa amizade. Conheci a minha mulher num show deles, que estão presentes em vários momentos da nossa história.”
 
Por isso, a codireção de Paschoal Samora trouxe o distanciamento necessário para o novo filme. Berliner também destaca o trabalho do montador e roteirista Arthur Frazão, do fotógrafo Jacques Cheuichedo e do produtor executivo Leonardo Ribeiro.
 
Dono de um arquivo bastante robusto de imagens da banda, o diretor não descarta a possibilidade de abord ar a história dos Paralamas do Sucesso por outros prismas. “Esse filme me deu a certeza de que, muito em breve, vou voltar ao tema.”
 


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