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Estado de Minas LITERATURA

Fliaraxá promove batalhas de slam em homenagem a Carolina Maria de Jesus

Disputa de poesia falada relembra a trajetória da autora de 'Quarto de despejo'. Mineira é considerada uma das escritoras negras mais importantes do Brasil


22/03/2021 04:00 - atualizado 22/03/2021 07:45

A slammer Lúcia Helena Santos Oliveira diz que a obra de Carolina de Jesus foi um aprendizado para ela(foto: Lucas Cardoso/divulgação)
A slammer Lúcia Helena Santos Oliveira diz que a obra de Carolina de Jesus foi um aprendizado para ela (foto: Lucas Cardoso/divulgação)
Carolina Maria de Jesus (1914-1977), que está entre as escritoras negras mais importantes do Brasil, é tema da batalha de slam (campeonato de poesia falada) que será realizada de hoje (22/3) a sexta-feira (26/3), na programação complementar do 9º Festival Literário de Araxá (Fliaraxá), cujas atividades ocorreram em outubro do ano passado.

“Ler a obra dela me mostrou a consciência política tremenda nos anos 1950, coisas que eu nem imaginava. Por meio do livro de Carolina, dá para fazer um debate historiográfico incrível”, afirma Lúcia Helena dos Santos Oliveira, empolgada em homenagear a autora de “Quarto de despejo: Diário de uma favelada”, livro lançado em 1960 que se tornou best-seller mundial.

PERIFERIA


“A temática da Carolina é muito parecida com a minha. Ela fala sobre a questão racial e política, sobre a realidade nas periferias”, diz Lúcia, que iniciou sua trajetória como slammer em 2018. No ano seguinte, venceu sua primeira batalha no Slam Zumbi dos Palmares, promovido em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro.

A primeira edição do Slam para Carolina ocorreu em 2019, a partir da parceria entre os projetos “Hora do Rap” e “Nômade Slam”, organizados por Denis Balduino e Alessandro Dornelos.

“O projeto ‘Nômade Slam’ leva a batalha de poesia para cidades que ainda não a conhecem. A primeira delas foi Sacramento, terra natal de Carolina de Jesus, onde se iniciou o movimento 'Hora do Rap'”, conta Denis Balduino. “Como o Alessandro Dornelos costuma dizer, a gente dedica todas as palavras à nossa rainha negra e heroína”, diz ele.

A disputa é aberta com um grito de guerra: “Rainha negra heroína!”. O público responde: “Slam para Carolina!”. Ao comentar esse ritual, Denis Balduino confessa: “Arrepio só de pensar”.

“Slam é a maneira mais democrática de você falar exatamente aquilo que está no seu coração. Qualquer pessoa é livre para falar o que quiser, da maneira que quiser, e recitar sua poesia”, diz  Wellington Sabino, outro participante da batalha de versos.

Pela primeira vez, o Fliaraxá apresentará o slam. Além de Wellington e Lúcia Helena, participarão do evento Laira Arvelos, Matheus Pierre, Edson Militão, Preta Poeta (Natália Pinheiro), Luciene Oliveira, Treta (João Paulo), Lechay Drunk, Poeta Zezinho (José Belisario Pereira) e Héli Marília.

A agenda complementar do Fliaraxá prevê também bate-papos com representantes dos setores de música, dança e teatro sobre temas relacionados ao universo literário. Um mural estará montado em frente à biblioteca municipal de Araxá. As transmissões ao vivo poderão ser acompanhadas no canal do festival no YouTube.

FAVELA


Carolina Maria de Jesus, que será a patrona da edição do Fliaraxá de 2021, nasceu numa família de negros analfabetos em Sacramento, no Triângulo Mineiro. Em 1947, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como catadora de papel e empregada doméstica.

Moradora da favela do Canindé, na região norte da capital paulista, relatou em seu diário o dia a dia daquela comunidade. Descobertos pelo jornalista Audálio Dantas, os escritos da mineira deram origem a “Quarto de despejo”, que vendeu mais de 1 milhão de exemplares, foi traduzido para 14 idiomas e está entre os livros brasileiros mais conhecidos no exterior.

A autora mineira lançou também “Casa de alvenaria” (1961), “Pedaços de fome” (1963) e “Provérbios” (1963). Depois de sua morte, foram publicados “Diário de Bitita” (1982), “Meu estranho diário” (1996) e o volume de poemas “Antologia pessoal” (1996), além de inúmeros estudos sobre a obra e a trajetória de Carolina.

*Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

AO VIVO


Disputa de poesia falada, o slam surgiu nos Estados Unidos, na década de 1980. Nos anos 2000, chegou ao Brasil por meio da atriz e poeta Roberta Estrela D’Alva, com a criação do ZAPslam!, em São Paulo. Competidores declamam poemas autorais, muitas vezes improvisados na hora, disputando notas de zero a 10, concedidas por jurados selecionados na plateia. Cada apresentação costuma ter três minutos, no máximo.

PÓS-FLIARAXÁ

» HOJE (22/3)
19h: Bate-papo sobre a transversalidade entre música e literatura. Com a cantora, compositora e atriz Maíra Baldaia. Moderadora: Simone Paulino

» TERÇA (22/3)
19h: Bate-papo sobre o tema “De Drummond a Guimarães Rosa, a literatura e o funk”. Com o músico, ator e arte-educador Kdu dos Anjos, criador do Centro Cultural Lá da Favelinha. Moderador: 
Rafael Nolli

» QUINTA (25/3)
20h: Bate-papo sobre o tema “Suassuna, Chico Buarque e o sertão no palco”, com a banda Barca dos Corações Partidos. Moderador: Afonso Borges

» SEXTA (26/3)
20h: Lançamento do vídeo “Arte para Carolina”, de Ton Lima e Matheus Black

Gratuito. Transmissão ao vivo em www.youtube.com/fliaraxá 

BATALHA DE SLAM

Promoção do Fliaraxá. Hoje (22/3), terça (23/3) e quarta (24/3), às 20h. Sexta-feira (26/3), às 19h, serão anunciados os vencedores. Gratuito. Transmissão ao vivo em www.youtube.com/fliaraxá 


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