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Estado de Minas DE GRAÇA

Festival Virtuosi estreia no formato virtual e dá aula de música clássica

Peça de Bach, 'Chaconne' ganha versão inédita do bailarino Thiago Soares e do violista Rafaell Altino. Evento oferece concertos, palestras e masterclasses


16/03/2021 04:00 - atualizado 16/03/2021 07:35

Marcelo Jaffé faz concerto de viola e explicará o surgimento do quarteto de cordas(foto: Caroline Bittencourt/divulgação)
Marcelo Jaffé faz concerto de viola e explicará o surgimento do quarteto de cordas (foto: Caroline Bittencourt/divulgação)
Estreando em formato digital com transmissão gratuita via YouTube, Instagram e Facebook, o Festival Virtuosi chega à 23ª edição reunindo destaques da música clássica de vários países. Desta terça-feira (16/3) a 28 de março, o evento oferecerá 12 concertos, gravados previamente, além seis palestras e cinco masterclasses ao vivo.

Sob o comando do professor Sérgio Barza, o projeto Virtuosi Diálogos Virtuais abre a programação, com debates de hoje a quinta-feira (18/3), às 19h, sobre os temas “Falando de música a partir do som e elementos do discurso musical”, “Traçando a evolução da música a partir da história e estética musical” e “Como ouvimos música hoje? Desafios da escuta e compreensão no século 21”.
 
Na sexta-feira (19/3), começam os concertos. A abertura, às 19h, contará com Thiago Soares, ex-primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres, que também é professor e coreógrafo. Acompanhado por Rafaell Altino (viola) – cada um de sua casa –, o carioca apresentará coreografia inédita para “Chaconne”, de Johann Sebastian Bach.

O festival terá Peter Laul, Ragazze Quartet, Isaac Duarte, Jonathan Crow, Leonardo Altino, Soh-Hyun e Catalin Rotaru, entre outras atrações.

“Era para fazermos o Virtuosi em 2020, mas não tínhamos recursos. Ficou para este mês de março e espero fazer a 24ª edição em dezembro, para não perder o ano. Nunca tivemos essa descontinuidade. Não foi fácil realizar o Virtuosi virtual”, conta a pianista e produtora Ana Lúcia Altino, obrigada a lidar com curadoria a distância e com as novas tecnologias. “Mesmo não sendo presencial, estamos felizes em poder realizá-lo”, diz a organizadora do evento. O projeto foi viabilizado pela Lei Aldir Blanc e Sistema de Incentivo à Cultura da Prefeitura Municipal do Recife.

O formato virtual é um desafio. “Será apresentada a 'Chaconne', de Bach, na viola, porém o violista estará lá na Dinamarca e o bailarino no Rio de Janeiro. A tecnologia permite isso. O virtual pode ser visto no mundo inteiro. É uma grande vantagem sobre o presencial”, observa.

Ana Lúcia destaca a participação do pianista russo Peter Laul, às 19h de sábado (20/3), interpretando a “Sonata para piano”, de Beethoven. “Ele vai comentar sobre a pandemia e revelará como conseguiu transformar seu piano e a sala de sua casa em concert hall. Peter gravou Tchaikovsky e coisas incríveis, tudo no streaming, algo que nunca imaginou ser possível”, adianta.

No dia 28, haverá a apresentação do grupo holandês Ragazze Quartet, encarregado da “Retrospectiva Virtuosi”.

Masterclasses reunirão professores pernambucanos que trabalham nos Estados Unidos, Europa e Canadá. Entre as palestras, a produtora destaca a da compositora Maria Resende, na terça (23/3), às 15h, sobre “Interpretação musical e a subjetividade”, e a do violista Marcelo Jaffé, na segunda-feira (22/3), às 15h, que explicará o funcionamento de um quarteto de cordas. “Outra palestra interessante será a da violinista coreana Soh-Hyun, no dia 26, às 15h”, completa Ana Lúcia.

O paulista Marcelo Jaffé destaca o papel do quarteto de cordas no universo da música de concerto, reunindo dois violinos, viola e violoncelo. “É uma formação clássica, do mesmo jeito que guitarra, baixo, bateria e piano. Vou explicar de onde ele veio e a relação dos instrumentos com as vozes humanas”, adianta.

Violinos remetem às vozes femininas, diz Jaffé. “A viola corresponderia a uma voz masculina aguda e o violoncelo à grave, como se fosse um conjunto vocal. Estamos falando de música ocidental, cujo berço é a Igreja, o Barroco e a Renascença”, explica.

Música de câmera

Inicialmente, os instrumentos chegaram para apoiar as vozes. “Coloca-se um violino agudo tocando com uma voz aguda, um mais grave tocando com a voz feminina mais grave, soprano, contralto, tenor e barítono. Aos poucos, essa música começou a conquistar espaço. No começo, os padres achavam aquilo estranho, pois temiam que os fiéis prestassem mais atenção na música, o que poderia tirar o foco do divino.”

Aos poucos, essa criação extrapolou os limites da Igreja Católica. “Nasce assim a música de câmera. Câmera é quarto, em italiano, aquela música que você faz em casa. Então, existe a música da igreja e a de casa, vamos assim dizer. A partir de 1700, surgiram as composições para a formação composta por dois violinos, viola e violoncelo”, conclui Jaffé.

23º VIRTUOSI VIRTUAL
De hoje (16/3) a 28/3, com concertos, palestras, masterclasses e oficinas de música clássica. Transmissão gratuita via YouTube, Instagram e Facebook. Programação completa neste site.


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