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Estado de Minas PREMIAÇÃO

Denúncias de suborno arranham a imagem do Globo de Ouro

Reportagens e depoimentos de ex-funcionários põem em xeque lisura das escolhas, com acusação de privilégios


28/02/2021 04:00 - atualizado 28/02/2021 08:54

Lily Collins está em
Lily Collins está em "Emily em Paris", cujas indicações são questionadas (foto: CAROLE BETHUEL/NETFLIX/DIVULGAÇÃO)

Sucesso da Netflix em 2020, “Emily em Paris” recebeu duas indicações na categoria de comédia: como melhor série e atriz, para Lilly Collins. Já quando do anúncio dos nomeados houve polêmica, pois uma produção da HBO, “I may destroy you”, tida pela crítica especializada como uma das melhores séries deste início de década, foi ignorada pelo Globo de Ouro.

A bafafá se tornou um escândalo após reportagem recente do “Los Angeles Times” denunciando suborno integrantes da Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood (HFPA). De acordo com o jornal, em 2019, a Paramount Network, que produziu “Emily in Paris”, deu a 30 eleitores do Globo de Ouro (um terço dos votantes) uma visita de luxo ao set de gravações.

A viagem para a França incluiu “uma estadia de duas noites no hotel cinco estrelas The Peninsula Paris, onde os quartos custam atualmente cerca de US$ 1,4 mil por noite (cerca de R$ 7,6 mil), além de uma entrevista coletiva e almoço no Musée des Arts Forains, um museu privado repleto de brinquedos de diversões que datam de 1850, onde a série foi filmada. ”

“Eles nos trataram como reis e rainhas”, disse ao “Times” um integrante que participou da viagem. A reportagem destaca que a HFPA proíbe que seus membros aceitem presentes de estúdios e produtoras que custem mais de US$ 125 (R$ 680). Ainda destaca que os associados têm sido retratados como “obcecados por celebridades, trocando votos por vantagens e acesso, e minando qualquer noção de credibilidade jornalística”.

Um representante do grupo disse ao jornal: “Nenhuma dessas alegações jamais foi provada em tribunal ou em qualquer investigação e elas refletem um preconceito inconsciente contra os membros diversos da HFPA”.

A história só ganhou mais vulto após um texto em primeira pessoa publicado no britânico “The Guardian”, em que Deborah Copaken, roteirista de “Emily em Paris”, criticou a nomeação de sua série e o desprezo por “I may destroy you”. “Eu pude ver como um programa sobre um americano branco vendendo luxo branco, em uma Paris pré-pandêmica livre de suas vibrantes comunidades africanas e muçulmanas, pode irritar”. Escreveu ela, que considera a série de HBO seu “programa favorito de todos os tempos”.

REPUTAÇÃO EM XEQUE 


Em 2015, também às vésperas da cerimônia, o jornal “New York Post” publicou reportagem listando histórias que mostram por que o Globo de Ouro havia sido apelidado de “Subornos de Ouro”.

Em 2013, a HFPA foi processada pelo jornalista Michael Russell, que integrou a associação por 17 anos. Russell disse que foi demitido porque tentou combater a corrupção na entidade. Segundo ele, os membros com frequência aceitavam dinheiro, viagens e presentes de estúdios de cinema em troca de indicações no Globo de Ouro.

A reportagem, entre outros episódios, citou os filmes “O turista” (com Angelina Jolie e Johnny Depp) e “Burlesque” (com Christina Aguilera e Cher) – que receberam críticas bastante negativas, mas levaram três indicações cada um – como casos envolvendo suborno.








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