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Estado de Minas LITERATURA

Autora chilena María José Ferrada revela às crianças a vida como ela é

Livros lançados no Brasil falam de violência, ditadura e preconceito contra idosos, estimulando o leitor, desde pequeno, a refletir sobre problemas sociais


09/02/2021 04:00 - atualizado 09/02/2021 08:15

A chilena María José Ferrada escreve sobre violência para as crianças (foto: Internet/reprodução)
A chilena María José Ferrada escreve sobre violência para as crianças (foto: Internet/reprodução)

Com o objetivo de estimular a reflexão, a chilena María José Ferrada escreve obras infantis. Nos três livros lançados recentemente no Brasil – Crianças, Meu bairro e Mexique: O nome do navio, ela faz questão de abordar temas atuais, duros, sob perspectivas que levantem o debate.

“Procuro encontrar imagens e uma linguagem simples que sejam confortáveis e especialmente próximas da criança. Parto da convicção de que elas fazem as mesmas perguntas dos adultos, que também estão expostas à realidade violenta. A vida tem coisas boas e terríveis também para as crianças. Meus livros pretendem acompanhá-las em suas reflexões. Um livro não muda a realidade, mas pode abrir espaço para observá-la mais de perto”, avalia.

GENOCÍDIO

Ferrada aborda genocídio infantil, refugiados de guerra e a velhice em seus livros. Em Crianças, ela conta a história de 34 menores de 14 anos vítimas da ditadura militar chilena. “Era e ainda é uma homenagem pendente. Os nomes desses meninos e meninas aparecem nos relatórios oficiais do Estado, mas ao lado de outros três mil nomes. Não há separação indicando que, no momento em que eles foram executados ou desapareceram, eram crianças. Essa história, embora escrita nos livros oficiais, continua marginal e desconhecida”, explica.

María José narra quem foram essas crianças em uma espécie de poema descritivo. “Elas brincam com seus bichinhos, ouvem a voz da mãe e os passos do amigo imaginário, pois essas são as coisas que as crianças devem fazer”, comenta a autora. O livro tem ilustrações de María Elena Valdez. “Os desenhos dão à obra a ternura necessária para lidar com essas difíceis questões”, completa.

O lançamento de Crianças no Brasil ganha importância ainda maior diante do assassinato de meninos e meninas nas favelas, principalmente no Rio de Janeiro. A escritora e jornalista diz que a violência contra as crianças se tornou problema universal.

“Falo sobre a violência da qual crianças foram vítimas com a intenção de que pensemos no que podemos fazer para mudar as coisas. É um livro que procura nos perguntar: o que acho da violência? E a violência na sala de aula?”, diz María José.

Mexique: O nome do navio narra a história das 456 crianças a bordo do navio que zarpou de Bordeaux, na França, rumo ao México, em 1937. Elas ficaram conhecidas como “crianças de Morelia”, filhas de republicanos espanhóis refugiados da Segunda Guerra Mundial. O livro tem ilustrações de Anna Penyas.

Em Meu bairro, a chilena trata das mulheres idosas a partir da perspectiva de dona Marta,  personagem que representa várias pessoas de sua comunidade. O livro fala, sobretudo, de preconceito. “O sistema nos leva a acreditar que se deixamos de ser produtivos, não temos mais importância. Ou que a mulher mais velha só pode ser uma boa avó para seus netos. Acontece que não, elaa pode se divertir com as amigas, jogar baralho e ir ao cabeleireiro, pois quer ficar bonita”, conclui.

(foto: Pallas Mini/reprodução)
(foto: Pallas Mini/reprodução)

CRIANÇAS
• De María José Ferrada
• Ilustração: María Elena Valdez
• Pallas Mini
• 96 páginas
• R$ 53

(foto: Pallas Mini/reprodução)
(foto: Pallas Mini/reprodução)

MEXIQUE: O NOME DO NAVIO
• De María José Ferrada
• Ilustração: Ana Penyas
• Pallas Mini
• 32 páginas
• R$ 54

(foto: Pallas Mini/reprodução)
(foto: Pallas Mini/reprodução)

MEU BAIRRO
• De María José Ferrada
• Ilustração: Ana Penyas
• Pallas Mini
• 28 páginas
• R$ 48


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