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Estado de Minas 'NOVO NORMAL'

Filarmônica de Minas adapta agenda de 2021 às lições da pandemia

Convites a artistas do exterior ficarão para o segundo semestre, temporada de março a maio terá menos músicos no palco e transmissões on-line vão prosseguir


25/11/2020 04:00 - atualizado 25/11/2020 07:30

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresentou várias vezes sem plateia em 2020, mas não deixou de subir ao palco da Sala Minas Gerais(foto: Flora Silberschneider/Divulgação)
Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresentou várias vezes sem plateia em 2020, mas não deixou de subir ao palco da Sala Minas Gerais (foto: Flora Silberschneider/Divulgação)
Planejado como uma grande celebração dos 250 anos de nascimento de Ludwig van Beethoven (1770-1827), que ainda será tema de concertos programados até dezembro, 2020 foi sinônimo de aprendizado para a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Impactado pela pandemia, o grupo teve de se adequar e, em 2021, seguirá em frente dentro de uma nova realidade. A programação da próxima temporada tentará acompanhar a evolução das possibilidades de aglomeração ao longo do próximo ano.

Os primeiros eventos estão marcados para 4 e 5 de março. Beethoven estará na pauta com a Quinta sinfonia, ao lado do Concerto nº 1, de Bottesini, em homenagem aos 200 anos do compositor italiano. Haverá 57 apresentações na Sala Minas Gerais, incluindo as séries Presto e Veloce, que compartilham o mesmo programa de cada concerto, assim como ocorre com as séries Allegro e Vivace. Também prossegue o projeto Fora de série, que se dedica a contar a história da música orquestral.

DE NOVO

Por obra da COVID-19, a programação de 2020 não ocorreu como planejado. Com isso, as sinfonias de Beethoven serão repetidas em 2021. As oito primeiras estão previstas na agenda de março a novembro. A Nona sinfonia volta ao cartaz, mas fora do programa, em data a ser anunciada. Além disso, o repertório homenageará os 50 anos da morte de Stravinsky, o centenário do falecimento de Camille Saint-Saëns e os 125 da morte de Carlos Gomes.

“2020 nos pegou de surpresa. Começamos com uma expectativa grande, foi o quinto ano da Sala Minas Gerais, mas conseguimos, dentro da nova realidade, manter algum tipo de foco no aspecto mais básico, que era o aniversário de Beethoven, dentro do que foi possível colocar no palco. Fomos dançando conforme a música”, afirma o maestro Fabio Mechetti.

O regente titular da Filarmônica destaca a eficiência das transmissões digitais, especialmente durante atividades didáticas desenvolvidas pelo grupo. Projetos mesclando o presencial e o virtual, a princípio, devem ser mantidos em 2021, diante do cenário ainda incerto em relação à pandemia.

“Em 2021, estaremos preparados. Já sabemos como planejar. Esperamos uma surpresa positiva, uma outra realidade. Nossa aposta é numa temporada que se baseia naquilo que as pessoas esperam: o retorno à normalidade, ao presencial. Mas, ao mesmo tempo, vamos manter a outra aba do leque, o virtual, principalmente do ponto de vista acadêmico”, informa o maestro.

Apesar das incertezas, Mechetti confia em um segundo semestre de maiores possibilidades, com a Filarmônica musicalmente formatada para acompanhar essa evolução.

“Haverá oscilações da intensidade da pandemia, mas já sabemos que, provavelmente no segundo semestre, o impacto será maior em relação à vacina. Então, a maneira como a temporada foi planejada terá março, abril e maio numa realidade parecida com o momento atual”, explica Mechetti, referindo-se ao número reduzido de músicos no palco. De acordo com ele, a orquestra “vai crescer ao longo ano”, começando com formação menor nos primeiros concertos, como ocorre agora, e ampliando-se ao longo da agenda.
“A Fora de série começará com uma orquestra barroca, aumentando para rococó, depois para clássica. Em junho, avaliaremos se a evolução pode continuar. Não temos 100% de certeza sobre como as coisas estarão, mas é mais razoável do que este ano, quando tivemos de improvisar”, argumenta.

De acordo com ele, a programação dará oportunidade ao público de revisitar a obra de Beethoven, depois deste 2020 frustrante. “Logicamente, seria melhor que tudo corresse normalmente, mas o fato de ser um compositor que permite grande exploração da música sinfônica, de concerto, nos deu a possibilidade de programação consistente e artisticamente interessante. Os assinantes sentiram falta de vivenciar as sinfonias, então vamos repeti-las no ano que vem”, afirma.

Mechetti classifica Stravinsky como autor cujo legado “tem uma dinâmica de repertório que favorece obras grandes, assim como menores, com agrupamentos mais razoáveis, permitindo exploração parecida”. O outro homenageado de 2021, Carlos Gomes, será contemplado ciclo de gravações fonográficas Brasil em concerto, parceria da Filarmônica com o Itamaraty e o selo internacional Naxos.

LIMITAÇÃO

A presença de convidados na Sala Minas Gerais – tradição da Filarmônica – foi impactada pela pandemia. “Viajar ainda está difícil. Então, não é fácil trazer solistas de fora, são muitas limitações nos deslocamentos. Eles ficarão mais para o segundo semestre. Ao mesmo tempo, é importante valorizar nossos próprios músicos, que sofreram muito com a COVID-19, financeiramente ou na orquestra. Vamos trazer uma nova safra de jovens solistas e grandes nomes da música brasileira, como o pianista Arnaldo Cohen. Há um equilíbrio entre experientes e mais jovens, sempre valorizando a prata da casa”, explica Fabio Mechetti.

A transmissão de concertos poderá ser de grande valia, segundo o maestro, especialmente pela dificuldade de realizar turnês pelo interior de Minas e no país. Porém, o grande desejo é lotar a Sala Minas Gerais assim que for seguro.

“O que os assinantes mais querem é voltar para a Sala. Por melhor que sejam as transmissões digitais, música sinfônica deve ser apreciada ao vivo. A importância delas é mais pelo aspecto didático e para as pessoas que não têm acesso a BH do que pela fruição de concertos. Em 2021, poderemos trabalhar o híbrido, em que há o essencial para a orquestra, o contato com o público, esperando que ele possa se expandir, junto da possibilidade para aqueles que moram longe de assistir a uma orquestra ao vivo”, diz. Atualmente, a Sala Minas Gerais, com 1.493 lugares, recebe apenas 30% de sua capacidade.

''Nossa aposta é numa temporada que se baseia naquilo que as pessoas esperam: o retorno à normalidade, ao presencial. Mas vamos manter a outra aba do leque, o virtual''

Fábio Mechetti, regente titular da Filarmônica de Minas Gerais


ASSINATURAS

A renovação de assinaturas vai até 10 de dezembro de 2020, com o período de troca de assentos entre os dias 15 e 21. A partir de 28 de dezembro, será realizada a venda de novas assinaturas tanto por meio do site da Filarmônica ou na bilheteria da Sala Minas Gerais, que fica na Rua Tenente Brito Melo, 1.090, no Barro Preto.

A orquestra prepara-se para encerrar, até dezembro, este conturbado 2020 com sete apresentações, concluindo a Maratona Beethoven. Duas estão previstas para esta semana, com a presença do pianista Eduardo Monteiro e regência de Fabio Mechetti.

Os concertos serão transmitidos pelo canal da Filarmônica no YouTube. A Sala Minas Gerais receberá exclusivamente assinantes, seguindo protocolos sanitários.

MARATONA BEETHOVEN
Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Com Fabio Mechetti (regência) e Eduardo Monteiro (piano). Quinta (26) e sexta-feira (27), às 20h30, no YouTube. Informações: www.filarmonica.art.br


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