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Estado de Minas CHAPÉU ALHEIO

Carla Zambelli recua e apaga vídeo pró-Bolsonaro com trilha do Corpo

Publicação da deputada suscitou nota de repúdio dos compositores da trilha de 'Parabelo', Tom Zé e José Miguel Wisnik. Ela fez convocação a músicos nordestinos para colaborar


28/07/2020 04:00 - atualizado 27/07/2020 18:58

Xiquexique é a música composta por Tom Zé e José Miguel Wisnik para a coreografia Parabelo, de Rodrigo Pederneiras, que estreou em 1997 (foto: Grupo Corpo/Divulgação)
Xiquexique é a música composta por Tom Zé e José Miguel Wisnik para a coreografia Parabelo, de Rodrigo Pederneiras, que estreou em 1997 (foto: Grupo Corpo/Divulgação)
"Nada dos fatos altera a minha declaração feita. A questão continua em processo e a retirada do ar foi uma das primeiras providências que queríamos que acontecesse”, afirmou nesta segunda-feira (27) ao Estado de Minas o cantor e compositor José Miguel Wisnik.

O fato a que ele se refere foi a retirada, do canal do YouTube da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), do vídeo em que foram utilizados trechos da música Xiquexique (Wisnik e Tom Zé) para exaltar supostas ações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Nordeste.

Ao tomar conhecimento do material que contém a música criada para o espetáculo Parabelo (1997), do Grupo Corpo, Wisnik fez um vídeo de repúdio, publicado tanto em suas redes sociais quanto nas de Tom Zé e do Corpo.

“O vídeo procura construir a imagem de suposta ampla aceitação de Jair Bolsonaro no Nordeste, região onde, como sabemos, ele foi derrotado em todos os estados nas últimas eleições presidenciais”, afirma Wisnik.

Em sua fala, o compositor continua: “Trata-se de uma operação de construção de alavancagem da imagem de Jair Bolsonaro no Nordeste que quer tomar carona na nossa composição. Queremos declarar aqui que Parabelo não está à disposição desta utilização espúria e revoltante que vai contra tudo aquilo em que acreditamos e tudo o que a música representa, como alegria de viver, como força da cultura popular nordestina e como força da arte.”

Wisnik chamou a utilização da música de “apropriação repulsiva”. O compositor finalizou o vídeo dizendo que “o presidente tem seu próprio sanfoneiro”, uma referência às aparições que o presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, tem feito em lives de Bolsonaro, tocando sanfona.
Zambelli retirou o vídeo original do ar e publicou outro, com o título de Atenção, Nordeste. Tomando água de côco com um guarda-chuvas decorativo, a deputada afirmou que a utilização de 32 segundos de uma música, pela lei, não exige pagamento “de direito autoral nem autorização do artista”.

Sem em momento algum citar os nomes dos compositores e do Grupo Corpo, a deputada afirmou no vídeo que escolheu a canção “de bom grado, achando até que estivesse ajudando a divulgar o artista, que agora está fazendo uma nota de repúdio a mim”.

Zambelli propõe, no vídeo, o seguinte: “Nordestinos de todo o Brasil, que é o povo mais criativo desse país, mandem uma música pra gente, pra gente divulgar. Se tiver a ver com política, com Nordeste, com a seca que agora no sertão vai, se Deus quiser, florescer muito, melhor ainda.”


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