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Estado de Minas

Longa sobre romance gay gera protestos na Geórgia

'E então nós dançamos', em cartaz em BH, foi recebido com hostilidade no país em que foi rodado, mas se tornou o representante da Suécia no Oscar


postado em 22/12/2019 04:00 / atualizado em 21/12/2019 18:56

(foto: Zeta Filmes/Divulgação)
(foto: Zeta Filmes/Divulgação)

O longa-metragem E então nós dançamos, em cartaz em Belo Horizonte (Cine Belas Artes 2, 19h20), é sobre um jovem aspirante a integrar o Balé Nacional da Geórgia. O grupo não é apenas depositário de uma tradição de dança. É também responsável pela manutenção de valores tradicionais – a virilidade dos bailarinos está acima de qualquer discussão.Não há espaço para discussões de gênero. Ou o cara é macho, ou está fora. Merab (Levan Gelbakhiani) tem um envolvimento com uma garota da companhia, mas logo chega um novo bailarino, Irakli (Bachi Valishvili), e a relação entre os dois, que inicialmente é de rivalidade, evolui para um tórrido romance. Embora tenha concorrido a uma indicação para o Oscar pela Suécia, país natal do diretor Levan Akin, o filme foi rodado na Geórgia, terra de seus ascendentes."Foi o primeiro filme de temática LGBTQ rodado no país, e não foi nada fácil. Tentamos conseguir apoio para a produção, mas, tão logo souberam do nosso roteiro, os dirigentes do Balé Nacional fizeram de tudo para complicar nossa vida. Houve pressão sobre nossos atores e bailarinos. Foi preciso contratar seguranças", afirma o diretor.O filme estreou na Quinzena dos Realizadores, em Cannes, com boas críticas. Em Tbilisi, a capital da Geórgia, foi diferente. "Houve protestos de manifestantes que gritavam 'Vergonha' e 'Viva a Geórgia'. Chegaram a queimar bandeiras com a representação do arco-íris. Estão muito atrasados na questão dos direitos individuais e na discussão de gênero."

PROTESTOS 

Akin esclareceu que a legislação antigay foi banida em 2000 e que os protestos de grupos de direita e da Igreja Ortodoxa – que considerou o filme uma afronta aos valores cristãos e familiares – não foram encampados pelo governo. Para ele, o filme é sobre tradição versus modernidade, sobre o direito de ser e estar no mundo, "e isso é universal, ultrapassa rótulos".

Aos 40 anos,  Levan Akin tem em E então nós dançamos seu terceiro longa. Ele é diretor também de séries para a TV. Na entrevista, anterior ao anúncio dos pré-selecionados para o Oscar de Melhor Filme Internacional, feito na noite de segunda-feira passada (16), o diretor afirmou ter poucas expectativas de ver seu filme, representante da Suécia na corrida pela estatueta, entre os 10 escolhidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

De fato, E então nós dançamos, assim como o representante brasileiro A vida invisível, de Karim Aïnouz, ficou fora da disputa. Mas, segundo Akin, a campanha pela indicação já trouxe dividendos.  "Você conhece muitas pessoas interessantes, há muita troca de informação, e só o fato de pleitear a indicação já abre portas para possíveis produções. Já tinha ouvido falar num efeito Oscar, e é verdade."







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