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Estado de Minas COMBINAÇÃO PERIGOSA

Pode misturar álcool e medicamentos? Consumo de ambos requer cuidados

Especialista explica atuação e alterações no organismo com consumo de álcool e medicamentos; pesquisa aponta BH como capital que mais consumiu álcool em 2021


12/05/2022 15:55

Bares cheios
Mesmo com pandemia, BH foi capital onde mais se consumiu álcool em 2021 segundo pesquisa (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Se você é daqueles que não dispensa uma cervejinha ou algum drink, um tira-gosto e um bom papo com amigos ou quem sabe uma paquera, sabe que às vezes fica a dúvida se podemos misturar o consumo de bebidas alcoólicas com o de medicamentos. Essa é uma combinação perigosa e que requer cuidados, especialmente se você for um desses citados no início do texto e morar em Belo Horizonte. Entenda.

Uma pesquisa do Ministério da Saúde revelou que Belo Horizonte foi a capital que mais consumiu bebidas alcoólicas no ano de 2021. Os dados mostram que um a cada quatro moradores (25,20%) ingeriram mais de quatro doses em 30 dias, o que colocou a capital na liderança do ranking, seguida por Vitória (23,38%), no Espírito Santo, e Cuiabá (23,17%), no Mato Grosso.


Diante desses dados de consumo, uma das principais dúvidas que surgem para quem precisa tomar alguma medicação é: será que posso beber? Será que meu medicamento perde o efeito? Quais serão as consequências da interação da bebida com antidepressivos, por exemplo?

As consequências da interação entre álcool e medicamentos dependem de vários fatores. Entre eles está a composição do medicamento, o organismo do paciente e a quantidade de álcool ingerida. Por isso, de forma geral, a recomendação é evitar essa mistura, aponta Helbert Bontempo, farmacêutico e presidente da Regional Minas Gerais da Anfarmag, entidade responsável pelas farmácias de manipulação no Brasil. 

Quais os principais efeitos no organismo?

De acordo com o farmacêutico, o principal órgão prejudicado é o fígado, que metaboliza o álcool e grande parte dos medicamentos, ficando sobrecarregado. O álcool também afeta especialmente o sistema nervoso central, que comanda nossas ações, alterando substancialmente as capacidades cognitivas estruturais e comportamentais.

Como a bebida altera o metabolismo, o tempo de eliminação do medicamento será alterado, podendo ocorrer antes ou depois do previsto, com possibilidade de prejudicar o tratamento. Aumenta a gravidade quando são utilizadas drogas para tratar problemas neurológicos e psiquiátricos, pois o álcool em geral potencializa o efeito dessas substâncias.

Antibióticos

A mistura de alguns antibióticos e álcool, por sua vez, pode causar desde vômitos, taquicardia e até toxicidade hepática grave. "Essas reações podem acontecer com substâncias como, por exemplo, o metronidazol", diz o especialista.

Antidepressivos

"Antidepressivos agem diretamente no sistema nervoso central. Inicialmente, as bebidas alcoólicas aumentam o efeito do antidepressivo, deixando a pessoa mais estimulada; porém, após passar o efeito da bebida, os sintomas da depressão podem aumentar", explica Bontempo.

Ansiolíticos

"Já quando os ansiolíticos são misturados ao álcool aumenta o efeito sedativo, deixando a pessoa inabilitada para realizar atividades que necessitam de atenção, como operar máquinas ou equipamentos, além de ocasionar uma maior probabilidade de efeitos adversos graves, a exemplo de coma", detalha o farmacêutico.

Analgésicos e antitérmicos

"O efeito do álcool pode ser potencializado e a velocidade de eliminação do medicamento do organismo será maior, diminuindo seu efeito. Em alguns casos, o uso do álcool com paracetamol pode danificar o fígado, uma vez que ambos são metabolizados nesse órgão. Já a mistura com ácido acetilsalicílico pode causar, em casos extremos, hemorragia estomacal, pois ambos irritam a mucosa estomacal.

Portanto, na dúvida, a regra é: não misturar álcool com nenhum tipo de medicamento", destaca Bontempo.

Pesquisa também apontou consumo de homens e mulheres

O levantamento do Ministério da Saúde também levou em consideração os moradores das capitais brasileiras separados entre homens e mulheres. Para elas, foi observado as que consumiram quatro ou mais doses de bebidas alcóolicas. Para eles, os casos apontaram cinco ou mais doses.

Na separação por sexo, BH continua liderando a pesquisa com o consumo de álcool entre os homens: 36,21% dos belo-horizontinos consumiram bebidas alcoólicas no período e nas doses pesquisadas no levantamento.

No caso das mulheres, em primeiro lugar na lista das que mais ingeriram bebidas alcóolicas aparecem as moradoras de Florianópolis, em Santa Catarina: 17,55% delas se enquadraram no perfil do estudo. As mulheres de BH aparecem em quarto lugar.


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