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Estado de Minas BULLYING

'O bullying é uma epidemia': um tema que urge atenção dos brasileiros

Dia Nacional do Combate ao Bullying e à Violência na Escola, no dia 7 de abril, escancara a necessidade de agir contra essas práticas


05/04/2022 16:43 - atualizado 05/04/2022 17:24

Criança sendo atacada por bullying
Em 2022, o bullying segue como uma das violências mais comuns em escolas brasileiras (foto: Reprodução/Pixabay)

 

 

 

“O bullying é uma epidemia, ele acontece em toda escola brasileira”, foi assim que o professor, escritor e terapeuta Hugo Monteiro Ferreira explicou o tamanho do problema do bullying no Brasil atualmente. Todo ano em 7 de Abril, é celebrado o Dia do Combate ao Bullying e à Violência na Escola. Nesta mesma data, o escritor vai participar do projeto Sempre Um Papo para lançar “A Geração do Quarto: Quando Crianças e Adolescentes nos Ensinam a Amar”, da Editora Record. 


A conversa acontecerá virtualmente às 19h  pelo YouTube, Facebook e Instagram.


A data foi criada após o Massacre de Realengo, o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, Rio de Janeiro. Armado, começou a disparar contra os alunos dentro de uma das salas de aula. No ataque matou doze estudantes com idade entre 12 e 15 anos, além de ter deixado outros 20 feridos. O atirador, que havia sido vítima de bullying  quando aluno daquela escola em sua adolescência, cometeu suicídio logo após a ação.


O bullying como violência 


“Em média 3 a 4 crianças, cerca de 18,5% da população escolar se envolve com bullying 2 a 3 vezes por semana.” O professor argumenta que, infelizmente, hoje em dia o cyberbullying - prática que envolve o uso de tecnologias de informação e comunicação para dar apoio a comportamentos deliberados, repetidos e hostis praticados por um indivíduo ou grupo com a intenção de prejudicar o outro -  piora a situação drasticamente, a gravidade aumenta cerca de 70%. 


De acordo com ele, isso acontece porque anos atrás, um jovem que sofria bullying na escola, tinha o tormento apenas de segunda a sexta. Agora, com o acesso à internet, telefones em mãos e grupos de mensagens, é possível praticar a violência de qualquer lugar e a qualquer momento, e em alguns casos, de forma impune e anônima. 


“Ele pode ser feito em línguas diferentes, a longa distância, o cyberbullying é terrível. A matriz continua a mesma, é a tentativa de destruir aquilo que não é igual a mim, tenho raiva do que é diferente. O grande objetivo do bullying é a destruição da alteridade”, explica. 


Fenômeno da Geração Quarto


Em sua obra, Hugo busca apresentar sua tese da Geração Quarto, resultado de uma pesquisa com 3.115 meninos entre 11 e 18 anos. Deste grupo, 238 se enquadram na Geração Quarto, termo que o autor criou para denominar aqueles que “(..) passam muito tempo dentro desse cômodo, com quase nenhuma interlocução com as pessoas que moram na mesma casa, muita dificuldade de dizer o que sentem e um potencial de violência contra si ou contra o outro muito intenso, muito forte”.


No livro, o autor mostra como a ausência de afeto, nos casos em que as queixas das vítimas de bullying não são devidamente acolhidas, podem resultar aem sentimentos de vingança contra o outro ou contra si próprio na forma de autolesões, ideação suicida e suicídio. 

 

 

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Em entrevista para o Estado de Minas, ele argumenta ainda que o termo “quarto” é uma metáfora. Não necessariamente esse isolamento é por meio de um cômodo, mas sim a atitude de se fechar para aquela violência, de não saber expressar essa dor e pedir ajuda. 


“Na adolescência, há uma tendência ao isolamento, isso é natural. O que ocorre agora é que a geração quarto se isola em sofrimento profundo, porque há sofrimento, não sabe se comunicar verbalmente, face a face”, completa. Além disso, ele reforça que a Geração Quarto é um termômetro, por ela pode - se mensurar o quanto a sociedade adoeceu.


Livro em detalhes azuis e amarelos.
Capa do Livro %u201CA Geração do Quarto: Quando Crianças e Adolescentes Nos Ensinam a Amar%u201D (foto: Divulgação/Hugo Monteiro Ferreira)


Criando caminhos para acabar com a epidemia


Para o autor, os caminhos para acabar com essa epidemia do bullying passam por cinco pilares: cuidado; autoconhecimento; convivência; dialogicidade e amorosidade.

  

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 “É necessário que escola e família trabalhem consciência emocional, as crianças precisam saber lidar com elas. [...] A escola precisa ter um programa interno para trabalhar as questões emocionais. Depois, deve trabalhar o autocuidado, a autoestima. Alimentação, atividade física, qualidade das relações”, aconselha.


Ele reforça ainda que, o autoconhecimento tem uma relação direta com a ancestralidade. “A criança deve saber de onde veio, quem são seus familiares, qual sua matriz. Quando a criança conhece sua história, sua capacidade de se defender e não ofender é potencializada. A pessoa que tem consciência de si raramente é vítima de bullying”, opina. 


A convivência, de acordo com o Hugo, é a noção de respeitar as diferenças. Ainda mais na escola, em que coexistem vários grupos diferentes. Ademais, a dialogicidade tem relação com aprender a ouvir, ao exercício da escuta. “É preciso aprender a ouvir e ser ouvido, e para isso, é necessário falar, aprender a se comunicar sem violência. É sobre se expressar sem se violentar e sem violentar o outro."


Por último, a amorosidade são as emoções essenciais de serem trabalhadas, como a compaixão. “Sem ela, o indivíduo não consegue entender que todo mundo sofre assim como ele sofre, logo, sem essa compreensão, vem a vontade de fazer todo mundo sofrer igual ele sofre”, ressalta o autor. 


A função dos pais é de escuta


Hugo ressalta que é fundamental que os pais aprendam a ouvir os filhos. Porém, essa conversa tem que vir em forma de escuta, quando os pais ouvem sem opinar, aconselhar, julgar ou avaliar. 


“Tentar ouvir significa dar ao filho a liberdade dele falar o que pensa. Se os pais perceberem que os filhos estão iniciando o movimento da entrada no “quarto” ou demonstra algum tipo de comportamento que causa estranhamento, é preciso imediatamente começar a ouvir”, explica. 


Além disso, Hugo aconselha que os pais devem passar pelas instituições sociais que os filhos frequentam e fazem parte, não como forma de vigilância, mas com caráter de instrução e aconselhamento. “Antes de tudo, é necessário ser uma pessoa que vai realmente ouvir o filho, para que ele possa desenvolver os pilares essenciais.”


 

*Estagiária sob supervisão da subeditora Fernanda Borges  


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