Publicidade

Estado de Minas MEDULA ÓSSEA

O que é o mieloma múltiplo, câncer que matou Cristiana Lôbo

Jornalista da GloboNews morreu depois de uma pneumonia agravada pela doença que afeta as células do sangue


11/11/2021 12:40 - atualizado 11/11/2021 13:50

Cristiana Lôbo
Jornalista teve complicações com uma pneumonia agravada pelo câncer (foto: Reprodução/Instagram)

Câncer que atinge as células da medula óssea chamadas plasmócitos, o mieloma múltiplo é o problema que levou à morte a jornalista da GloboNews Cristiana Lôbo, na manhã desta quinta-feira (11/11), aos 63 anos.

Ela estava hospitalizada no Albert Einstein, em São Paulo, e a doença se agravou devido a uma pneumonia contraída nos últimos dias. A colunista e também comentarista de política já vinha lutando contra o câncer há mais tempo.

Os plasmócitos respondem pela produção de anticorpos que atuam contra vírus e bactérias, fundamentais para o bom funcionamento do sistema imunológico. Quando o mieloma múltiplo se manifesta, essas células têm a forma alterada e se multiplicam mais que o normal, o que afeta outras células do sangue.

Os chamados linfócitos B, presentes na medula óssea, quando expostos a um antígeno (corpo estranho), se transformam em plasmócitos, que produzem os anticorpos. A doença ocorre quando esse fenômeno de divisão celular se dá de forma errada, em uma explicação didática, gerando uma malignização do processo, com a formação de células defeituosas e tóxicas ao organismo. É o que esclarece o hematologista do Grupo Oncoclínicas Belo Horizonte Wellington Azevedo.

A princípio, os sinais do distúrbio são inespecíficos - pode haver dor e cansaço, palidez e perda de peso, por exemplo - e por isso detectar a doença pode não ser tão simples em muitos casos. Com o diagnóstico complicado, muitas vezes quando o câncer é descoberto já está em em estágio agravado, conta o especialista.

Entre outras complicações, também a fragilidade nos ossos (em alguns casos, podem ocorrer fraturas variadas), insuficiência renal, anemia, linfócitos e plaquetas baixos, continua o médico. "Isso diminui a defesa a infecções e propicia o surgimento, por exemplo, de pneumonia, como foi o caso da jornalista", diz Wellington.

Os médicos não são unânimes em cravar o que gera o mieloma múltiplo, nem maneiras de preveni-lo. O que se sabe é que a maioria dos indivíduos que desenvolvem a enfermidade têm a partir de 60 anos, pontua o hematologista, mais raro entre os mais jovens, e o problema acomete predominantemente os homens.

É um tipo de câncer que se comporta de forma distinta conforme o paciente. Ao mesmo tempo em que em algumas pessoas é bastante agressivo, em outras pode até mesmo dispensar o tratamento por muito tempo.

Sangue
O mieloma múltiplo corresponde a 10% dos casos de cânceres das células do sangue e 1% de todos os tipos de câncer (foto: ColiN00B/Pixabay)


O mieloma múltiplo corresponde a 10% dos casos de cânceres das células do sangue e 1% de todos os tipos de câncer. "É uma doença incurável. Toda vez que a pessoa tem uma fratura mal explicada, especialmente os mais idosos, um problema renal ou uma anemia, o médico deve considerar o mieloma e investigar. Importante é não gerar pânico e achar que qualquer coisa pode ser a doença. Muitas vezes pode ser confundida com uma osteoporose comum", conclui Wellington.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade