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Estado de Minas Doença moderna

Saiba a hora de pedir ajuda para retomar controle sobre o uso da tecnologia

A nomofobia se manifesta quando o uso do celular afeta a capacidade de comunicação e de reconhecer que é preciso deixar o aparelho móvel


03/10/2021 06:00 - atualizado 02/10/2021 18:39

Problema, segundo a psicológia Osmarina Vyel, é quando a falta do celular gera sensação de vazio e de perda
A psicóloga Osmarina Vyel chama a atenção para o mau hábito que transformou o celular em extensão das mãos e dos olhos dos usuários (foto: Arquivo Pessoal )

Tudo que é feito com muita frequência se transforma em hábito e todo hábito passa a fazer parte da vida, lembra a psicóloga Osmarina Vyel. O celular tem sido  rotina presente na vida das pessoas e se tornou mais valioso que as atividades básicas do dia a dia, como cuidar da higiene pessoal, se alimentar ou dormir. "O celular agora é a extensão das nossas mãos e dos nossos olhos. Quando não se faz presente, gera sensação de vazio e de perda. Dependendo da situação, a pessoa pode sentir palpitação e sudorese, como se algo ruim fosse acontecer, como se não estivesse no controle", diz.

Quando a relação com a tecnologia avança, a linha do que é sadio, é certo que a doença psicossocial se manifestará, alerta Osmarina, lembrando que se relacionar com o mundo virtual pode parecer mais fácil, já que não há o desafio de administrar os contratempos, os quais, geralmente, ocorrem na relação e no convívio presencial. “A tecnologia é maravilhosa, mas é fundamental que a pessoa saiba separar o tempo para cada coisa. Precisamos compreender que somos humanos e precisamos da relação humana”, acrescenta.
 
Quando a vida como um todo é mais organizada, é mais natural reconhecer o momento de deixar o celular de lado para se alimentar das relações interpessoais, de acordo com a psicóloga. “Para quem não sabe separar esse momento, o indicado é deixar o celular silencioso quando estiver na presença de pessoas. O celular começa a se tornar prejudicial quando a pessoa passa a se isolar”, orienta.

A dificuldade de se comunicar, estabelecer uma conversa, o olhar sempre para baixo, os ombros para frente, dores de cabeça, insônia são indicativos de que está na hora de pedir ajuda. "O recomendado é o acompanhamento psiquiátrico e psicológico, muitas vezes com indicação de medicamentos para amenizar os sintomas e a psicoterapia. O objetivo é que o indivíduo passe a se conhecer e mudar percepções e comportamentos distorcidos. Entender que, sem ajuda profissional, poderá desencadear doenças mais sérias, como atrofiamentos em partes neurológicas e diminuição da capacidade cognitiva", diz Osmarina.
 
A psicóloga Renata Alvarenga fala sobre comportamentos que podem levar à doença conhecida como nomofobia
Aos adolescentes, a psicóloga Renata Alvarenga faz alerta sobre o risco de neglicenciar tudo o que está à volta para se concentrar na telinha (foto: Arquvo Pessoal)
A nomofobia também pode ser definida pelo medo profundo de estar sozinho, acrescenta a psicóloga. "Quando a pessoa está só e sem alguma distração ou algo que possa preencher o vazio que faz parte de sua vida. Na verdade, o medo está presente o tempo todo, mas surge mais forte no momento em que o silêncio se manifesta", descreve.

Compreensão 

A psiquiatra Jaqueline Bifano considera que o perigo mora nas “inúmeras vezes” nas quais as pessoas não sabem lidar com a tecnologia da forma como deveriam e nem sequer entender o que realmente ela oferece. Essa incapacidade pode até gerar transtornos, como o de compulsão. “Há uma diferença entre uso e abuso e, mesmo que um indivíduo passe o dia todo conectado, não significa que ele é dependente, até porque, atualmente, o celular é essencial na grande maioria dos serviços e profissões. O abuso, e consequente vício, surge quando ficar longe do celular ou de aparelhos eletrônicos se torna motivo de medo, ansiedade e inquietação”, afirma.

A especialista explica que não se trata de negar que os celulares são necessários e desempenham função importante como mecanismo de conexão para pesquisa de informações, troca de mensagens e ligações com facilidade, além de visita a lugares e meio para conversa com pessoas no exterior. “Porém, seu uso excessivo, assim como vários outros hábitos, pode se tornar prejudicial. Tudo está mais rápido e mais acessível através da tecnologia.”
 

SINAIS QUE ALERTAM

Comportamentos que podem indicar o desenvolvimento da nomofobia

» A nomofobia apresenta forte relação com o transtorno de pânico, agorafobia e transtorno de fobia social

» Preocupa quando o sujeito começa a desbloquear o telefone com frequência para checar se tem mensagem, se tem algum novo e-mail

» A pessoa tem a sensação de que o telefone tocou ou vibrou e toda hora o confere

» Começa a perder a noção do tempo porque fica concentrada demais na tela do smartphone

» Tem alteração no sono e até mesmo no trânsito

» Já não consegue mais se concentrar

» Efeito Google: quando o cérebro do ser humano começa a não mais processar informações e até no caso de questões simples sobre as quais poderia pensar, sabe que terá uma resposta com muita mais facilidade com poucos cliques

» Invisibilidade social: a pessoa negligencia o que está à sua volta para ficar concentrada na tela do dispositivo, um comportamento muito frequente entre os adolescentes


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